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Promoção de competências de autor-regulação na escrita: Um estudo com alunos do 4.º ano do Ensino Básico

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A escrita de composições consiste numa atividade extremamente complexa que exige dos alunos não só conhecimentos acerca do texto, do assunto a escrever, como também de estratégias a utilizar durante o planeamento, escrita e revisão do texto. Segundo dados nacionais e internacionais, grande parte dos alunos manifestam severas dificuldades nesta atividade, tendo repercussões negativas ao longo de todo seu percurso escolar e vida adulta. Por este motivo, nas últimas décadas, têm sido efetuadas reformas para o ensino da escrita, contudo, as dificuldades face à mesma subsistem, sendo superiores à leitura e à matemática. Dado o cenário apresentado, que reúne preocupações diversas, urge a necessidade de desenhar programas com diferentes graus de intervenção para responder ao variado leque de necessidades educativas de acordo com os recursos existentes. De modo a responder às lacunas identificadas, a presente tese encontra-se estruturada em quatro capítulos correspondentes a quatro trabalhos científicos. No primeiro capítulo salienta-se (i) o papel da autorregulação da aprendizagem no ensino das estratégias de escrita para a melhoria da qualidade da escrita; (ii) a utilização das estórias como eficazes ferramentas promotoras de competências de autorregulação da aprendizagem; e (iii) o contributo das estórias na promoção de competências de autorregulação na escrita. Este trabalho, aceite para publicação num capítulo de um livro internacional sintetiza todo o corpo teórico que sustenta os estudos empíricos incluídos na presente tese. O segundo capítulo providencia um manual prático dirigido a professores do 1.º ciclo do Ensino Básico sobre um programa de promoção de competências de autorregulação na escrita de composições que combina um modelo de intervenção na escrita empiricamente validado e uma estória-ferramenta. Este capítulo, que correspondeu a um convite dos investigadores do SIG (i.e., Special Interested Group) de escrita da EARLI será publicado oportunamente num e-book. Este descreve todas as sessões do programa, fornecendo estratégias e materiais para melhorar a qualidade da escrita de composições. No terceiro capítulo é apresentado o primeiro estudo empírico desta tese (submetido a uma revista científica internacional) que avalia o impacto da utilização de atividades livres de escrita (i.e., escrever um journal sobre as experiências vividas durante semana) na melhoria da qualidade da escrita de composições ao longo de 12 semanas. Este estudo é de grande relevância educacional e social, uma vez que revela que escrever journals semanalmente, contribui significativamente para a melhoria da qualidade da escrita de composições de alunos do 4.º ano de escolaridade num reduzido período de tempo. O estudo revela ainda que as melhorias são tanto maiores quanto melhor for a qualidade dos journals escritos pelos alunos. Contudo, esta atividade de escrita apresenta um efeito de teto após três semanas de utilização. Apesar dos resultados serem promissores, continua a haver necessidade de intervir sobre as dificuldades de escrita dos alunos, passando para campos de ação que envolvam programas especializados na promoção de competências de escrita e autorregulação da aprendizagem. O último capítulo apresenta um segundo estudo empírico, submetido a uma revista científica internacional, que procurou avaliar, ao longo de 12 semanas, o impacto de três intervenções promotoras da qualidade da escrita de composições com grau crescente de especialização destinadas a alunos do 4.º ano de escolaridade (i.e., escrita de journals semanais; programa de intervenção na escrita empiricamente validado; programa de intervenção na escrita empiricamente validado combinado com uma estória-ferramenta promotora de competências de autorregulação da aprendizagem). Os dados revelam que a melhoria da qualidade da escrita de composições aumenta tanto quanto maior é o grau de especialização da intervenção implementada. Contudo, as diferenças entre os alunos que participaram no programa de intervenção na escrita empiricamente validado e os alunos que participaram no programa de intervenção combinado não são estatisticamente significativas. Apesar de não se verificar uma melhoria significativamente superior nos alunos que participaram no programa combinado, os relatos dos professores e a experiência no terreno indicam que a utilização da estória-ferramenta facilitou o envolvimento dos alunos na aprendizagem das estratégias de escrita. No futuro são necessários mais estudos que aprofundem o conhecimento sobre o processo de autorregulação na escrita, por exemplo, combinando metodologias quantitativas e qualitativas de investigação. Os trabalhos desenvolvidos permitem concluir que é possível melhorar a qualidade da escrita de composições em diferentes níveis de atuação consoante as necessidades e recursos existentes, através, por exemplo, de uma lógica de Response to Intervention (RTI).
