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Determinantes sociais na prevalência de catarata na população europeia com idade igual ou superior a 50 anos: um estudo transversal

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Resumo:RESUMO - Introdução: Atualmente, as cataratas são, ao nível mundial, a principal causa de cegueira, a segunda causa de baixa visão e a segunda maior responsável da carga da doença oftalmológica. Neste contexto, torna-se importante compreender e identificar os determinantes da prevalência da catarata, de forma a desenhar políticas efetivas para reduzir a carga epidemiológica e económica desta patologia. Neste sentido, o presente estudo teve como objetivo medir a associação entre o estatuto socioeconómico e a prevalência de catarata, em países europeus, e se esta relação é mediada pelos comportamentos de risco e fatores associados à doença. Metodologia: Foram utilizados os dados da sexta vaga do Survey of Health, Ageing and Retirement in Europe de 2015. O estudo englobou 65.056 indivíduos de 17 países europeus, com 50 ou mais anos. Foi aplicado um modelo de regressão logística para medir a associação entre as variáveis socioeconómicas (educação e pobreza subjetiva) e a prevalência de catarata. Posteriormente, realizou-se uma análise de mediação, através da aplicação de dois modelos de regressão logística para apurar se esta associação é explicada por comportamentos de risco (hábitos tabágicos, hábitos de consumo regular de álcool e sedentarismo) e fatores associados à catarata (diabetes, hipertensão arterial e obesidade). Resultados: Os resultados mostram que a probabilidade de desenvolver cataratas é 28,5% superior em indivíduos com educação primária (OR=1,285; p<0,001), em comparação com os indivíduos de educação terciária. Também é 40% superior em indivíduos que referem que o seu rendimento mensal chega ao final do mês “com muita dificuldade” (OR=1,396; p<0,001), em relação aos que referem chegar “com facilidade”. Na análise de mediação, e ao incluir as variáveis de estilos de vida, os OR das categorias “sem educação” e “com muita dificuldade” diminuíram. Ao incluir os fatores associados, o OR da categoria “com muita dificuldade” voltou a diminuir, e as categorias “sem educação” e “com alguma dificuldade” deixaram de ser estatisticamente significativas. Estes resultados demonstram que a associação entre estatutos socioeconómicos inferiores com o risco de ter catarata é explicada, em parte, pela maior prevalência dos comportamentos de risco (hábitos tabágicos e alcoólicos, e sedentarismo) e dos fatores associados (obesidade, hipertensão arterial e diabetes) nos grupos mais desfavorecidos. Conclusão: Estes resultados confirmam que a prevalência da catarata não se distribui de forma igual na população com 50 ou mais anos, sendo maior nas pessoas mais desfavorecidas. O papel dos fatores de risco na explicação desta relação indica a necessidade de implementar políticas que fomentem estilos de vida saudáveis particularmente focadas nas populações mais vulneráveis, no sentido de limitar as desigualdades sociais na prevalência de catarata.
Autores principais:Nunes, Tatiana Filipa Alves
Assunto:Catarata Estatuto socioeconómico Educação Pobreza subjetiva Desigualdades SHARE Cataract Socioeconomic status Education Subjective poverty Inequalities
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:RESUMO - Introdução: Atualmente, as cataratas são, ao nível mundial, a principal causa de cegueira, a segunda causa de baixa visão e a segunda maior responsável da carga da doença oftalmológica. Neste contexto, torna-se importante compreender e identificar os determinantes da prevalência da catarata, de forma a desenhar políticas efetivas para reduzir a carga epidemiológica e económica desta patologia. Neste sentido, o presente estudo teve como objetivo medir a associação entre o estatuto socioeconómico e a prevalência de catarata, em países europeus, e se esta relação é mediada pelos comportamentos de risco e fatores associados à doença. Metodologia: Foram utilizados os dados da sexta vaga do Survey of Health, Ageing and Retirement in Europe de 2015. O estudo englobou 65.056 indivíduos de 17 países europeus, com 50 ou mais anos. Foi aplicado um modelo de regressão logística para medir a associação entre as variáveis socioeconómicas (educação e pobreza subjetiva) e a prevalência de catarata. Posteriormente, realizou-se uma análise de mediação, através da aplicação de dois modelos de regressão logística para apurar se esta associação é explicada por comportamentos de risco (hábitos tabágicos, hábitos de consumo regular de álcool e sedentarismo) e fatores associados à catarata (diabetes, hipertensão arterial e obesidade). Resultados: Os resultados mostram que a probabilidade de desenvolver cataratas é 28,5% superior em indivíduos com educação primária (OR=1,285; p<0,001), em comparação com os indivíduos de educação terciária. Também é 40% superior em indivíduos que referem que o seu rendimento mensal chega ao final do mês “com muita dificuldade” (OR=1,396; p<0,001), em relação aos que referem chegar “com facilidade”. Na análise de mediação, e ao incluir as variáveis de estilos de vida, os OR das categorias “sem educação” e “com muita dificuldade” diminuíram. Ao incluir os fatores associados, o OR da categoria “com muita dificuldade” voltou a diminuir, e as categorias “sem educação” e “com alguma dificuldade” deixaram de ser estatisticamente significativas. Estes resultados demonstram que a associação entre estatutos socioeconómicos inferiores com o risco de ter catarata é explicada, em parte, pela maior prevalência dos comportamentos de risco (hábitos tabágicos e alcoólicos, e sedentarismo) e dos fatores associados (obesidade, hipertensão arterial e diabetes) nos grupos mais desfavorecidos. Conclusão: Estes resultados confirmam que a prevalência da catarata não se distribui de forma igual na população com 50 ou mais anos, sendo maior nas pessoas mais desfavorecidas. O papel dos fatores de risco na explicação desta relação indica a necessidade de implementar políticas que fomentem estilos de vida saudáveis particularmente focadas nas populações mais vulneráveis, no sentido de limitar as desigualdades sociais na prevalência de catarata.