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Processo-forma urbana: restruturação urbana e governança no Grande Maputo

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Resumo:É facto que a urbanização é um processo multi e inter dimensional, cujas dimensões constituem a sua causa e efeito. A urbanização é, portanto, um fenómeno intrínseco aos acontecimentos da modernidade. As mudanças economicas, as transformações demográficas e migrações, as mudanças climáticas e transformações no ambiente construido, as mudanças culturais, as mudanças na estrutura política, constituem eventos sem precedentes e que atentam a sustentabilidade da urbanização. Partimos do pressuposto que a urbanização é um processo e fenómeno ao mesmo tempo: como processo está relacionado com a racionalidade dos actores na sua acção dentro das diferentes dimensões acima referidas; como um fenómeno significa o movimento liderado por forças orgânicas de actuantes identificáveis. Na presente tese argumentamos que a urbanização sustentavel, mais do que um conceito bipolarizado, deve ser vista como um conceito-abordagem analítica e normativa composto por justaposição. Com este argumento demonstramos que a urbanização como processo está impregnada de muitas questões insustentáveis, enquando que a mesma como fenómeno é por si só sustentável. Esta assunção nos leva a concluir que a urbanização espontânea que está acontecendo em África tem um maior potencial de sustentabilidade do que a urbanização promovida pelas actuais políticas públicas. Argumentamos que o desafio das políticas públicas e da nova agenda de investigação no actual contexto de transição urbana em África, deve procurar compreender os processos multidimensionais e os fenómenos interdimensionais que ocorrem nas áreas urbanas - Assim, ver a cidade para além dos seus limites administrativos, isto é, a abordagem metropolitana, a articulação entre as forças globais e locais, devem continuar a constituir objectivo da investigação e da actuação das políticas públicas. Contudo, defendemos que é no aprofundamento e comprensão das identidades urbanas (as expressões orgânicas da urbanidade, as alternativas e estratégias adoptadas pelos agentes informais) que está a chave para uma metrópole africana sustentável e progressiva. A tese busca o seu fundamento no caso da cidade de Maputo no contexto da sua área alargada, que chamamos Território do Grande Maputo que, apesar de não estar instituído formalmente, tem a expressão funcional e espacial de uma área metropolitana.
Autores principais:Macucule, Domingos Augusto
Assunto:Urbanização Metropolização Restruturação Urbana Assentamentos Informais Governança urbana Sustentabilidade Área Metropolitana do Grande Maputo Metropolization Urban Restructuring Informal Settlements Urban Governance Sustainability Great Maputo Metropolitan Area
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:É facto que a urbanização é um processo multi e inter dimensional, cujas dimensões constituem a sua causa e efeito. A urbanização é, portanto, um fenómeno intrínseco aos acontecimentos da modernidade. As mudanças economicas, as transformações demográficas e migrações, as mudanças climáticas e transformações no ambiente construido, as mudanças culturais, as mudanças na estrutura política, constituem eventos sem precedentes e que atentam a sustentabilidade da urbanização. Partimos do pressuposto que a urbanização é um processo e fenómeno ao mesmo tempo: como processo está relacionado com a racionalidade dos actores na sua acção dentro das diferentes dimensões acima referidas; como um fenómeno significa o movimento liderado por forças orgânicas de actuantes identificáveis. Na presente tese argumentamos que a urbanização sustentavel, mais do que um conceito bipolarizado, deve ser vista como um conceito-abordagem analítica e normativa composto por justaposição. Com este argumento demonstramos que a urbanização como processo está impregnada de muitas questões insustentáveis, enquando que a mesma como fenómeno é por si só sustentável. Esta assunção nos leva a concluir que a urbanização espontânea que está acontecendo em África tem um maior potencial de sustentabilidade do que a urbanização promovida pelas actuais políticas públicas. Argumentamos que o desafio das políticas públicas e da nova agenda de investigação no actual contexto de transição urbana em África, deve procurar compreender os processos multidimensionais e os fenómenos interdimensionais que ocorrem nas áreas urbanas - Assim, ver a cidade para além dos seus limites administrativos, isto é, a abordagem metropolitana, a articulação entre as forças globais e locais, devem continuar a constituir objectivo da investigação e da actuação das políticas públicas. Contudo, defendemos que é no aprofundamento e comprensão das identidades urbanas (as expressões orgânicas da urbanidade, as alternativas e estratégias adoptadas pelos agentes informais) que está a chave para uma metrópole africana sustentável e progressiva. A tese busca o seu fundamento no caso da cidade de Maputo no contexto da sua área alargada, que chamamos Território do Grande Maputo que, apesar de não estar instituído formalmente, tem a expressão funcional e espacial de uma área metropolitana.