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Pintura ribeirinha no Amazonas: identidade artística, cultural e pertencimento étnico

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Resumo:As margens dos rios no Amazonas são lugares de começos, espaço de construção da vida, das histórias, das identidades e da arte dos amazónicos ribeirinhos. Este estudo centra a sua abordagem nas pinturas que representam a cultura amazónica e a imagem poética no imaginário dos pintores das margens ribeirinhas, entendimento pelo qual a consideramos partilhas sensíveis. Trata-se de uma abordagem tecida em conversação com a interdisciplinaridade, além da observação in loco e das vozes de campo. O locus da pesquisa são as comunidades do Calado, Bela Vista, Arapapá, São Pedro do Paraíso e o bairro do Jauari, localizadas nas regiões pertencentes às cidades de Manacapuru, Parintins e Itacoatiara, no interior do Amazonas. O objetivo desta investigação é mostrar os significados estéticos das pinturas dos ribeirinhos autodidatas, como se constrói a vida, a identidade artística, cultural e a pertença étnica dos pintores. Para a construção da tese, utilizámos o recurso metodológico da História Oral para reunir as narrativas dos artistas no âmbito da comunidade, bem como a pesquisa bibliográfica. Para a recolha de dados foram realizadas entrevistas semiestruturadas com os pintores, de acordo com os critérios previamente definidos, com o propósito de conhecer as suas vivências, estratégias de sobrevivência, a relação com o rio, as influências dos ciclos das águas na dinâmica da comunidade, as tradições e os seus valores. Durante as visitas às comunidades foram produzidos registos fotográficos e anotações de campo concernentes à temática em estudo. Identificámos que as pinturas traduzem memórias das paisagens ribeirinhas e se concretizam transcendendo o próprio artista. Uma forma de emoção e sensibilidade artística que permite dar vida ao imaginário do universo amazónico. Estas produções de saberes autodidatas provocam reflexões por penetrarem em relações que habitam a essência dos povos tradicionais. Por fim, reconhecemos que na subjetividade que partilha mitos e entrelaça relações, o artista ribeirinho da Amazónia é um mediador da visualidade estetizada. Sustentando-se pela identificação com a floresta e o rio, às vezes admirado, em outras negado, este homem da margem, segue adiante, reconhecido ou não pela sociedade, caminha firme, apostando na continuidade da vida e da arte margeada pelas águas e os sonhos.
Autores principais:Pereira, Laura Renata Dourado
Assunto:Identidade artística Imaginário ribeirinho Pinturas ribeirinhas Artistic identity Riverside imaginary Riverside paintings
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:As margens dos rios no Amazonas são lugares de começos, espaço de construção da vida, das histórias, das identidades e da arte dos amazónicos ribeirinhos. Este estudo centra a sua abordagem nas pinturas que representam a cultura amazónica e a imagem poética no imaginário dos pintores das margens ribeirinhas, entendimento pelo qual a consideramos partilhas sensíveis. Trata-se de uma abordagem tecida em conversação com a interdisciplinaridade, além da observação in loco e das vozes de campo. O locus da pesquisa são as comunidades do Calado, Bela Vista, Arapapá, São Pedro do Paraíso e o bairro do Jauari, localizadas nas regiões pertencentes às cidades de Manacapuru, Parintins e Itacoatiara, no interior do Amazonas. O objetivo desta investigação é mostrar os significados estéticos das pinturas dos ribeirinhos autodidatas, como se constrói a vida, a identidade artística, cultural e a pertença étnica dos pintores. Para a construção da tese, utilizámos o recurso metodológico da História Oral para reunir as narrativas dos artistas no âmbito da comunidade, bem como a pesquisa bibliográfica. Para a recolha de dados foram realizadas entrevistas semiestruturadas com os pintores, de acordo com os critérios previamente definidos, com o propósito de conhecer as suas vivências, estratégias de sobrevivência, a relação com o rio, as influências dos ciclos das águas na dinâmica da comunidade, as tradições e os seus valores. Durante as visitas às comunidades foram produzidos registos fotográficos e anotações de campo concernentes à temática em estudo. Identificámos que as pinturas traduzem memórias das paisagens ribeirinhas e se concretizam transcendendo o próprio artista. Uma forma de emoção e sensibilidade artística que permite dar vida ao imaginário do universo amazónico. Estas produções de saberes autodidatas provocam reflexões por penetrarem em relações que habitam a essência dos povos tradicionais. Por fim, reconhecemos que na subjetividade que partilha mitos e entrelaça relações, o artista ribeirinho da Amazónia é um mediador da visualidade estetizada. Sustentando-se pela identificação com a floresta e o rio, às vezes admirado, em outras negado, este homem da margem, segue adiante, reconhecido ou não pela sociedade, caminha firme, apostando na continuidade da vida e da arte margeada pelas águas e os sonhos.