Publicação
Doença crónica: intervenção do médico de família para limitar as repercussões na pessoa e na família
| Resumo: | RESUMO: Perante a doença crónica de um dos seus elementos, a família enfrenta dificuldades e é pressionada a mobilizar mecanismos que não pertencem ao seu repertório habitual. Durante o processo de adaptação a esta situação, as reações da pessoa doente e dos outros elementos da sua família influenciam-se mutuamente, num processo que pode tornar-se em si próprio um problema, induzindo novos riscos para os familiares e para a própria pessoa doente. Assim, a família não deve ser excluída do processo de prestação de cuidados. A presente dissertação foca-se no impacte da doença crónica na pessoa doente e na sua família, analisa fatores de contexto que o influenciam e identifica tipologias de intervenções médicas promotoras de respostas adaptativas à doença. Estruturada em sete partes, na primeira parte desta dissertação demonstra-se a importância das doenças crónicas, focando o seu peso no padrão de morbilidade vigente e o seu impacte nos custos com a saúde, diretos e indiretos, na organização dos cuidados de saúde, na família e na pessoa doente, sendo neste dois últimos níveis de impacte que se centra a presente dissertação. Na segunda parte, fazemos uma revisão sobre as definições em questão nesta dissertação e as teorias que a enquadram, designadamente a teoria geral dos sistemas e o modelo bioecológico de desenvolvimento de Bronfenbrenner. Na terceira parte, justificam-se a opções metodológicas desta dissertação. Inserida no paradigma interpretativo, é grounded e utiliza dados qualitativos e quantitativos, numa triangulação de métodos e de análise. Para apoiar a fundamentação das opções feitas, descrevemos o diálogo entre paradigmas alternativos, incluindo a definição dos respetivos conceitos e normativos. Dado a retórica não se circunscrever à investigação quantitativa versus investigação qualitativa, mas também acontecer entre as diversas correntes desta última, passamos em revisão os seus distintos momentos históricos, uma vez que perduram e coexistem nas investigações atuais, bem como os seus critérios de cientificidade, envoltos em diversas polémicas que se arrastam no tempo, com uso de multiplicidade terminológica para conceitos afins, a que procurámos dar clareza, identificando os termos com conceitos subjacentes equivalentes e sistematizando-os. No tipo de investigação desta dissertação, a complexidade é aumentada pela inclusão do contexto, pelo que este é estudado em dois estudos empíricos que consituem a sua quarta parte e que caraterizam: a freguesia Santo Condestável, constituída por três bairros heterogéneos, com uma população envelhecida, sobretudo no bairro Campo de Ourique, onde predominam as famílias unitárias, potenciando fenómenos de isolamento; a morbilidade na prática clínica da Unidade de Saúde Familiar Santo Condestável, verificando-se que a população inscrita na unidade de saúde aproxima-se da população da comunidade de influência e que os problemas de saúde codificados mais frequentes entre as pessoas inscritas não são, necessariamente, os que mais vezes são objeto de intervenção médica nas consultas. A quinta parte é constituída pelo estudo nuclear da dissertação, “Doença Crónica: Intervenção do Médico de Família para Limitar as suas Repercussões na Pessoa e na Família”, que pretende investigar como os processos sociais, psicológicos e biológicos interagem para produzir repercussões diferenciadas da doença crónica na pessoa doente e nos seus familiares, resultando em trajetórias distintas de doença; e dar visibilidade às intervenções médicas de promoção de uma adaptação salutar à doença crónica. O estudo foi orientado para a descoberta, pelo que não colocámos hipóteses prévias e não definimos, à partida, as questões que delimitam os seus âmbito e foco, por estas serem suscetíveis de reformulação com a evolução do estudo, resultante do aprofundamento da familiarização e da reflexão sobre os fenómenos em análise. O estudo identificou 19 repercussões possíveis da doença crónica e 26 fatores condicionantes da adaptação à doença crónica modificáveis por intervenções médicas, tendo estas sido sistematizadas em 15 tipologias. Analisou, ainda, os processos pelos quais as variáveis demográficas, assim como o tempo histórico, podem modular a expressividade dos fatores condicionantes da adaptação à doença crónica identificados, entrelaçando-se com eles. O estudo evidenciou que, para não adoecer também funcional e psicologicamente, a pessoa doente e sua família devem evitar entregar-se à doença, dando apenas o que a doença precisa, e ter flexibilidade para promover as mudanças adequadas às exigências da nova situação e da fase do ciclo de vida em que se encontra. Mostrou, ainda, que a adaptação da família à doença crónica depende do tipo e fase da doença, das caraterísticas do seu tratamento, bem como de vários outros fatores intrínsecos e extrínsecos da pessoa doente e da família, podendo assumir padrões disfuncionais. As intervenções médicas nos estudos de caso que integram o estudo nuclear remetem para a importância do médico de família detetar problemas e favorecer a adaptação funcional ao longo do tempo, produzindo mudança, não só do ponto de vista orgânico, mas também pessoal e relacional. Na sexta parte, discutem-se os resultados da dissertação nas suas implicações para a prática médica e ensino da Medicina. Apresentam-se, ainda, algumas hipóteses de trabalhos futuros sobre o tema. Por último, a sétima parte é constituída por um glossário de conceitos utilizados no texto da dissertação, mas que, por não serem centrais no foco do estudo, não foram definidos e discutidos na sua segunda parte. |
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| Autores principais: | Ventura, Maria Teresa Fernandes |
