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Enter the Dragon – Do Ciber Poder e da Securitização do Ciberespaço na Relação EUA – China

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Resumo:Este trabalho pretende examinar a teoria da securitização aplicada ao ciberespaço, a análise do ciber poder entre EUA e RPC e consequente evolução do processo securitário dos EUA face à China durante o período 2009-2021, referente às administrações Obama e Trump. Ao abordar a securitização do ciberespaço torna-se imperioso analisar as características e limitações do ciber poder e o seu impacto na relação dos atores em análise, visto evidenciarem as capacidades adversárias e dar corpo à narrativa de ameaça existencial. Caracterizado pela parca adesão às tradicionais lógicas do domínio físico, graças ao anonimato e fluidez das fronteiras inerentes ao ciberespaço, redundam num contexto internacional anárquico que dificulta as lógicas comuns de imputação e dissuasão. O ciber poder não se restringe ao setor militar, alberga diversas tipologias (compulsório, institucional, estrutural e produtivo), capaz de erodir aspetos da noção de soberania (doméstica, interdependência, soberania legal internacional, e “Westephaliana”). Pode redundar na balcanização do ciberespaço a favor da segurança nacional e constituir um multiplicador de forças, o que desafia a utilização do termo ciber guerra, por oposição a ciber contenda. Ao analisar o impacto do ciber poder na relação dos EUA e RPC é possível evidenciar dois períodos: pré-2010, de colaboração instável, e pós-2010, de crescente antagonismo. Períodos que evidenciam a difusão de poder e crescente número de atores não-estatais nesta dinâmica, nomeadamente a preponderância das denominadas Big Tech, GAFAM e BATX.1 O presente trabalho, denota visões contrastantes sobre o ciberespaço, nomeadamente, o multistakeholderism americano e a soberania digital chinesa, que expõe dimensões endógenas do ciber poder e a sua aplicação interna, exemplificadas pelas revelações de Snowden e a arquitetura securitária digital de Pequim. O ciber poder constitui uma nova arena para o confronto geopolítico e permite ações abaixo do limiar do uso da força que testam, quer as capacidades do adversário, quer a sua intenção para as utilizar. Seguidamente, exploro a securitização do ciberespaço pela administração Obama. Ao analisar a retórica securitária, através da metodologia de análise de discurso, complementada por análise documental, que demonstra o aumento de termos e iniciativas afetos a ciber segurança em documentação oficial. A aceitação da audiência, evidencia-se em sondagens, inquéritos e na capacidade de recolha de fundos orçamentais para ciber segurança. Este processo tem paralelo na administração Trump, que demonstra, com recurso a sondagens, inquéritos e estratégias nacionais, a evolução da narrativa securitária face à China, caraterizado por uma postura mais proativa. Apesar desta ameaça não se materializar, é evidente o apelo para adoção de medidas excecionais, a perceção de ameaça pelo ciberespaço e consequente evolução da mesma, face à China.
Autores principais:Mendes, Pedro Miguel Gil
Assunto:Ciber Poder Ciberespaço EUA RPC Securitização Cyber Power Estados Unidos da América República Popular da China Cyberspace USA PRC Securitization
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Este trabalho pretende examinar a teoria da securitização aplicada ao ciberespaço, a análise do ciber poder entre EUA e RPC e consequente evolução do processo securitário dos EUA face à China durante o período 2009-2021, referente às administrações Obama e Trump. Ao abordar a securitização do ciberespaço torna-se imperioso analisar as características e limitações do ciber poder e o seu impacto na relação dos atores em análise, visto evidenciarem as capacidades adversárias e dar corpo à narrativa de ameaça existencial. Caracterizado pela parca adesão às tradicionais lógicas do domínio físico, graças ao anonimato e fluidez das fronteiras inerentes ao ciberespaço, redundam num contexto internacional anárquico que dificulta as lógicas comuns de imputação e dissuasão. O ciber poder não se restringe ao setor militar, alberga diversas tipologias (compulsório, institucional, estrutural e produtivo), capaz de erodir aspetos da noção de soberania (doméstica, interdependência, soberania legal internacional, e “Westephaliana”). Pode redundar na balcanização do ciberespaço a favor da segurança nacional e constituir um multiplicador de forças, o que desafia a utilização do termo ciber guerra, por oposição a ciber contenda. Ao analisar o impacto do ciber poder na relação dos EUA e RPC é possível evidenciar dois períodos: pré-2010, de colaboração instável, e pós-2010, de crescente antagonismo. Períodos que evidenciam a difusão de poder e crescente número de atores não-estatais nesta dinâmica, nomeadamente a preponderância das denominadas Big Tech, GAFAM e BATX.1 O presente trabalho, denota visões contrastantes sobre o ciberespaço, nomeadamente, o multistakeholderism americano e a soberania digital chinesa, que expõe dimensões endógenas do ciber poder e a sua aplicação interna, exemplificadas pelas revelações de Snowden e a arquitetura securitária digital de Pequim. O ciber poder constitui uma nova arena para o confronto geopolítico e permite ações abaixo do limiar do uso da força que testam, quer as capacidades do adversário, quer a sua intenção para as utilizar. Seguidamente, exploro a securitização do ciberespaço pela administração Obama. Ao analisar a retórica securitária, através da metodologia de análise de discurso, complementada por análise documental, que demonstra o aumento de termos e iniciativas afetos a ciber segurança em documentação oficial. A aceitação da audiência, evidencia-se em sondagens, inquéritos e na capacidade de recolha de fundos orçamentais para ciber segurança. Este processo tem paralelo na administração Trump, que demonstra, com recurso a sondagens, inquéritos e estratégias nacionais, a evolução da narrativa securitária face à China, caraterizado por uma postura mais proativa. Apesar desta ameaça não se materializar, é evidente o apelo para adoção de medidas excecionais, a perceção de ameaça pelo ciberespaço e consequente evolução da mesma, face à China.