Publicação
Os cinco sentidos e o erotismo nos banquetes privados : Império Novo
| Resumo: | A iconografia funerária de alguns túmulos pertencentes à elite egípcia do Império Novo, nomeadamente os cinco túmulos tebanos nº 38 de Djeserkareseneb, nº 45 de Dehuti, nº 52 de Nakht, nº 90 de Nebamun e nº 100 de Rekhmire, serve de base à presente investigação, centrada na temática dos banquetes privados deste período cronológico, associando-os, especificamente, aos cinco sentidos humanos (a audição, o tacto, o olfacto, o paladar e a visão), vistos aqui como veículos condutores de uma mensagem erótica num contexto social e temporal particular. Partindo do conceito abrangente de “festa”, e observando as suas diversas variantes, inserimos estes acontecimentos num grupo festivo específico, as denominadas “festas privadas”, traçando-se, neste trabalho, um breve paralelo com a outra face da mesma moeda: as denominadas “festas públicas”. Seguidamente, contextualizamos os banquetes no seu ritual de preparação, abordando os passos que antecediam estes momentos lúdico-recreativos, nomeadamente as questões logísticas (recursos afectos à preparação do banquete, entre os quais destacamos a faiança utilizada e o mobiliário), passando, igualmente, pelo contexto físico em que se desenrolam e a estrutura social interveniente em todo este processo. Por último, iremos não só elaborar uma análise comparativa dos elementos existentes nestes eventos e criar, assim, uma relação de componentes comuns e transversais a este tipo de representações iconográficas, mas também realizar uma análise aprofundada dos banquetes privados, traçando um paralelo entre estes contextos festivos particulares e as suas componentes erotizantes, vistas numa vertente unicamente heterossexual. Neste domínio, focamo-nos nos cinco sentidos, associando cada elemento que caracteriza estes acontecimentos sociais a uma mensagem primordialmente sexual e erótica, mostrando que se, por um lado, não existe unanimidade quanto ao verdadeiro significado destas representações, estas imagens possuem, no entanto, traços comuns e característicos que permitem contextualizá-las sob uma perspectiva diferente: a erótica. O grosso desta investigação centrar-se-á, portanto, na análise aprofundada dos seguintes elementos e problematizações: o paladar, mais concretamente na utilização de elementos afrodisíacos ou inebriantes na alimentação egípcia, neste contexto festivo; a audição, que nos remete, mais concretamente, para a música e o canto; a visão, através do estudo da dança, da indumentária, dos adornos e, por fim, da cosmética; o olfacto, maioritariamente associado ao perfume e, por fim, o toque, aqui associado não só a gestos nos quais todo o corpo funcionava como instrumento transportador de energia de um ser para o outro, mas também aos rituais propiciadores de beleza. |
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| Autores principais: | Nascimento, Filipa Franco de Sousa |
| Assunto: | Banquetes privados Erotismo Sentidos Private banquets, Erotic Human senses |
| Ano: | 2008 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | A iconografia funerária de alguns túmulos pertencentes à elite egípcia do Império Novo, nomeadamente os cinco túmulos tebanos nº 38 de Djeserkareseneb, nº 45 de Dehuti, nº 52 de Nakht, nº 90 de Nebamun e nº 100 de Rekhmire, serve de base à presente investigação, centrada na temática dos banquetes privados deste período cronológico, associando-os, especificamente, aos cinco sentidos humanos (a audição, o tacto, o olfacto, o paladar e a visão), vistos aqui como veículos condutores de uma mensagem erótica num contexto social e temporal particular. Partindo do conceito abrangente de “festa”, e observando as suas diversas variantes, inserimos estes acontecimentos num grupo festivo específico, as denominadas “festas privadas”, traçando-se, neste trabalho, um breve paralelo com a outra face da mesma moeda: as denominadas “festas públicas”. Seguidamente, contextualizamos os banquetes no seu ritual de preparação, abordando os passos que antecediam estes momentos lúdico-recreativos, nomeadamente as questões logísticas (recursos afectos à preparação do banquete, entre os quais destacamos a faiança utilizada e o mobiliário), passando, igualmente, pelo contexto físico em que se desenrolam e a estrutura social interveniente em todo este processo. Por último, iremos não só elaborar uma análise comparativa dos elementos existentes nestes eventos e criar, assim, uma relação de componentes comuns e transversais a este tipo de representações iconográficas, mas também realizar uma análise aprofundada dos banquetes privados, traçando um paralelo entre estes contextos festivos particulares e as suas componentes erotizantes, vistas numa vertente unicamente heterossexual. Neste domínio, focamo-nos nos cinco sentidos, associando cada elemento que caracteriza estes acontecimentos sociais a uma mensagem primordialmente sexual e erótica, mostrando que se, por um lado, não existe unanimidade quanto ao verdadeiro significado destas representações, estas imagens possuem, no entanto, traços comuns e característicos que permitem contextualizá-las sob uma perspectiva diferente: a erótica. O grosso desta investigação centrar-se-á, portanto, na análise aprofundada dos seguintes elementos e problematizações: o paladar, mais concretamente na utilização de elementos afrodisíacos ou inebriantes na alimentação egípcia, neste contexto festivo; a audição, que nos remete, mais concretamente, para a música e o canto; a visão, através do estudo da dança, da indumentária, dos adornos e, por fim, da cosmética; o olfacto, maioritariamente associado ao perfume e, por fim, o toque, aqui associado não só a gestos nos quais todo o corpo funcionava como instrumento transportador de energia de um ser para o outro, mas também aos rituais propiciadores de beleza. |
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