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Aedes (Stegomyia) aegypti (Diptera, Culicidae) da ilha da Madeira: origem geográfica e resistência aos insecticidas

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Resumo:Aedes (Stegomyia) aegypti (Linnaeus, 1762) é o principal vector da febre amarela e da dengue assim como um agente de incomodidade. Esta espécie invasora está actualmente presente na ilha da Madeira (Portugal). Foi detectada pela primeira vez em Outubro de 2005, mas a origem geográfica da população de mosquitos é desconhecida. Apesar das medidas de controlo vectorial implementadas na região, Ae. aegypti continua a expandir-se. Isto pode ser devido à presença de resistência aos insecticidas aplicados no controlo vectorial desta espécie. Assim, os objectivos deste estudo foram: (i) avaliar o nível de sensibilidade da população de Ae. aegypti aos insecticidas; (ii) caracterizar possíveis mecanismos de resistência envolvidos e; (iii) estabelecer a sua origem geográfica através do uso de marcadores de ADN mitocondrial (COI e ND4). De acordo com os resultados dos bioensaios da OMS, Ae. aegypti da ilha da Madeira apresenta alta susceptibilidade ao malatião, com taxas de mortalidade das fêmeas expostas de 99.0%. No entanto, a população mostrou um alto nível de resistência ao DDT e permetrina, com valores de mortalidade de 29.4% e 33.3%, respectivamente. Observou-se também uma marcada resistência à deltametrina, com uma taxa de mortalidade de 65.2%. Os ensaios de garrafa do CDC com alfa-cipermetrina e ciflutrina mostraram uma alta susceptibilidade de Ae. aegypti a estes insecticidas, com taxas de mortalidade de 100%. A sequenciação do gene do canal de sódio de Ae. aegypti, local alvo dos piretróides e DDT, revelou a presença de apenas uma mutação associada à resistência, V1016I (mutação kdr). A baixa frequência alélica (6%) desta mutação sugere que outros mecanismos podem estar presentes na resistência a estes insecticidas. Ambos os genes COI e ND4 apresentaram níveis baixos de variabilidade genética consistente com a recente introdução de Ae. aegypti na ilha. Observou-se dois haplótipos mitocondriais. A rede de haplótipos de ambos os genes sugere dois cenários para o estabelecimento de Ae. aegypti na região: i) ocorreram pelo menos duas introduções independentes correspondendo a cada haplótipo; ii) o estabelecimento de ambos os haplótipos ocorreu simultaneamente, no mesmo evento de colonização. Baseado na distribuição geográfica dos haplótipos e da mutação kdr observada na ilha, assim como a população humana migrante da Madeira, o Brasil e a Venezuela são os locais mais prováveis de origem da população de Ae. aegypti local. A frequência dos alelos kdr e análise filogeográfica suportam a hipótese de que a resistência a insecticidas detectada na população da ilha da Madeira já existia na população de Ae. aegypti que colonizou a região.
Autores principais:SEIXAS, Gonçalo Filipe Rocha
Assunto:Aedes aegypti Resistência a insecticidas Marcadores mitocondriais Origem geográfica Parasitologia médica Vectores Marcadores mitocondriais Madeira
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Aedes (Stegomyia) aegypti (Linnaeus, 1762) é o principal vector da febre amarela e da dengue assim como um agente de incomodidade. Esta espécie invasora está actualmente presente na ilha da Madeira (Portugal). Foi detectada pela primeira vez em Outubro de 2005, mas a origem geográfica da população de mosquitos é desconhecida. Apesar das medidas de controlo vectorial implementadas na região, Ae. aegypti continua a expandir-se. Isto pode ser devido à presença de resistência aos insecticidas aplicados no controlo vectorial desta espécie. Assim, os objectivos deste estudo foram: (i) avaliar o nível de sensibilidade da população de Ae. aegypti aos insecticidas; (ii) caracterizar possíveis mecanismos de resistência envolvidos e; (iii) estabelecer a sua origem geográfica através do uso de marcadores de ADN mitocondrial (COI e ND4). De acordo com os resultados dos bioensaios da OMS, Ae. aegypti da ilha da Madeira apresenta alta susceptibilidade ao malatião, com taxas de mortalidade das fêmeas expostas de 99.0%. No entanto, a população mostrou um alto nível de resistência ao DDT e permetrina, com valores de mortalidade de 29.4% e 33.3%, respectivamente. Observou-se também uma marcada resistência à deltametrina, com uma taxa de mortalidade de 65.2%. Os ensaios de garrafa do CDC com alfa-cipermetrina e ciflutrina mostraram uma alta susceptibilidade de Ae. aegypti a estes insecticidas, com taxas de mortalidade de 100%. A sequenciação do gene do canal de sódio de Ae. aegypti, local alvo dos piretróides e DDT, revelou a presença de apenas uma mutação associada à resistência, V1016I (mutação kdr). A baixa frequência alélica (6%) desta mutação sugere que outros mecanismos podem estar presentes na resistência a estes insecticidas. Ambos os genes COI e ND4 apresentaram níveis baixos de variabilidade genética consistente com a recente introdução de Ae. aegypti na ilha. Observou-se dois haplótipos mitocondriais. A rede de haplótipos de ambos os genes sugere dois cenários para o estabelecimento de Ae. aegypti na região: i) ocorreram pelo menos duas introduções independentes correspondendo a cada haplótipo; ii) o estabelecimento de ambos os haplótipos ocorreu simultaneamente, no mesmo evento de colonização. Baseado na distribuição geográfica dos haplótipos e da mutação kdr observada na ilha, assim como a população humana migrante da Madeira, o Brasil e a Venezuela são os locais mais prováveis de origem da população de Ae. aegypti local. A frequência dos alelos kdr e análise filogeográfica suportam a hipótese de que a resistência a insecticidas detectada na população da ilha da Madeira já existia na população de Ae. aegypti que colonizou a região.