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Desempenho visual e qualidade ótica na compensação do astigmatismo ocular com lentes de contacto

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Resumo:O objetivo desta dissertação foi avaliar a qualidade ótica, o desempenho visual e a estabilidade ao longo do tempo destes parâmetros para três lentes de contacto com o mesmo material, mas compensações diferentes: uma lente de contacto hidrofílica tórica (LCHT) e duas lentes de contacto hidrofílicas esféricas, sendo uma apenas com a componente esférica da refração (LE) e outra com o equivalente esférico (LEE). Avaliou-se a acuidade visual em alto e baixo contraste, a sensibilidade visual ao contraste em alta e baixa iluminação, a distorção luminosa, a aberrometria e a topografia frontal da lente com cada uma das prescrições. Foram recrutados 20 participantes: 17 do sexo feminino e 3 do sexo masculino com idades compreendidas entre os 18 e 35 anos (21,75±2,99 anos). Foram avaliados os olhos separadamente (olho direito, olho esquerdo e ambos os olhos) em sujeitos com astigmatismo igual ou superior a 0,75D em pelo menos um dos olhos. O estudo foi composto por três visitas, onde foram adaptadas em cada uma delas uma lente de contacto diferente, em ordem aleatória. Cada lente de contacto foi avaliada após 10 minutos e após 4 horas de uso da mesma. A lente de contacto tórica proporcionou melhor qualidade ótica e melhor rendimento visual após os 10 minutos e as 4 horas de uso, monocularmente e binocularmente, em comparação com as lentes de contactos esféricas. Relativamente à acuidade visual em alto contraste, existiu uma melhoria de 0,5 a 1,5 letras com a LCHT, de 1 a 1,5 letras com a LEE e de 2,5 letras na LE, relativamente à diferença entre os 10 minutos e as 4 horas de uso. Em relação à qualidade ótica, existiram diferenças estatisticamente significativas entre a LCHT e a LE em todas as comparações, o que não acontece em todos os casos entre a LCHT e a LEE. Os resultados demonstram que as lentes de contacto esféricas não conseguem reproduzir a qualidade ótica nem o rendimento visual proporcionado pelas lentes de contacto tóricas. Mesmo que a acuidade visual possa ser satisfatória para o paciente, isso poderá dever-se a fenómenos de adaptação ao desfocado, dado que a qualidade ótica avaliada objetivamente é significativamente menor. Os resultados desencorajam a adaptação de qualquer tipo de lentes de contacto esféricas em pacientes com astigmatismo igual ou superior a 0,75D, e se por algum motivo não for possível prescrever uma lente de contacto tórica, a prescrição de uma lente de contacto com o equivalente esférico parece ser uma melhor opção.
Autores principais:Touças, Silvia Alves
Assunto:Astigmatismo Desempenho visual Lentes de contacto e qualidade ótica Astigmatism Contact lenses Optical quality Visual performance
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O objetivo desta dissertação foi avaliar a qualidade ótica, o desempenho visual e a estabilidade ao longo do tempo destes parâmetros para três lentes de contacto com o mesmo material, mas compensações diferentes: uma lente de contacto hidrofílica tórica (LCHT) e duas lentes de contacto hidrofílicas esféricas, sendo uma apenas com a componente esférica da refração (LE) e outra com o equivalente esférico (LEE). Avaliou-se a acuidade visual em alto e baixo contraste, a sensibilidade visual ao contraste em alta e baixa iluminação, a distorção luminosa, a aberrometria e a topografia frontal da lente com cada uma das prescrições. Foram recrutados 20 participantes: 17 do sexo feminino e 3 do sexo masculino com idades compreendidas entre os 18 e 35 anos (21,75±2,99 anos). Foram avaliados os olhos separadamente (olho direito, olho esquerdo e ambos os olhos) em sujeitos com astigmatismo igual ou superior a 0,75D em pelo menos um dos olhos. O estudo foi composto por três visitas, onde foram adaptadas em cada uma delas uma lente de contacto diferente, em ordem aleatória. Cada lente de contacto foi avaliada após 10 minutos e após 4 horas de uso da mesma. A lente de contacto tórica proporcionou melhor qualidade ótica e melhor rendimento visual após os 10 minutos e as 4 horas de uso, monocularmente e binocularmente, em comparação com as lentes de contactos esféricas. Relativamente à acuidade visual em alto contraste, existiu uma melhoria de 0,5 a 1,5 letras com a LCHT, de 1 a 1,5 letras com a LEE e de 2,5 letras na LE, relativamente à diferença entre os 10 minutos e as 4 horas de uso. Em relação à qualidade ótica, existiram diferenças estatisticamente significativas entre a LCHT e a LE em todas as comparações, o que não acontece em todos os casos entre a LCHT e a LEE. Os resultados demonstram que as lentes de contacto esféricas não conseguem reproduzir a qualidade ótica nem o rendimento visual proporcionado pelas lentes de contacto tóricas. Mesmo que a acuidade visual possa ser satisfatória para o paciente, isso poderá dever-se a fenómenos de adaptação ao desfocado, dado que a qualidade ótica avaliada objetivamente é significativamente menor. Os resultados desencorajam a adaptação de qualquer tipo de lentes de contacto esféricas em pacientes com astigmatismo igual ou superior a 0,75D, e se por algum motivo não for possível prescrever uma lente de contacto tórica, a prescrição de uma lente de contacto com o equivalente esférico parece ser uma melhor opção.