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Processos de melhoria social: a requalificação do Bairro Social de Santa Tecla

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Resumo:“Os bairros são entidades sociais complexas, multiformes, dinâmicas, de geometria variável, dependentes de relações, de situações e de representações que alimentam diversas formas de interação social”1. Os bairros são também espaços definidos por todas as pessoas que os habitam, pelo sentido de pertença ao lugar, e pelo sentimento de comunidade. Quando espacialmente isolados e associados a problemas sociais, resultam em espaços problemáticos, de difícil gestão, potenciando a imagem negativa atualmente marcada ao conceito de bairro social. A investigação que se apresenta procura compreender que processos e metodologias pode a arquitetura aplicar para a desenclavagem social e espacial de um bairro social, como forma de projeto de requalificação, promovendo a integração social e melhoria de condições de vida da população. Para tal foi selecionado como caso de estudo o Bairro Social de Santa Tecla em Braga. A partir da análise bibliográfica segue-se um conjunto de teorias e recomendações de autores como Jane Jacobs, Bill Hillier, Nuno Portas, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, entre outros. Ao entrevistar técnicos locais, moradores do bairro e da envolvente, foi possível sistematizar as principais necessidades, preocupações e problemas. Desta forma percebe-se que o estigma social associado a este Bairro se deve essencialmente à presença de tráfico e consumo de droga, que consequentemente provoca a insegurança sentida pelos moradores do Bairro, mas também pela população residente da envolvente e em geral. Porém, este caso torna-se especialmente problemático devido à sua organização espacial em cul-de-sac, e o seu encerramento pelos edifícios e muros da envolvente. O bairro apresenta-se assim como um enclave social e espacial, com problemas sociais, urbanísticos e arquitetónicos que se potenciam entre si. Como conclusão da investigação é proposta uma metodologia de princípios orientadores para o projeto de requalificação, baseando-se principalmente na requalificação do espaço público, na introdução de equipamento e programa necessários, e na revitalização do sentido de comunidade, numa simbiose entre a sociologia e a arquitectura.
Autores principais:Fernandes, Cláudia Manuela Álvares
Assunto:Bairro social Habitação apoiada pelo estado Gueto Enclave social Ciganos Espaço público Cul-de-sac Comunidade Neighborhood State-supported housing Ghetto Social enclave Gypsies Public spaces Community Engenharia e Tecnologia::Engenharia Civil
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:“Os bairros são entidades sociais complexas, multiformes, dinâmicas, de geometria variável, dependentes de relações, de situações e de representações que alimentam diversas formas de interação social”1. Os bairros são também espaços definidos por todas as pessoas que os habitam, pelo sentido de pertença ao lugar, e pelo sentimento de comunidade. Quando espacialmente isolados e associados a problemas sociais, resultam em espaços problemáticos, de difícil gestão, potenciando a imagem negativa atualmente marcada ao conceito de bairro social. A investigação que se apresenta procura compreender que processos e metodologias pode a arquitetura aplicar para a desenclavagem social e espacial de um bairro social, como forma de projeto de requalificação, promovendo a integração social e melhoria de condições de vida da população. Para tal foi selecionado como caso de estudo o Bairro Social de Santa Tecla em Braga. A partir da análise bibliográfica segue-se um conjunto de teorias e recomendações de autores como Jane Jacobs, Bill Hillier, Nuno Portas, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, entre outros. Ao entrevistar técnicos locais, moradores do bairro e da envolvente, foi possível sistematizar as principais necessidades, preocupações e problemas. Desta forma percebe-se que o estigma social associado a este Bairro se deve essencialmente à presença de tráfico e consumo de droga, que consequentemente provoca a insegurança sentida pelos moradores do Bairro, mas também pela população residente da envolvente e em geral. Porém, este caso torna-se especialmente problemático devido à sua organização espacial em cul-de-sac, e o seu encerramento pelos edifícios e muros da envolvente. O bairro apresenta-se assim como um enclave social e espacial, com problemas sociais, urbanísticos e arquitetónicos que se potenciam entre si. Como conclusão da investigação é proposta uma metodologia de princípios orientadores para o projeto de requalificação, baseando-se principalmente na requalificação do espaço público, na introdução de equipamento e programa necessários, e na revitalização do sentido de comunidade, numa simbiose entre a sociologia e a arquitectura.