Publicação
A Mobilização das Mulheres Portuguesas durante a Grande Guerra (1914-1918)
| Resumo: | A mobilização das mulheres portuguesas para a assistência aos combatentes, embora se tenha iniciado após a eclosão do conflito pela mão das feministas republicanas, ganhou contornos nacionais com a declaração de guerra da Alemanha a Portugal. A beligerância portuguesa motivou também a organização das monárquicas e católicas, ampliou os campos de acção das republicanas e desencadeou um movimento patriótico que se expandiu às colónias africanas e ao Brasil. Monárquicas e republicanas fundaram associações patrióticas e humanitárias para apoiar os soldados, acudir às famílias carenciadas, proteger os órfãos, criar escolas profissionais, formar enfermeiras e instalar hospitais para socorrer os feridos e mutilados. As portuguesas, à semelhanças das mulheres de outros países beligerantes, colocaram-se ao serviço da Pátria e desenvolveram uma acção socialmente útil, assumindo responsabilidades que cabiam ao Estado. A cooperação das mulheres no esforço de guerra, embora moldada por diferentes discursos e crenças, visou também a conquista de mais autonomia e liberdade de acção na esfera pública e um maior reconhecimento das suas capacidades e do valor do seu trabalho. As obras sociais e educativas criadas por iniciativa feminina faziam parte de um projecto inovador e de um compromisso partilhado e integrado no processo de democratização e modernização do país. Este estudo visa conhecer as formas de organização das mulheres, as estratégias, os meios de acção e o alcance das obras e redes de intervenção social, e analisar as relações do poder político com as associações femininas. O conhecimento sobre as experiências de guerra femininas e o seu impacto nos processos identitários e relações de género, poderá contribuir para iluminar a questão há muito debatida pela historiografia: se a guerra foi apenas um momento de excepção, um tempo intermédio de possibilidades ou um marco importante no processo de afirmação, autonomia e emancipação das mulheres, com reflexos nos direitos de cidadania. |
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| Autores principais: | Monteiro, Natividade da Conceição André |
| Assunto: | História Mulheres Guerra Grande Guerra Mobilização das mulheres Associações femininas Intervenção social Assistência às vítimas da guerra |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | A mobilização das mulheres portuguesas para a assistência aos combatentes, embora se tenha iniciado após a eclosão do conflito pela mão das feministas republicanas, ganhou contornos nacionais com a declaração de guerra da Alemanha a Portugal. A beligerância portuguesa motivou também a organização das monárquicas e católicas, ampliou os campos de acção das republicanas e desencadeou um movimento patriótico que se expandiu às colónias africanas e ao Brasil. Monárquicas e republicanas fundaram associações patrióticas e humanitárias para apoiar os soldados, acudir às famílias carenciadas, proteger os órfãos, criar escolas profissionais, formar enfermeiras e instalar hospitais para socorrer os feridos e mutilados. As portuguesas, à semelhanças das mulheres de outros países beligerantes, colocaram-se ao serviço da Pátria e desenvolveram uma acção socialmente útil, assumindo responsabilidades que cabiam ao Estado. A cooperação das mulheres no esforço de guerra, embora moldada por diferentes discursos e crenças, visou também a conquista de mais autonomia e liberdade de acção na esfera pública e um maior reconhecimento das suas capacidades e do valor do seu trabalho. As obras sociais e educativas criadas por iniciativa feminina faziam parte de um projecto inovador e de um compromisso partilhado e integrado no processo de democratização e modernização do país. Este estudo visa conhecer as formas de organização das mulheres, as estratégias, os meios de acção e o alcance das obras e redes de intervenção social, e analisar as relações do poder político com as associações femininas. O conhecimento sobre as experiências de guerra femininas e o seu impacto nos processos identitários e relações de género, poderá contribuir para iluminar a questão há muito debatida pela historiografia: se a guerra foi apenas um momento de excepção, um tempo intermédio de possibilidades ou um marco importante no processo de afirmação, autonomia e emancipação das mulheres, com reflexos nos direitos de cidadania. |
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