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Parasitoses intestinais em crianças em idade escolar e seus agregados familiares: estudo de uma comunidade rural do Distrito de Lobata - São Tomé e Príncipe

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Resumo:Os parasitas intestinais, helmintas e protozoários, são a principal causa de morbilidade em crianças em todo mundo, em especial nos países em desenvolvimento, como é o caso de São Tomé e Príncipe (STP), apresentando-se de forma endémica em diversas áreas do país. Os parasitas intestinais possuem uma estreita relação com fatores sociodemográficos e ambientais, entre outros. Frequentemente, a população infantil é a mais atingida, resultando num deficiente desenvolvimento físico e cognitivo das crianças. Com este estudo pretendeu-se determinar a prevalência de parasitas intestinais em crianças dos 6 aos 12 anos de idade, a frequentar a escola básica de Santa Luzia, e seus agregados familiares no Distrito de Lobata – STP. Este estudo servirá para o enriquecimento de informação sobre a prevalência de parasitoses intestinais no Distrito de Lobata e a sua relação com as condições higiénicas e de saneamento, bem como para contribuir na elaboração de estratégias, que em conjunto com o governo de São-Tomé, ao nível do Ministério de Saúde, deveriam permitir um melhor controlo, prevenção e redução da prevalência de parasitas intestinais nesta comunidade e em todo o país. Foi efetuado um estudo observacional, descritivo, transversal cuja colheita de dados se realizou entre os meses de fevereiro e março de 2015 A amostra foi constituída por um total de 238 participantes, sendo 79 crianças em idade escolar e 159 elementos pertencentes aos seus agregados familiares. Foi realizada uma entrevista conduzida pelo investigador aos agregados familiares após obtenção de consentimento informado dos mesmos. Para o diagnóstico laboratorial das infeções por parasitas intestinais realizou-se a deteção microscópica. Para diferenciação entre E. histolytica e E. dispar. foram adicionalmente usados métodos imunoenzimáticos para pesquisa de antígenos (Teste Rápido de Diagnóstico, TRD) e métodos moleculares. A prevalência de parasitas intestinais patogénicos nos participantes em estudo foi de 87%, verificando-se que nas crianças em idade escolar dos 6 aos 12 anos, esta foi de 96,2%, enquanto nos agregados familiares foi 82,4%. Em ambos os grupos, verificou-se uma maior prevalência de helmintas comparativamente aos protozoários, sendo que os parasitas intestinais patogénicos mais frequentes foram, Trichuris trichiura (68,5%), Ascaris lumbricoides (60,5%), Giardia lamblia (26,5%), Ancilostomídeos (14,7%), Hymenolepis nana (8,4%). Observou-se que a co-infecção por helmintas e protozoários é a mais prevalente, tanto nas crianças como nos seus agregados familiares. Um dos TRD usados revelou-se inadequado na diferenciação entre E. histolytica e E. dispar. Parece-nos importante que as campanhas de desparasitação atualmente usadas sejam alargadas a todos os membros dos agregados familiares, sendo também necessária a sensibilização das entidades de saúde locais e das autoridades governamentais responsáveis para esta problemática. Assim, torna-se indispensável realçar o facto de que uma dose única de albendazol ou mebendazol administrados trimestralmente não serem suficientemente eficazes para o tratamento e controlo das parasitoses intestinais no país. Adicionalmente é necessário uma melhoria das condições sanitárias, educacionais e económicas.
Autores principais:SANTO, Sílvio Almeida do Espírito
Assunto:Parasitologia médica Parasitas intestinais Crianças São Tomé e Príncipe Protozoários Distrito de Lobata
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Os parasitas intestinais, helmintas e protozoários, são a principal causa de morbilidade em crianças em todo mundo, em especial nos países em desenvolvimento, como é o caso de São Tomé e Príncipe (STP), apresentando-se de forma endémica em diversas áreas do país. Os parasitas intestinais possuem uma estreita relação com fatores sociodemográficos e ambientais, entre outros. Frequentemente, a população infantil é a mais atingida, resultando num deficiente desenvolvimento físico e cognitivo das crianças. Com este estudo pretendeu-se determinar a prevalência de parasitas intestinais em crianças dos 6 aos 12 anos de idade, a frequentar a escola básica de Santa Luzia, e seus agregados familiares no Distrito de Lobata – STP. Este estudo servirá para o enriquecimento de informação sobre a prevalência de parasitoses intestinais no Distrito de Lobata e a sua relação com as condições higiénicas e de saneamento, bem como para contribuir na elaboração de estratégias, que em conjunto com o governo de São-Tomé, ao nível do Ministério de Saúde, deveriam permitir um melhor controlo, prevenção e redução da prevalência de parasitas intestinais nesta comunidade e em todo o país. Foi efetuado um estudo observacional, descritivo, transversal cuja colheita de dados se realizou entre os meses de fevereiro e março de 2015 A amostra foi constituída por um total de 238 participantes, sendo 79 crianças em idade escolar e 159 elementos pertencentes aos seus agregados familiares. Foi realizada uma entrevista conduzida pelo investigador aos agregados familiares após obtenção de consentimento informado dos mesmos. Para o diagnóstico laboratorial das infeções por parasitas intestinais realizou-se a deteção microscópica. Para diferenciação entre E. histolytica e E. dispar. foram adicionalmente usados métodos imunoenzimáticos para pesquisa de antígenos (Teste Rápido de Diagnóstico, TRD) e métodos moleculares. A prevalência de parasitas intestinais patogénicos nos participantes em estudo foi de 87%, verificando-se que nas crianças em idade escolar dos 6 aos 12 anos, esta foi de 96,2%, enquanto nos agregados familiares foi 82,4%. Em ambos os grupos, verificou-se uma maior prevalência de helmintas comparativamente aos protozoários, sendo que os parasitas intestinais patogénicos mais frequentes foram, Trichuris trichiura (68,5%), Ascaris lumbricoides (60,5%), Giardia lamblia (26,5%), Ancilostomídeos (14,7%), Hymenolepis nana (8,4%). Observou-se que a co-infecção por helmintas e protozoários é a mais prevalente, tanto nas crianças como nos seus agregados familiares. Um dos TRD usados revelou-se inadequado na diferenciação entre E. histolytica e E. dispar. Parece-nos importante que as campanhas de desparasitação atualmente usadas sejam alargadas a todos os membros dos agregados familiares, sendo também necessária a sensibilização das entidades de saúde locais e das autoridades governamentais responsáveis para esta problemática. Assim, torna-se indispensável realçar o facto de que uma dose única de albendazol ou mebendazol administrados trimestralmente não serem suficientemente eficazes para o tratamento e controlo das parasitoses intestinais no país. Adicionalmente é necessário uma melhoria das condições sanitárias, educacionais e económicas.