Publicação
Dinâmica do zooplâncton em albufeiras do Norte de Portugal: papel indicador e regulação da transparência
| Resumo: | Este trabalho teve como objetivo (i) compreender quais as estratégias e métodos mais adequados à amostragem de zooplâncton em albufeiras, de forma a identificar abordagens padronizadas e lacunas através de um levantamento bibliográfico, e (ii) estudar a variação sazonal e espacial das comunidades de crustáceos zooplanctónicos de quatro albufeiras do norte de Portugal (Andorinhas, Caniçada, Touvedo e Venda Nova), que se caracterizam por baixa mineralização, apresentando por isso um contexto menos favorável para o desenvolvimento de alguns táxones e os processos em que estes intervêm (e.g., regulação da transparência). A revisão bibliográfica demonstrou que existe uma carência na clarificação dos métodos de amostragem adotados e que os processos nem sempre se adequam à finalidade do estudo, o que pode enviesar de forma significativa os resultados. O estudo de campo demonstrou diferenças entre albufeiras, alguma variação sazonal (com padrões distintos entre albufeiras), e reduzida variação espacial intra albufeira no que diz respeito aos parâmetros ambientais, produtividade primária (clorofila a) e composição das comunidades de zooplâncton. As comunidades observadas ao longo do ano foram pouco diversificadas, dominadas por cladóceros de pequenas dimensões e copépodes, sendo que sucessão sazonal dos táxones foi distinta entre albufeiras. As albufeiras mais profundas e menos produtivas (Caniçada e Venda Nova) partilharam dinâmicas comuns entre si, mas diferentes das albufeiras menos profundas (Touvedo e nas Andorinhas), sendo estas últimas mais heterogéneas entre si em termos de variação sazonal. O principal determinante das diferenças entre albufeiras foi a profundidade, à qual esteve associada a transparência e produtividade; a transparência também foi importante do ponto de vista sazonal (a par da temperatura e teor em oxigénio dissolvido). A proporção de cladóceros de grandes dimensões foi baixa, em geral, sendo de registar em alguns locais a dominância de Sida crystallina em detrimento de Daphnia spp. (particularmente notório na albufeira da Caniçada). Uma presença frequente em todos os locais foi a espécie Holopedium gibberum, um táxon característico de águas pouco mineralizadas. O zooplâncton não apresentou um controlo significativo sobre as fases de transparência da água e a biomassa fitoplanctónica, sugerindo um papel importante de outros fatores determinantes da produtividade secundária (baixo nível de nutrientes e possível pressão predatória por estádios juvenis de peixes). Os resultados revelaram pressões distintas em cada albufeira ao nível das comunidades aí existentes, da transparência da água, e da produtividade do sistema, o que coloca desafios diferentes na sua gestão. |
|---|---|
| Autores principais: | Machado, Rafael Ribeiro |
| Assunto: | Massas de água fortemente modificadas Biodiversidade aquática Zooplâncton dulçaquícola Mecanismos de regulação Métodos de amostragem Highly modified waterbodies Aquatic biodiversity Freshwater zooplankton Regulation mechanisms Sampling methods |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Este trabalho teve como objetivo (i) compreender quais as estratégias e métodos mais adequados à amostragem de zooplâncton em albufeiras, de forma a identificar abordagens padronizadas e lacunas através de um levantamento bibliográfico, e (ii) estudar a variação sazonal e espacial das comunidades de crustáceos zooplanctónicos de quatro albufeiras do norte de Portugal (Andorinhas, Caniçada, Touvedo e Venda Nova), que se caracterizam por baixa mineralização, apresentando por isso um contexto menos favorável para o desenvolvimento de alguns táxones e os processos em que estes intervêm (e.g., regulação da transparência). A revisão bibliográfica demonstrou que existe uma carência na clarificação dos métodos de amostragem adotados e que os processos nem sempre se adequam à finalidade do estudo, o que pode enviesar de forma significativa os resultados. O estudo de campo demonstrou diferenças entre albufeiras, alguma variação sazonal (com padrões distintos entre albufeiras), e reduzida variação espacial intra albufeira no que diz respeito aos parâmetros ambientais, produtividade primária (clorofila a) e composição das comunidades de zooplâncton. As comunidades observadas ao longo do ano foram pouco diversificadas, dominadas por cladóceros de pequenas dimensões e copépodes, sendo que sucessão sazonal dos táxones foi distinta entre albufeiras. As albufeiras mais profundas e menos produtivas (Caniçada e Venda Nova) partilharam dinâmicas comuns entre si, mas diferentes das albufeiras menos profundas (Touvedo e nas Andorinhas), sendo estas últimas mais heterogéneas entre si em termos de variação sazonal. O principal determinante das diferenças entre albufeiras foi a profundidade, à qual esteve associada a transparência e produtividade; a transparência também foi importante do ponto de vista sazonal (a par da temperatura e teor em oxigénio dissolvido). A proporção de cladóceros de grandes dimensões foi baixa, em geral, sendo de registar em alguns locais a dominância de Sida crystallina em detrimento de Daphnia spp. (particularmente notório na albufeira da Caniçada). Uma presença frequente em todos os locais foi a espécie Holopedium gibberum, um táxon característico de águas pouco mineralizadas. O zooplâncton não apresentou um controlo significativo sobre as fases de transparência da água e a biomassa fitoplanctónica, sugerindo um papel importante de outros fatores determinantes da produtividade secundária (baixo nível de nutrientes e possível pressão predatória por estádios juvenis de peixes). Os resultados revelaram pressões distintas em cada albufeira ao nível das comunidades aí existentes, da transparência da água, e da produtividade do sistema, o que coloca desafios diferentes na sua gestão. |
|---|