Publicação
Risco de incêndio rural no concelho da Guarda: análise da eficácia das intervenções de recuperação após o incêndio e atenuação dos seus impactes
| Resumo: | Ao longo das últimas décadas, em Portugal, tem-se assistido a uma crescente incidência e ao aumento da ocorrência de incêndios rurais. A região centro, em particular, tende a ser a mais fustigada, resultando diversos impactes ambientais no solo, na vegetação e na água, por vezes, de difícil recuperação. No ano de 2022, a maior ocorrência registada em Portugal corresponde ao incêndio da Serra da Estrela, com cerca de 28 mil ha de área ardida, consumindo 25% da área classificada do Parque Natural da Serra da Estrela, fragilizando fortemente esta região de elevado perigo e risco de incêndio rural, devido à conjugação de fatores críticos, como o abandono das zonas rurais, acréscimo de carga combustível/vegetação altamente inflamável, aumento das ignições e aumento da temperatura com irregularidade da precipitação. O concelho da Guarda foi o que registou a maior área ardida (10 112 ha; 14 % da área total), no qual após a avaliação dos danos e prejuízos ambientais, foram implementadas seis técnicas de estabilização de emergência, com início em janeiro de 2023 e durante cerca de 7 meses, numa área superior a 167 ha. A sua aplicação incidiu na cabeceira das linhas de água e zonas com maior declive, com o objetivo de conter e evitar a dispersão dos impactes causados nos ecossistemas. Com este trabalho pretende-se avaliar a eficácia da aplicação destas técnicas através da monitorização e acompanhamento das intervenções desenvolvidas no concelho da Guarda. Para tal, foram considerados indicadores de execução e desempenho nas técnicas de corte de vegetação queimada numa faixa de 25m, corte de arvores direcionado apoiados em cepos, entrançados de resíduos florestais em curva de nível, construção de pequenas obras de correção torrencial e corte e remoção de material vegetal arbóreo e arbustivo ardido. Os resultados obtidos permitem confirmar a utilidade e relevância da aplicação de técnicas de estabilização de emergência na minimização dos impactes associados aos incêndios rurais, principalmente a nível do solo. Contudo, a eficácia observada é consideravelmente inferior ao esperado, principalmente devido à aplicação tardia desta fase de recuperação após o incêndio. É fundamental reforçar a importância de uma intervenção rápida em locais afetados por incêndios rurais, e a necessidade de continuidade de trabalhos de recuperação nos anos seguintes, para minimizar o impacte nos ecossistemas. O incêndio da Serra da Estrela é um bom exemplo com importantes aspetos a melhorar em ocorrências futuras. |
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| Autores principais: | Carreira, Inês Marques |
| Assunto: | Risco ambiental Parque Natural da Serra da Estrela Monitorização Estabilização de emergência Vulnerabilidade Environmental risk Serra da Estrela Natural Park Monitoring Emergency stabilization Vulnerability |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Ao longo das últimas décadas, em Portugal, tem-se assistido a uma crescente incidência e ao aumento da ocorrência de incêndios rurais. A região centro, em particular, tende a ser a mais fustigada, resultando diversos impactes ambientais no solo, na vegetação e na água, por vezes, de difícil recuperação. No ano de 2022, a maior ocorrência registada em Portugal corresponde ao incêndio da Serra da Estrela, com cerca de 28 mil ha de área ardida, consumindo 25% da área classificada do Parque Natural da Serra da Estrela, fragilizando fortemente esta região de elevado perigo e risco de incêndio rural, devido à conjugação de fatores críticos, como o abandono das zonas rurais, acréscimo de carga combustível/vegetação altamente inflamável, aumento das ignições e aumento da temperatura com irregularidade da precipitação. O concelho da Guarda foi o que registou a maior área ardida (10 112 ha; 14 % da área total), no qual após a avaliação dos danos e prejuízos ambientais, foram implementadas seis técnicas de estabilização de emergência, com início em janeiro de 2023 e durante cerca de 7 meses, numa área superior a 167 ha. A sua aplicação incidiu na cabeceira das linhas de água e zonas com maior declive, com o objetivo de conter e evitar a dispersão dos impactes causados nos ecossistemas. Com este trabalho pretende-se avaliar a eficácia da aplicação destas técnicas através da monitorização e acompanhamento das intervenções desenvolvidas no concelho da Guarda. Para tal, foram considerados indicadores de execução e desempenho nas técnicas de corte de vegetação queimada numa faixa de 25m, corte de arvores direcionado apoiados em cepos, entrançados de resíduos florestais em curva de nível, construção de pequenas obras de correção torrencial e corte e remoção de material vegetal arbóreo e arbustivo ardido. Os resultados obtidos permitem confirmar a utilidade e relevância da aplicação de técnicas de estabilização de emergência na minimização dos impactes associados aos incêndios rurais, principalmente a nível do solo. Contudo, a eficácia observada é consideravelmente inferior ao esperado, principalmente devido à aplicação tardia desta fase de recuperação após o incêndio. É fundamental reforçar a importância de uma intervenção rápida em locais afetados por incêndios rurais, e a necessidade de continuidade de trabalhos de recuperação nos anos seguintes, para minimizar o impacte nos ecossistemas. O incêndio da Serra da Estrela é um bom exemplo com importantes aspetos a melhorar em ocorrências futuras. |
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