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An innovative therapeutic approach for infected chronic wounds

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Resumo:O processo de regeneração da pele é bastante complexo e ordenado e, quando não progride adequadamente, leva ao aparecimento de feridas crónicas. As feridas crónicas são referidas como uma "epidemia silenciosa", afetando significativamente a qualidade de vida dos pacientes e implicando enormes custos financeiros. Existe, portanto, uma necessidade premente no tratamento eficaz de feridas crónicas, especialmente as infetadas. Embora os antibióticos sejam fundamentais no tratamento de infeção, a sua administração convencional, na maioria sistémica, apresenta sérias limitações como a reduzida difusão na ferida e, por conseguinte, reduzida eficácia, e os efeitos adversos sistémicos. Os sistemas de libertação de fármacos podem ajudar a ultrapassar estas limitações, sendo uma alternativa às terapias convencionais. Neste trabalho, foram desenvolvidas duas formulações de sistemas poliméricos para a libertação tópica e controlada de antibióticos no tratamento de feridas crónicas infetadas de diferente etiologia, nomeadamente a infeção oportunista de feridas diabéticas por Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), e a infeção primária por Mycobacterium ulcerans que causa a úlcera de Buruli. No modelo de infeção oportunista, a vancomicina e a clindamicina foram incorporadas em hidrogéis esponjosos de goma gelana (GG), enquanto no modelo de infeção primária, a rifampicina foi encapsulada em partículas de poli(hidroxibutirato-co-valerato), posteriormente incorporadas num hidrogel esponjoso de GG contendo estreptomicina. Ambas as formulações mostraram uma matriz porosa e interligada pela qual os antibióticos difundiram de forma controlada. A libertação controlada não afetou a atividade antibacteriana dos antibióticos, mas reduziu significativamente os efeitos citotóxicos dos antibióticos. Foi ainda otimizado um modelo de ratinho de feridas diabéticas infetadas por MRSA que apresentou características semelhantes à patofisiologia humana, através do qual foi testada a eficácia terapêutica dos hidrogéis esponjosos de GG contendo VAN e CLD. O tratamento com uma dose única destes hidrogéis permitiu reduzir a carga bacteriana das feridas, sem exacerbar a resposta inflamatória do hospedeiro. Embora seja ainda necessário otimizar as doses de antibióticos incorporados nas formulações poliméricas, bem como os modelos animais, as formulações desenvolvidas representam uma abordagem promissora para melhorar o tratamento de feridas crónicas infetadas.
Autores principais:Mendes, Ana Isabel Silva
Assunto:Administração tópica Infeção de pé diabético Libertação controlada de antibióticos Sistemas poliméricos de libertação de fármacos Úlcera de Buruli Buruli ulcer Controlled antibiotic release Diabetic foot infection Polymeric drug delivery systems Topical administration
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:inglês
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O processo de regeneração da pele é bastante complexo e ordenado e, quando não progride adequadamente, leva ao aparecimento de feridas crónicas. As feridas crónicas são referidas como uma "epidemia silenciosa", afetando significativamente a qualidade de vida dos pacientes e implicando enormes custos financeiros. Existe, portanto, uma necessidade premente no tratamento eficaz de feridas crónicas, especialmente as infetadas. Embora os antibióticos sejam fundamentais no tratamento de infeção, a sua administração convencional, na maioria sistémica, apresenta sérias limitações como a reduzida difusão na ferida e, por conseguinte, reduzida eficácia, e os efeitos adversos sistémicos. Os sistemas de libertação de fármacos podem ajudar a ultrapassar estas limitações, sendo uma alternativa às terapias convencionais. Neste trabalho, foram desenvolvidas duas formulações de sistemas poliméricos para a libertação tópica e controlada de antibióticos no tratamento de feridas crónicas infetadas de diferente etiologia, nomeadamente a infeção oportunista de feridas diabéticas por Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), e a infeção primária por Mycobacterium ulcerans que causa a úlcera de Buruli. No modelo de infeção oportunista, a vancomicina e a clindamicina foram incorporadas em hidrogéis esponjosos de goma gelana (GG), enquanto no modelo de infeção primária, a rifampicina foi encapsulada em partículas de poli(hidroxibutirato-co-valerato), posteriormente incorporadas num hidrogel esponjoso de GG contendo estreptomicina. Ambas as formulações mostraram uma matriz porosa e interligada pela qual os antibióticos difundiram de forma controlada. A libertação controlada não afetou a atividade antibacteriana dos antibióticos, mas reduziu significativamente os efeitos citotóxicos dos antibióticos. Foi ainda otimizado um modelo de ratinho de feridas diabéticas infetadas por MRSA que apresentou características semelhantes à patofisiologia humana, através do qual foi testada a eficácia terapêutica dos hidrogéis esponjosos de GG contendo VAN e CLD. O tratamento com uma dose única destes hidrogéis permitiu reduzir a carga bacteriana das feridas, sem exacerbar a resposta inflamatória do hospedeiro. Embora seja ainda necessário otimizar as doses de antibióticos incorporados nas formulações poliméricas, bem como os modelos animais, as formulações desenvolvidas representam uma abordagem promissora para melhorar o tratamento de feridas crónicas infetadas.