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O coordenador de estabelecimento do 1º ciclo: lógicas e formas de articulação num agrupamento de escolas

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A constituição dos agrupamentos de escolas em Portugal revelou-se um processo com várias implicações nas formas de atuação das próprias escolas. Iniciou-se com a agregação das escolas básicas do primeiro ciclo, passando posteriormente para agregações destas a outros ciclos de ensino, culminando com a agregação de todos os ciclos sob o mote do percurso escolar único e, também, sob a crença da construção de percursos escolares integrados. A legislação em vigor prevê os regimes de administração e gestão e os respetivos órgãos dos agrupamentos de escolas ou escolas não agrupadas e, ainda, a implementação de um órgão unipessoal – o Diretor. A este compete a designação dos coordenadores de escola (CE) ou de estabelecimento pré-escolar, que o acompanharão pelo período do seu mandato, de acordo com o ponto um do artigo 40º da III secção, do Decreto-Lei n.º 75/2008. No artigo subsequente observam-se as competências do CE, sendo que o ponto b do mesmo artigo abre margem de regulação destas funções por parte do diretor. O presente estudo, do tipo qualitativo, baseado no método de estudo de caso, tendo por base de análise o “modelo díptico” (Lima, 2003, p. 47), considerando os modelos burocrático e anárquico, procurou conhecer as formas e lógicas de atuação do CE das escolas básicas do 1ºciclo/JI no seio de um agrupamento de escolas da zona norte de Portugal, durante o ano letivo 2020/21. Trata-se de um agrupamento constituído por dez escolas e que contempla todos os ciclos de ensino. Para o estudo consultaram-se os documentos oficiais internos e realizaram-se entrevistas semi-estruturadas (CE, representantes das escolas que não têm lugar à designação de CE, coordenadores de departamento, diretora e adjunto). Importou conhecer o papel dos CE, conjugado com os discursos da diretora e do seu ajunto e com os documentos oficiais internos para conseguir compreender, descrever e identificar as suas formas e lógicas de atuação. Na sua ação, os diferentes intervenientes, evidenciaram caraterísticas que tendem ora para a racionalidade burocrática ora para a ambiguidade. Assim, os diferentes CE apresentaram formas e lógicas de atuação muito similares, apesar de se constatar que não interagem muito com a diretora, mas estabelecendo uma articulação muito próxima com o seu adjunto. Esta investigação permitiu compreender que neste agrupamento os CE apresentam formas e lógicas de atuação que se enquadram no panorama de um sistema debilmente articulado.
Autores principais:Faria, Maria João de Sousa
Assunto:Agrupamento Ambiguidade Articulação Autonomia Burocracia Cluster Ambiguity Articulation Autonomy Bureaucracy
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A constituição dos agrupamentos de escolas em Portugal revelou-se um processo com várias implicações nas formas de atuação das próprias escolas. Iniciou-se com a agregação das escolas básicas do primeiro ciclo, passando posteriormente para agregações destas a outros ciclos de ensino, culminando com a agregação de todos os ciclos sob o mote do percurso escolar único e, também, sob a crença da construção de percursos escolares integrados. A legislação em vigor prevê os regimes de administração e gestão e os respetivos órgãos dos agrupamentos de escolas ou escolas não agrupadas e, ainda, a implementação de um órgão unipessoal – o Diretor. A este compete a designação dos coordenadores de escola (CE) ou de estabelecimento pré-escolar, que o acompanharão pelo período do seu mandato, de acordo com o ponto um do artigo 40º da III secção, do Decreto-Lei n.º 75/2008. No artigo subsequente observam-se as competências do CE, sendo que o ponto b do mesmo artigo abre margem de regulação destas funções por parte do diretor. O presente estudo, do tipo qualitativo, baseado no método de estudo de caso, tendo por base de análise o “modelo díptico” (Lima, 2003, p. 47), considerando os modelos burocrático e anárquico, procurou conhecer as formas e lógicas de atuação do CE das escolas básicas do 1ºciclo/JI no seio de um agrupamento de escolas da zona norte de Portugal, durante o ano letivo 2020/21. Trata-se de um agrupamento constituído por dez escolas e que contempla todos os ciclos de ensino. Para o estudo consultaram-se os documentos oficiais internos e realizaram-se entrevistas semi-estruturadas (CE, representantes das escolas que não têm lugar à designação de CE, coordenadores de departamento, diretora e adjunto). Importou conhecer o papel dos CE, conjugado com os discursos da diretora e do seu ajunto e com os documentos oficiais internos para conseguir compreender, descrever e identificar as suas formas e lógicas de atuação. Na sua ação, os diferentes intervenientes, evidenciaram caraterísticas que tendem ora para a racionalidade burocrática ora para a ambiguidade. Assim, os diferentes CE apresentaram formas e lógicas de atuação muito similares, apesar de se constatar que não interagem muito com a diretora, mas estabelecendo uma articulação muito próxima com o seu adjunto. Esta investigação permitiu compreender que neste agrupamento os CE apresentam formas e lógicas de atuação que se enquadram no panorama de um sistema debilmente articulado.