Publicação
A fauna malacológica da albufeira do Alqueva: uma nova visão face às alterações climáticas
| Resumo: | Os moluscos de água doce têm um importante papel na dispersão das parasitoses por tremátodes, funcionando como hospedeiros intermediários dos parasitas. Dentro da classe Gastropoda, as famílias Physidae, Planorbidae e Lymnaeide têm importância em saúde humana e animal, pois algumas das espécies são hospedeiros intermediários de tremátodes digenéticos. A sua distribuição por toda a Europa tem sido bastante estudada. A albufeira do Alqueva é, atualmente, o maior lago artificial da Europa e, ao longo da sua vasta extensão, pode apresentar locais adequados a servir de habitat a moluscos que sejam hospedeiros intermediários de tremátodes digenéticos incluindo espécies causais de dermatites cercarianas em humanos. Esta albufeira faz parte da rota migratória de algumas espécies de aves, e é utilizada pela população para atividades de lazer e recreativas. Assim, torna-se pertinente investigar a existência de condições favoráveis à transmissão destas parasitoses, tal como se verifica em ecossistemas hidrológicos semelhantes noutras regiões da Europa. Neste trabalho foram analisados 18 locais ao longo da albufeira do Alqueva e colhidos 582 moluscos, dos quais 570 foram identificados como Physa acuta (syn. Physella acuta). Detetou-se eliminação de cercárias do tipo Furcocercus cercaria (≈ família Strigeidae), descritas como potenciais responsáveis pela ocorrência de dermatites cercarianas, apenas nos moluscos P. acuta colhidos no ancoradouro de Monsaraz, local bastante utilizado pela população. A caracterização bioecológica dos habitats sugeriu que a temperatura é o fator com maior influência na dispersão dos moluscos, bem como na infeção dos mesmos por tremátodes. Recorrendo aos Sistemas de Informação Geográfica (SIG) foi criado um mapa preditivo da presença de moluscos com base em variáveis (temperatura, pH, condutividade e oxigénio dissolvido na água) medidas nos diferentes locais e baseado no modelo de máxima entropia – MaxEnt. O modelo estimou haver uma maior probabilidade da existência de moluscos nas zonas periféricas da albufeira. A presença de aves residentes e migratórias no ancoradouro de Monsaraz, o único local onde se detetaram moluscos infetados com F. cercaria, poderá conduzir a uma dispersão do parasita para diferentes locais com presença de moluscos, e, portanto, potenciais focos de infeção. Os resultados obtidos reforçam a necessidade de um estudo mais aprofundado deste ecossistema de modo a identificar o risco de ocorrência destas parasitoses zoonóticas emergentes. |
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| Autores principais: | CONCHINHA, Bruno Filipe Medinas |
| Assunto: | Parasitologia médica Ciências biomédicas Dermatologia Parasitoses Albufeira do alqueva Dermatites cercarianas Portugal |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | Os moluscos de água doce têm um importante papel na dispersão das parasitoses por tremátodes, funcionando como hospedeiros intermediários dos parasitas. Dentro da classe Gastropoda, as famílias Physidae, Planorbidae e Lymnaeide têm importância em saúde humana e animal, pois algumas das espécies são hospedeiros intermediários de tremátodes digenéticos. A sua distribuição por toda a Europa tem sido bastante estudada. A albufeira do Alqueva é, atualmente, o maior lago artificial da Europa e, ao longo da sua vasta extensão, pode apresentar locais adequados a servir de habitat a moluscos que sejam hospedeiros intermediários de tremátodes digenéticos incluindo espécies causais de dermatites cercarianas em humanos. Esta albufeira faz parte da rota migratória de algumas espécies de aves, e é utilizada pela população para atividades de lazer e recreativas. Assim, torna-se pertinente investigar a existência de condições favoráveis à transmissão destas parasitoses, tal como se verifica em ecossistemas hidrológicos semelhantes noutras regiões da Europa. Neste trabalho foram analisados 18 locais ao longo da albufeira do Alqueva e colhidos 582 moluscos, dos quais 570 foram identificados como Physa acuta (syn. Physella acuta). Detetou-se eliminação de cercárias do tipo Furcocercus cercaria (≈ família Strigeidae), descritas como potenciais responsáveis pela ocorrência de dermatites cercarianas, apenas nos moluscos P. acuta colhidos no ancoradouro de Monsaraz, local bastante utilizado pela população. A caracterização bioecológica dos habitats sugeriu que a temperatura é o fator com maior influência na dispersão dos moluscos, bem como na infeção dos mesmos por tremátodes. Recorrendo aos Sistemas de Informação Geográfica (SIG) foi criado um mapa preditivo da presença de moluscos com base em variáveis (temperatura, pH, condutividade e oxigénio dissolvido na água) medidas nos diferentes locais e baseado no modelo de máxima entropia – MaxEnt. O modelo estimou haver uma maior probabilidade da existência de moluscos nas zonas periféricas da albufeira. A presença de aves residentes e migratórias no ancoradouro de Monsaraz, o único local onde se detetaram moluscos infetados com F. cercaria, poderá conduzir a uma dispersão do parasita para diferentes locais com presença de moluscos, e, portanto, potenciais focos de infeção. Os resultados obtidos reforçam a necessidade de um estudo mais aprofundado deste ecossistema de modo a identificar o risco de ocorrência destas parasitoses zoonóticas emergentes. |
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