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A Anarquia nas Teorias das Relações Internacionais: hegemonia de paradigmas ou necessidade conceptual?
| Resumo: | Esta tese visa interrogar o conceito-chave das Teorias sistémicas das Relações Internacionais, a Anarquia. Numa disciplina científica recente e eivada de ontologias e epistemologias díspares, a mencionada conceptualização anárquica tem-se sabido impor e resistir ao tempo e a várias investidas teóricas. Foi o Realismo Estrutural (ou neo-realismo) de Kenneth Waltz e o seu “Theory of International Politics” (1979) que permitiu trazer uma “determinada” configuração Anárquica para o âmago das Relações Internacionais. As sistematizações teóricas Realista, Liberal e Construtivista (nas suas múltiplas abordagens) partilham esta mesma assunção, baseada no pressuposto da inexistência de uma autoridade superior ao Estado. A Anarquia assume-se como uma necessidade conceptual paradigmática e “naturalizada”. Utilizando uma gama de ferramentas teóricas críticas – suportadas pela análise da Hegemonia Gramsciana e neo-gramsciana bem como na ligação da tríade conhecimento-poder-linguagem que existe em Foucault e na “escola” da Análise Crítica de Discurso – visamos argumentar que a Anarquia se estatuiu com formato de Hegemonia ideacional no edifício disciplinar das Relações Internacionais. Apresentamos para o efeito – como complemento ao enquadramento teórico – uma pesquisa quantitativa que valida a proeminência de autores e textos geograficamente “ocidentais”, epistemologicamente racionalistas, editados em língua inglesa e posteriores à marca do volume Waltziano (1979) que funciona como paradigma indispensável. Esta “tipologia” de autores e textos, reflectindo ademais posicionamentos e influências académicas e científicas, potencia uma caracterização hegemónica, apta a estabelecer, mesmo que de forma tácita e difusa, “regras de acesso” e “regimes de verdade” em torno do principio basilar desta disciplina, a Anarquia. |
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| Autores principais: | Santos, Rui Fernando Pires Henrique |
| Assunto: | Hegemonia Paradigma Anarquia Anarchy Teorias das Relações Internacionais Hegemony Paradigm Theories of International Relations |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | Esta tese visa interrogar o conceito-chave das Teorias sistémicas das Relações Internacionais, a Anarquia. Numa disciplina científica recente e eivada de ontologias e epistemologias díspares, a mencionada conceptualização anárquica tem-se sabido impor e resistir ao tempo e a várias investidas teóricas. Foi o Realismo Estrutural (ou neo-realismo) de Kenneth Waltz e o seu “Theory of International Politics” (1979) que permitiu trazer uma “determinada” configuração Anárquica para o âmago das Relações Internacionais. As sistematizações teóricas Realista, Liberal e Construtivista (nas suas múltiplas abordagens) partilham esta mesma assunção, baseada no pressuposto da inexistência de uma autoridade superior ao Estado. A Anarquia assume-se como uma necessidade conceptual paradigmática e “naturalizada”. Utilizando uma gama de ferramentas teóricas críticas – suportadas pela análise da Hegemonia Gramsciana e neo-gramsciana bem como na ligação da tríade conhecimento-poder-linguagem que existe em Foucault e na “escola” da Análise Crítica de Discurso – visamos argumentar que a Anarquia se estatuiu com formato de Hegemonia ideacional no edifício disciplinar das Relações Internacionais. Apresentamos para o efeito – como complemento ao enquadramento teórico – uma pesquisa quantitativa que valida a proeminência de autores e textos geograficamente “ocidentais”, epistemologicamente racionalistas, editados em língua inglesa e posteriores à marca do volume Waltziano (1979) que funciona como paradigma indispensável. Esta “tipologia” de autores e textos, reflectindo ademais posicionamentos e influências académicas e científicas, potencia uma caracterização hegemónica, apta a estabelecer, mesmo que de forma tácita e difusa, “regras de acesso” e “regimes de verdade” em torno do principio basilar desta disciplina, a Anarquia. |
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