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Mulher no país de Maria Lamas - A questão sem nome na obra para além do amor

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Pretende-se no presente estudo analisar numa perspectiva de género a obra Para Além do Amor de Maria Lamas, publicada em Portugal em 1935, qualificando a personagem central Marta na possibilidade de anti-estereótipo das mulheres portuguesas do início do século XX. Tratar Maria Lamas é tratar a mulher portuguesa através de uma herança enriquecida de observação, conhecimento e de estudo sobre si e sobre o processo de evolução temporalmente continuado da Mulher – fruto do ser, do fazer e do querer femininos –, impulsionador e reflexo da luta intemporal pelos seus direitos. A centralidade desta Marta não bíblica de Maria Lamas remete o leitor para questões quotidianas da sobrevivência e da vivência da Mulher, em si e no colectivo social em que se integra, e para conceitos como os de Identidade e Felicidade. Anterior a Le deuxième sexe de Simone de Beauvoir (1949) e The Feminine Mystique de Betty Friedan (1963), a obra em estudo de Maria Lamas encontra no tom confessional da sua narradora o reconhecimento não nomeado de um sentir ausente de plenitude que, associado a uma insatisfação não justificada, absorve e consome em confidência também as mulheres portuguesas de uma massa socialmente bem considerada. O problema, conhecido como «a questão sem nome», é explorado a partir da desinserção de Marta do seu contexto costumado e da sua intromissão num cenário desalinhado de rotinas que lhe serve de estímulo a um questionamento pessoal. Através da protagonista, Maria Lamas expressa o colectivo feminino que não encontra no conforto e satisfação materiais e nas circunstâncias do casamento e da maternidade a realização que lhe afirmará a felicidade individual. Marta constituir-se-á assim instrumento vocalizado das interrogações femininas, não meramente na sua portugalidade e quiçá do seu status, mas de todas as mulheres que, no veneno da consciência ditosa de infelicidade do Modernismo, se afastam da imagem da ceifeira pessoana (feliz porque inconsciente) e se desconstroem no consumo, aparências e pareceres de uma sociedade ditada de regras e sistematizada em funções sociais estabelecidas na primeira metade do século XX português.
Autores principais:Inverno, Catarina Raquel Costa
Assunto:Mulher, Género Identidade Emoção Sentimento Razão Sociedade
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Pretende-se no presente estudo analisar numa perspectiva de género a obra Para Além do Amor de Maria Lamas, publicada em Portugal em 1935, qualificando a personagem central Marta na possibilidade de anti-estereótipo das mulheres portuguesas do início do século XX. Tratar Maria Lamas é tratar a mulher portuguesa através de uma herança enriquecida de observação, conhecimento e de estudo sobre si e sobre o processo de evolução temporalmente continuado da Mulher – fruto do ser, do fazer e do querer femininos –, impulsionador e reflexo da luta intemporal pelos seus direitos. A centralidade desta Marta não bíblica de Maria Lamas remete o leitor para questões quotidianas da sobrevivência e da vivência da Mulher, em si e no colectivo social em que se integra, e para conceitos como os de Identidade e Felicidade. Anterior a Le deuxième sexe de Simone de Beauvoir (1949) e The Feminine Mystique de Betty Friedan (1963), a obra em estudo de Maria Lamas encontra no tom confessional da sua narradora o reconhecimento não nomeado de um sentir ausente de plenitude que, associado a uma insatisfação não justificada, absorve e consome em confidência também as mulheres portuguesas de uma massa socialmente bem considerada. O problema, conhecido como «a questão sem nome», é explorado a partir da desinserção de Marta do seu contexto costumado e da sua intromissão num cenário desalinhado de rotinas que lhe serve de estímulo a um questionamento pessoal. Através da protagonista, Maria Lamas expressa o colectivo feminino que não encontra no conforto e satisfação materiais e nas circunstâncias do casamento e da maternidade a realização que lhe afirmará a felicidade individual. Marta constituir-se-á assim instrumento vocalizado das interrogações femininas, não meramente na sua portugalidade e quiçá do seu status, mas de todas as mulheres que, no veneno da consciência ditosa de infelicidade do Modernismo, se afastam da imagem da ceifeira pessoana (feliz porque inconsciente) e se desconstroem no consumo, aparências e pareceres de uma sociedade ditada de regras e sistematizada em funções sociais estabelecidas na primeira metade do século XX português.