| Assunto: | Medicina geral e familiar Doença crónica Família Necessidades de Apoio Suporte social Chronic disease Family Needs Social Support |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | RESUMO: Perante a doença crónica de um dos seus elementos, a família enfrenta dificuldades e é pressionada a mobilizar mecanismos que não pertencem ao seu repertório habitual. Durante o processo de adaptação a esta situação, as reações da pessoa doente e dos outros elementos da sua família influenciam-se mutuamente, num processo que pode tornar-se em si próprio um problema, induzindo novos riscos para os familiares e para a própria pessoa doente. Assim, a família não deve ser excluída do processo de prestação de cuidados. A presente dissertação foca-se no impacte da doença crónica na pessoa doente e na sua família, analisa fatores de contexto que o influenciam e identifica tipologias de intervenções médicas promotoras de respostas adaptativas à doença. Estruturada em sete partes, na primeira parte desta dissertação demonstra-se a importância das doenças crónicas, focando o seu peso no padrão de morbilidade vigente e o seu impacte nos custos com a saúde, diretos e indiretos, na organização dos cuidados de saúde, na família e na pessoa doente, sendo neste dois últimos níveis de impacte que se centra a presente dissertação. Na segunda parte, fazemos uma revisão sobre as definições em questão nesta dissertação e as teorias que a enquadram, designadamente a teoria geral dos sistemas e o modelo bioecológico de desenvolvimento de Bronfenbrenner. Na terceira parte, justificam-se a opções metodológicas desta dissertação. Inserida no paradigma interpretativo, é grounded e utiliza dados qualitativos e quantitativos, numa triangulação de métodos e de análise. Para apoiar a fundamentação das opções feitas, descrevemos o diálogo entre paradigmas alternativos, incluindo a definição dos respetivos conceitos e normativos. Dado a retórica não se circunscrever à investigação quantitativa versus investigação qualitativa, mas também acontecer entre as diversas correntes desta última, passamos em revisão os seus distintos momentos históricos, uma vez que perduram e coexistem nas investigações atuais, bem como os seus critérios de cientificidade, envoltos em diversas polémicas que se arrastam no tempo, com uso de multiplicidade terminológica para conceitos afins, a que procurámos dar clareza, identificando os termos com conceitos subjacentes equivalentes e sistematizando-os. No tipo de investigação desta dissertação, a complexidade é aumentada pela inclusão do contexto, pelo que este é estudado em dois estudos empíricos que consituem a sua quarta parte e que caraterizam: a freguesia Santo Condestável, constituída por três bairros heterogéneos, com uma população envelhecida, sobretudo no bairro Campo de Ourique, onde predominam as famílias unitárias, potenciando fenómenos de isolamento; a morbilidade na prática clínica da Unidade de Saúde Familiar Santo Condestável, verificando-se que a população inscrita na unidade de saúde aproxima-se da população da comunidade de influência e que os problemas de saúde codificados mais frequentes entre as pessoas inscritas não são, necessariamente, os que mais vezes são objeto de intervenção médica nas consultas. A quinta parte é constituída pelo estudo nuclear da dissertação, “Doença Crónica: Intervenção do Médico de Família para Limitar as suas Repercussões na Pessoa e na Família”, que pretende investigar como os processos sociais, psicológicos e biológicos interagem para produzir repercussões diferenciadas da doença crónica na pessoa doente e nos seus familiares, resultando em trajetórias distintas de doença; e dar visibilidade às intervenções médicas de promoção de uma adaptação salutar à doença crónica. O estudo foi orientado para a descoberta, pelo que não colocámos hipóteses prévias e não definimos, à partida, as questões que delimitam os seus âmbito e foco, por estas serem suscetíveis de reformulação com a evolução do estudo, resultante do aprofundamento da familiarização e da reflexão sobre os fenómenos em análise. O estudo identificou 19 repercussões possíveis da doença crónica e 26 fatores condicionantes da adaptação à doença crónica modificáveis por intervenções médicas, tendo estas sido sistematizadas em 15 tipologias. Analisou, ainda, os processos pelos quais as variáveis demográficas, assim como o tempo histórico, podem modular a expressividade dos fatores condicionantes da adaptação à doença crónica identificados, entrelaçando-se com eles. O estudo evidenciou que, para não adoecer também funcional e psicologicamente, a pessoa doente e sua família devem evitar entregar-se à doença, dando apenas o que a doença precisa, e ter flexibilidade para promover as mudanças adequadas às exigências da nova situação e da fase do ciclo de vida em que se encontra. Mostrou, ainda, que a adaptação da família à doença crónica depende do tipo e fase da doença, das caraterísticas do seu tratamento, bem como de vários outros fatores intrínsecos e extrínsecos da pessoa doente e da família, podendo assumir padrões disfuncionais. As intervenções médicas nos estudos de caso que integram o estudo nuclear remetem para a importância do médico de família detetar problemas e favorecer a adaptação funcional ao longo do tempo, produzindo mudança, não só do ponto de vista orgânico, mas também pessoal e relacional. Na sexta parte, discutem-se os resultados da dissertação nas suas implicações para a prática médica e ensino da Medicina. Apresentam-se, ainda, algumas hipóteses de trabalhos futuros sobre o tema. Por último, a sétima parte é constituída por um glossário de conceitos utilizados no texto da dissertação, mas que, por não serem centrais no foco do estudo, não foram definidos e discutidos na sua segunda parte. |
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