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Homossexualidade, lesbianismo e resistência nas ditaduras ibéricas do século XX: estudos de caso em comparação

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Resumo:Este trabalho de investigação parte da necessidade de resgatar as memórias de homossexuais e lésbicas nas ditaduras ibéricas fascistas, colocando-as em comparação. A questão principal incide na compreensão do quotidiano de pessoas comuns cuja orientação sexual se considera um desvio em relação aos padrões normativos da época. Além de entender de que forma são oprimidas, e sabendo que onde existe repressão também existe resistência, pretende-se igualmente compreender quais as formas de resistência desenvolvidas por estas pessoas para conseguirem viver a sua sexualidade, observada nos dois contextos enquanto crime e doença. Ao mesmo tempo, e ao considerar o peso que os papéis de género têm ao longos das ditaduras (mas também antes e depois) é objetivo compreender as diferenças formas de opressão a homossexuais e lésbicas e, por causa disso, as suas diferentes formas de resistir. Nesta investigação aborda-se a visão que os dois Estados ditatoriais têm das sexualidades dissidentes, a forma como apresentam tratamentos diferentes consoante a classe social e o género de cada pessoa. Através de uma etnografia de arquivo e de uma etnografia retrospetiva, analisam-se os vários tipos de opressão praticados durante este período: o controlo social formal (portanto, a repressão estatal, legal e policial), e o controlo social informal (a opressão social e familiar, ligada à moralidade católica, e que, muitas vezes, leva à autorrepressão). Ao mesmo tempo, resgatam-se várias formas de resistência quotidiana, como a ocultação, a dissimulação ou a ignorância fingida (que contêm igualmente diversas ramificações), e que apresentam diferenças assinaláveis ao nível do género. A existência de diferenças na forma de reprimir as sexualidades dissidentes nos dois Estados permite mostrar que, apesar de serem ditaduras fascistas que surgem de forma cronologicamente próxima e com complexos ideológicos semelhantes, existem especificidades relativas a ambos os contextos (e mesmo dentro dos próprios Estados, com especificidades territoriais) que alteram a forma como estes observam (e oprimem) as sexualidades fora da norma. Nesse sentido, a análise aqui realizada permite mostrar que não é apenas por existir uma partilha ideológica que a forma de fazer é exatamente igual, e contribui, ao mesmo tempo, para reforçar a necessidade de continuar a resgatar a memória das sexualidades dissidentes (na Europa e no mundo, em ditaduras ou democracias).
Autores principais:Louro, Raquel Afonso
Assunto:Homossexualidade Lesbianismo Ditadura Sexualidades dissidentes Memória Resistência Estado Novo Franquismo Dissident sexualities Resistance Memory
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Este trabalho de investigação parte da necessidade de resgatar as memórias de homossexuais e lésbicas nas ditaduras ibéricas fascistas, colocando-as em comparação. A questão principal incide na compreensão do quotidiano de pessoas comuns cuja orientação sexual se considera um desvio em relação aos padrões normativos da época. Além de entender de que forma são oprimidas, e sabendo que onde existe repressão também existe resistência, pretende-se igualmente compreender quais as formas de resistência desenvolvidas por estas pessoas para conseguirem viver a sua sexualidade, observada nos dois contextos enquanto crime e doença. Ao mesmo tempo, e ao considerar o peso que os papéis de género têm ao longos das ditaduras (mas também antes e depois) é objetivo compreender as diferenças formas de opressão a homossexuais e lésbicas e, por causa disso, as suas diferentes formas de resistir. Nesta investigação aborda-se a visão que os dois Estados ditatoriais têm das sexualidades dissidentes, a forma como apresentam tratamentos diferentes consoante a classe social e o género de cada pessoa. Através de uma etnografia de arquivo e de uma etnografia retrospetiva, analisam-se os vários tipos de opressão praticados durante este período: o controlo social formal (portanto, a repressão estatal, legal e policial), e o controlo social informal (a opressão social e familiar, ligada à moralidade católica, e que, muitas vezes, leva à autorrepressão). Ao mesmo tempo, resgatam-se várias formas de resistência quotidiana, como a ocultação, a dissimulação ou a ignorância fingida (que contêm igualmente diversas ramificações), e que apresentam diferenças assinaláveis ao nível do género. A existência de diferenças na forma de reprimir as sexualidades dissidentes nos dois Estados permite mostrar que, apesar de serem ditaduras fascistas que surgem de forma cronologicamente próxima e com complexos ideológicos semelhantes, existem especificidades relativas a ambos os contextos (e mesmo dentro dos próprios Estados, com especificidades territoriais) que alteram a forma como estes observam (e oprimem) as sexualidades fora da norma. Nesse sentido, a análise aqui realizada permite mostrar que não é apenas por existir uma partilha ideológica que a forma de fazer é exatamente igual, e contribui, ao mesmo tempo, para reforçar a necessidade de continuar a resgatar a memória das sexualidades dissidentes (na Europa e no mundo, em ditaduras ou democracias).