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Cuidar do que é nosso. Encontros inesperados

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Detalhes bibliográficos
Resumo:[Excerto] Quando vou a pé para o trabalho, por vezes acontece fazê-lo com tempo, sem a sensação de que estou atrasada, livre da culpa que o ritmo da máquina da cidade nos faz sentir sempre que deixamos de correr atrás do tempo. Uma perversão que existe na cidade, diz Gonçalo Tavares (2025), é transmitir a sensação de que estamos sempre atrasados, algo que nos faz sentir culpados, seja por não ter feito o suficiente, seja por não ter dado o suficiente. Nesses intervalos, em que me dou ao luxo de pôr entre parêntesis as preocupações práticas, ir a pé para o trabalho transforma-se, ganhando novos contornos. [...] É como se estivesse a ver as coisas pela primeira vez. Talvez isso corresponda áquilo que José Gil (1996) designa como sendo o olhar (Neves, 2010). Diz o filósofo que ver e olhar não são a mesma coisa. Para ver, temos de olhar, mas podemos olhar sem ver, isto é, sem intelectualizar, sem dar um sentido ao que se vê e, em vez disso, simplesmente desfrutar do processo, do ir no fluxo: no fluxo da água, do vento que sopra nas árvores e nas flores, do impacto do bater dos pés no chão ou das bicicletas que por mim passam sempre com algo melhor para fazer.[...]
Autores principais:Pinto-Coelho, Zara
Assunto:Passeio Cultura urbana Urban culture Braga Espaço público Public space
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:outro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:[Excerto] Quando vou a pé para o trabalho, por vezes acontece fazê-lo com tempo, sem a sensação de que estou atrasada, livre da culpa que o ritmo da máquina da cidade nos faz sentir sempre que deixamos de correr atrás do tempo. Uma perversão que existe na cidade, diz Gonçalo Tavares (2025), é transmitir a sensação de que estamos sempre atrasados, algo que nos faz sentir culpados, seja por não ter feito o suficiente, seja por não ter dado o suficiente. Nesses intervalos, em que me dou ao luxo de pôr entre parêntesis as preocupações práticas, ir a pé para o trabalho transforma-se, ganhando novos contornos. [...] É como se estivesse a ver as coisas pela primeira vez. Talvez isso corresponda áquilo que José Gil (1996) designa como sendo o olhar (Neves, 2010). Diz o filósofo que ver e olhar não são a mesma coisa. Para ver, temos de olhar, mas podemos olhar sem ver, isto é, sem intelectualizar, sem dar um sentido ao que se vê e, em vez disso, simplesmente desfrutar do processo, do ir no fluxo: no fluxo da água, do vento que sopra nas árvores e nas flores, do impacto do bater dos pés no chão ou das bicicletas que por mim passam sempre com algo melhor para fazer.[...]