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Human trafficking in Portugal: from perceptions to victims support

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Resumo:O tráfico de seres humanos carece de pesquisa científica a nível nacional e internacional, ao nível das vítimas e do apoio que lhes é prestado. Através do desenvolvimento de quatro estudos exploratórios, usando análise temática, esta dissertação procurou aprofundar o conhecimento sobre esse fenómeno. explorando os discursos de estudantes universitários sobre o tráfico de pessoas, as suas vítimas e traficantes (capítulo I), e analisando as perceções dos prestadores de serviços da Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Tráfico, sobre o apoio prestado às vítimas (capítulo II). Este trabalho visa também dar voz a 9 vítimas deste crime, que se encontravam em processo de acolhimento (capítulos III e IV), em relação à sua própria exploração e à experiência de pós-vitimação. Os resultados obtidos com o primeiro estudo empírico mostraram que a maioria dos participantes retratou a vítima como alguém puro e ingénuo (uma vítima ideal) e os traficantes como alguém muito diferente de uma pessoa comum. Os resultados do segundo estudo empírico mostraram que o apoio prestado foi percecionado como sendo muito complexo (envolvendo vítimas de diferentes idades, ambos os sexos, alvo de vários tipos de exploração [sexual, trabalho, mendicidade, escravidão]). O terceiro e o quarto estudos reforçam a dinâmica do tráfico de seres humanos, no que respeita às vítimas e traficantes e às circunstâncias de exploração. Os resultados revelaram que apoio foi retratado como adequado, sendo capaz de suprimir as necessidades mais básicas das vítimas (por exemplo, comida, abrigo, roupas). As vítimas confiam na polícia e nas instituições governamentais e colaboraram com o sistema judicial (através do testemunho), todavia não estão cientes dos seus direitos judiciais. Apesar dos progressos significativos no apoio à vítima, são necessários estudos mais aprofundados sobre o apoio formal prestado, especificamente às vítimas de tráfico, para assegurar respostas de assistência adequadas em toda a rede (seja no âmbito psicossocial, educacional, médico ou até mesmo judicial).
Autores principais:Fernandes, Ângela Marisa Cardoso
Assunto:Apoio perceções tráfico de Pessoas vitimação Human trafficking perceptions support victimization
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O tráfico de seres humanos carece de pesquisa científica a nível nacional e internacional, ao nível das vítimas e do apoio que lhes é prestado. Através do desenvolvimento de quatro estudos exploratórios, usando análise temática, esta dissertação procurou aprofundar o conhecimento sobre esse fenómeno. explorando os discursos de estudantes universitários sobre o tráfico de pessoas, as suas vítimas e traficantes (capítulo I), e analisando as perceções dos prestadores de serviços da Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Tráfico, sobre o apoio prestado às vítimas (capítulo II). Este trabalho visa também dar voz a 9 vítimas deste crime, que se encontravam em processo de acolhimento (capítulos III e IV), em relação à sua própria exploração e à experiência de pós-vitimação. Os resultados obtidos com o primeiro estudo empírico mostraram que a maioria dos participantes retratou a vítima como alguém puro e ingénuo (uma vítima ideal) e os traficantes como alguém muito diferente de uma pessoa comum. Os resultados do segundo estudo empírico mostraram que o apoio prestado foi percecionado como sendo muito complexo (envolvendo vítimas de diferentes idades, ambos os sexos, alvo de vários tipos de exploração [sexual, trabalho, mendicidade, escravidão]). O terceiro e o quarto estudos reforçam a dinâmica do tráfico de seres humanos, no que respeita às vítimas e traficantes e às circunstâncias de exploração. Os resultados revelaram que apoio foi retratado como adequado, sendo capaz de suprimir as necessidades mais básicas das vítimas (por exemplo, comida, abrigo, roupas). As vítimas confiam na polícia e nas instituições governamentais e colaboraram com o sistema judicial (através do testemunho), todavia não estão cientes dos seus direitos judiciais. Apesar dos progressos significativos no apoio à vítima, são necessários estudos mais aprofundados sobre o apoio formal prestado, especificamente às vítimas de tráfico, para assegurar respostas de assistência adequadas em toda a rede (seja no âmbito psicossocial, educacional, médico ou até mesmo judicial).