Autores principais:Högemann, Julia Helene
Assunto:Autorregulação da Aprendizagem Escrita de Composições Week-Journals Estórias Self-Regulation in Learning Writing Compositions Week-Journals Self-Regulated Strategy Development Story-tools
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A escrita de composições consiste numa atividade extremamente complexa que exige dos alunos não só conhecimentos acerca do texto, do assunto a escrever, como também de estratégias a utilizar durante o planeamento, escrita e revisão do texto. Segundo dados nacionais e internacionais, grande parte dos alunos manifestam severas dificuldades nesta atividade, tendo repercussões negativas ao longo de todo seu percurso escolar e vida adulta. Por este motivo, nas últimas décadas, têm sido efetuadas reformas para o ensino da escrita, contudo, as dificuldades face à mesma subsistem, sendo superiores à leitura e à matemática. Dado o cenário apresentado, que reúne preocupações diversas, urge a necessidade de desenhar programas com diferentes graus de intervenção para responder ao variado leque de necessidades educativas de acordo com os recursos existentes. De modo a responder às lacunas identificadas, a presente tese encontra-se estruturada em quatro capítulos correspondentes a quatro trabalhos científicos. No primeiro capítulo salienta-se (i) o papel da autorregulação da aprendizagem no ensino das estratégias de escrita para a melhoria da qualidade da escrita; (ii) a utilização das estórias como eficazes ferramentas promotoras de competências de autorregulação da aprendizagem; e (iii) o contributo das estórias na promoção de competências de autorregulação na escrita. Este trabalho, aceite para publicação num capítulo de um livro internacional sintetiza todo o corpo teórico que sustenta os estudos empíricos incluídos na presente tese. O segundo capítulo providencia um manual prático dirigido a professores do 1.º ciclo do Ensino Básico sobre um programa de promoção de competências de autorregulação na escrita de composições que combina um modelo de intervenção na escrita empiricamente validado e uma estória-ferramenta. Este capítulo, que correspondeu a um convite dos investigadores do SIG (i.e., Special Interested Group) de escrita da EARLI será publicado oportunamente num e-book. Este descreve todas as sessões do programa, fornecendo estratégias e materiais para melhorar a qualidade da escrita de composições. No terceiro capítulo é apresentado o primeiro estudo empírico desta tese (submetido a uma revista científica internacional) que avalia o impacto da utilização de atividades livres de escrita (i.e., escrever um journal sobre as experiências vividas durante semana) na melhoria da qualidade da escrita de composições ao longo de 12 semanas. Este estudo é de grande relevância educacional e social, uma vez que revela que escrever journals semanalmente, contribui significativamente para a melhoria da qualidade da escrita de composições de alunos do 4.º ano de escolaridade num reduzido período de tempo. O estudo revela ainda que as melhorias são tanto maiores quanto melhor for a qualidade dos journals escritos pelos alunos. Contudo, esta atividade de escrita apresenta um efeito de teto após três semanas de utilização. Apesar dos resultados serem promissores, continua a haver necessidade de intervir sobre as dificuldades de escrita dos alunos, passando para campos de ação que envolvam programas especializados na promoção de competências de escrita e autorregulação da aprendizagem. O último capítulo apresenta um segundo estudo empírico, submetido a uma revista científica internacional, que procurou avaliar, ao longo de 12 semanas, o impacto de três intervenções promotoras da qualidade da escrita de composições com grau crescente de especialização destinadas a alunos do 4.º ano de escolaridade (i.e., escrita de journals semanais; programa de intervenção na escrita empiricamente validado; programa de intervenção na escrita empiricamente validado combinado com uma estória-ferramenta promotora de competências de autorregulação da aprendizagem). Os dados revelam que a melhoria da qualidade da escrita de composições aumenta tanto quanto maior é o grau de especialização da intervenção implementada. Contudo, as diferenças entre os alunos que participaram no programa de intervenção na escrita empiricamente validado e os alunos que participaram no programa de intervenção combinado não são estatisticamente significativas. Apesar de não se verificar uma melhoria significativamente superior nos alunos que participaram no programa combinado, os relatos dos professores e a experiência no terreno indicam que a utilização da estória-ferramenta facilitou o envolvimento dos alunos na aprendizagem das estratégias de escrita. No futuro são necessários mais estudos que aprofundem o conhecimento sobre o processo de autorregulação na escrita, por exemplo, combinando metodologias quantitativas e qualitativas de investigação. Os trabalhos desenvolvidos permitem concluir que é possível melhorar a qualidade da escrita de composições em diferentes níveis de atuação consoante as necessidades e recursos existentes, através, por exemplo, de uma lógica de Response to Intervention (RTI).