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Práticas funerárias em hipogeus da Idade do Bronze do Sudeste de Portugal

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O presente estudo analisou as práticas funerárias em hipogeus da Idade do Bronze do sudeste de Portugal, com foco no Baixo Alentejo Interior. O principal objetivo desta dissertação foi aprofundar o conhecimento sobre as práticas funerárias da Idade do Bronze no Sudoeste da Ibéria, reunindo e analisando sistematicamente dados dispersos em pesquisas anteriores. Para isso, foram examinados 61 hipogeus, em nove sítios arqueológicos resultando num inventário detalhado sobre os vários aspetos das práticas funerárias. Procedeu-se, ainda, a uma abordagem interdisciplinar, integrando os dados da antropologia biológica e da arqueologia, permitindo uma análise abrangente e a várias escalas de análise, combinando a cronologia das estruturas e os dados da paleobiologia com a arquitetura dos hipogeus, os rituais e as oferendas funerárias. A maioria dos hipogeus datava de meados do século XVIII a.C. ao final do século XV a.C., com algumas exceções que se enquadravam da transição do 3.º para o 2.º milénio a.C. Os resultados mostraram que 72% (76/105) dos indivíduos sepultados eram adultos, sendo 35% (37/105) do sexo feminino e 20% (21/105) do masculino. A análise morfológica confirmou o achatamento e robustez membros inferiores em ambos os sexos, indicando exposição a forças biomecânicas repetitivas. As paleopatologias mais frequentes incluíam a osteoartrose (49%, 33/67) e os indicadores de stress biomecânico (28%, 28/83) que apresentavam uma forte correlação com a idade, sem distinção entre sexos. A presença de outras patologias, como as lesões traumáticas (4%, 3/83), os indicadores de stress não específico (6%, 4/63) , as hipoplasias do esmalte dentário (2%, 2/83) e a periostite (4%, 3/83), eram raras, sugerindo a inexistência de conflitos e tarefas diárias perigosas e um bom estado de saúde em geral com ausência de períodos prolongados de doença ou carência nutricional. A patologia oral mais frequente foi o desgaste dentário (66%, 44/83). Quanto à arquitetura dos hipogeus verificou-se que a tipologia A (antecâmera quadrangular/retangular) era a mais comum (51%, 31/61) e que que a orientação das entradas não era aleatória relacionando-se, provavelmente, com momentos do ciclo solar. Os enterramentos podiam ser simples (52%, 33/63) ou múltiplos (32%, 20/63), com 67% (70/105) dos indivíduos em inumação primária e 33% (35/105) em inumação secundária, indicando reutilização do espaço funerário. Verificaram-se, ainda, tendências relativamente à posição da inumação, sendo os sepultamentos em decúbito lateral direito predominantes (51%, 42/83), especialmente para indivíduos do sexo feminino. As oferendas estavam presentes apenas em 55% (46/83) dos indivíduos. As mulheres apresentavam uma maior quantidade e diversidade de oferendas, nomeadamente, recipientes cerâmicos (70% 23/33), punções (55% 18/33). Além disso, também, podiam ter armas, indicando o seu grande prestígio social. Este estudo demonstrou uma relação entre as práticas funerárias e a organização social e as cosmologias das populações da Idade do Bronze, bem como, a importância de uma abordagem multidisciplinar nos estudos arqueológicos.
Autores principais:Borges, Marta Sofia Pinto
Assunto:Idade do Bronze do Sudoeste Hipogeus Práticas funerárias Papel social das mulheres Southwestern Bronze Age Hypogea Funerary practices Social role of women
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O presente estudo analisou as práticas funerárias em hipogeus da Idade do Bronze do sudeste de Portugal, com foco no Baixo Alentejo Interior. O principal objetivo desta dissertação foi aprofundar o conhecimento sobre as práticas funerárias da Idade do Bronze no Sudoeste da Ibéria, reunindo e analisando sistematicamente dados dispersos em pesquisas anteriores. Para isso, foram examinados 61 hipogeus, em nove sítios arqueológicos resultando num inventário detalhado sobre os vários aspetos das práticas funerárias. Procedeu-se, ainda, a uma abordagem interdisciplinar, integrando os dados da antropologia biológica e da arqueologia, permitindo uma análise abrangente e a várias escalas de análise, combinando a cronologia das estruturas e os dados da paleobiologia com a arquitetura dos hipogeus, os rituais e as oferendas funerárias. A maioria dos hipogeus datava de meados do século XVIII a.C. ao final do século XV a.C., com algumas exceções que se enquadravam da transição do 3.º para o 2.º milénio a.C. Os resultados mostraram que 72% (76/105) dos indivíduos sepultados eram adultos, sendo 35% (37/105) do sexo feminino e 20% (21/105) do masculino. A análise morfológica confirmou o achatamento e robustez membros inferiores em ambos os sexos, indicando exposição a forças biomecânicas repetitivas. As paleopatologias mais frequentes incluíam a osteoartrose (49%, 33/67) e os indicadores de stress biomecânico (28%, 28/83) que apresentavam uma forte correlação com a idade, sem distinção entre sexos. A presença de outras patologias, como as lesões traumáticas (4%, 3/83), os indicadores de stress não específico (6%, 4/63) , as hipoplasias do esmalte dentário (2%, 2/83) e a periostite (4%, 3/83), eram raras, sugerindo a inexistência de conflitos e tarefas diárias perigosas e um bom estado de saúde em geral com ausência de períodos prolongados de doença ou carência nutricional. A patologia oral mais frequente foi o desgaste dentário (66%, 44/83). Quanto à arquitetura dos hipogeus verificou-se que a tipologia A (antecâmera quadrangular/retangular) era a mais comum (51%, 31/61) e que que a orientação das entradas não era aleatória relacionando-se, provavelmente, com momentos do ciclo solar. Os enterramentos podiam ser simples (52%, 33/63) ou múltiplos (32%, 20/63), com 67% (70/105) dos indivíduos em inumação primária e 33% (35/105) em inumação secundária, indicando reutilização do espaço funerário. Verificaram-se, ainda, tendências relativamente à posição da inumação, sendo os sepultamentos em decúbito lateral direito predominantes (51%, 42/83), especialmente para indivíduos do sexo feminino. As oferendas estavam presentes apenas em 55% (46/83) dos indivíduos. As mulheres apresentavam uma maior quantidade e diversidade de oferendas, nomeadamente, recipientes cerâmicos (70% 23/33), punções (55% 18/33). Além disso, também, podiam ter armas, indicando o seu grande prestígio social. Este estudo demonstrou uma relação entre as práticas funerárias e a organização social e as cosmologias das populações da Idade do Bronze, bem como, a importância de uma abordagem multidisciplinar nos estudos arqueológicos.