Publicação
Abordagens e desafios para o controlo da malária em Moçambique
| Resumo: | Introdução: A malária é um dos principais problemas de saúde pública em Moçambique e, apesar de todos os esforços que têm sido efetuados para o seu controlo, a sua prevalência e mortalidade permanecem elevadas. Este trabalho teve como objetivo avaliar fatores relacionados com a elevada prevalência e mortalidade por malária em diferentes zonas de transmissão, em Moçambique. Para tal foram realizados três estudos: 1- Comportamento de procura de cuidados de saúde e práticas de tratamento de malária em crianças menores de cinco anos em Moçambique; 2- Fatores de risco associados a letalidade intra-hospitalar por malária em três unidades sanitárias de uma região de alta incidência de malária, no centro de Moçambique; 3- Padrões de idade de crianças com malária complicada, numa área de baixa transmissão em Moçambique. Métodos: 1- Estudo quantitativo e observacional. Análise secundária de dados do Inquérito Demográfico e de Saúde 2011 e do Inquérito de Indicadores de Imunização, HIV/SIDA e Malária 2015; 2- Estudo descritivo e retrospetivo, com base na análise dos processos clínicos de doentes hospitalizados com o diagnóstico de malária em três unidades sanitárias da província da Zambézia; 3- Estudo observacional e transversal, com base na avaliação de doentes dos dois aos 14 anos, internados por malária complicada no Hospital Central de Maputo. Resultados: 1– A procura de cuidados de saúde foi de 62.6% (835/1432) em 2011 e 63.7% (974/1529) em 2015 e maioritariamente em unidades sanitárias públicas (86.2%; 773/897 em 2011 e 86.7%; 844/974 em 2015). Foi também maior em mães com nível de escolaridade secundário (AOR=2.27 [95% CI 1.15–4.49]) e no quintil de riqueza baixo, em relação ao mais baixo (AOR=1.46 [95% CI 0.83–1.90]). 2- Houve 75 mortes em 893 casos (taxa de letalidade: 8,4%). A letalidade foi associada à presença de complicações (p=0.000), gravidade da doença (p=0.001), idade igual ou superior a 30 anos (p=0.000), preenchimento inadequado da ficha clínica do doente (p=0.013) e atendimento em unidade sanitária de nível primário (p=0.000). 3- Foram incluídas no estudo 50 crianças, das quais 27 (54.0%) eram menores de cinco anos. O sintoma mais comum foi a febre (49/50; 98%), seguida de vómitos (28/50; 56%) e cefaleias (23/50; 46%). Embora os vómitos e as cefaleias tenham sido mais frequentes entre crianças dos cinco aos 14 anos, não se verificou nenhuma relação entre a idade e a apresentação destes sintomas (p=0.577 e p=0.570, respetivamente). A frequência de parasitémia elevada foi igual entre os grupos (11/27; 40.7% dos dois aos quatro anos e 9/23; 39.1% dos cinco aos 14 anos). Conclusões: Há necessidade de se reforçar as estratégias de comunicação para mudança social e de comportamento para aumentar a procura de cuidados de saúde para febre, para reduzir o risco de doença grave e morte. Para reduzir tais mortes é necessário também que haja uma melhoria nos serviços prestados, especialmente em unidades sanitárias de nível primário. É necessário desenvolver estratégias de vigilância para deteção das mudanças epidemiológicas para que se possa intervir de forma adequada nos diferentes contextos de transmissão. |
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| Autores principais: | CASSY, Dalila Annette Rodrigues |
| Assunto: | Medicina tropical Doenças tropicais Malária Mortalidade Controlo Estratégias Moçambique |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | Introdução: A malária é um dos principais problemas de saúde pública em Moçambique e, apesar de todos os esforços que têm sido efetuados para o seu controlo, a sua prevalência e mortalidade permanecem elevadas. Este trabalho teve como objetivo avaliar fatores relacionados com a elevada prevalência e mortalidade por malária em diferentes zonas de transmissão, em Moçambique. Para tal foram realizados três estudos: 1- Comportamento de procura de cuidados de saúde e práticas de tratamento de malária em crianças menores de cinco anos em Moçambique; 2- Fatores de risco associados a letalidade intra-hospitalar por malária em três unidades sanitárias de uma região de alta incidência de malária, no centro de Moçambique; 3- Padrões de idade de crianças com malária complicada, numa área de baixa transmissão em Moçambique. Métodos: 1- Estudo quantitativo e observacional. Análise secundária de dados do Inquérito Demográfico e de Saúde 2011 e do Inquérito de Indicadores de Imunização, HIV/SIDA e Malária 2015; 2- Estudo descritivo e retrospetivo, com base na análise dos processos clínicos de doentes hospitalizados com o diagnóstico de malária em três unidades sanitárias da província da Zambézia; 3- Estudo observacional e transversal, com base na avaliação de doentes dos dois aos 14 anos, internados por malária complicada no Hospital Central de Maputo. Resultados: 1– A procura de cuidados de saúde foi de 62.6% (835/1432) em 2011 e 63.7% (974/1529) em 2015 e maioritariamente em unidades sanitárias públicas (86.2%; 773/897 em 2011 e 86.7%; 844/974 em 2015). Foi também maior em mães com nível de escolaridade secundário (AOR=2.27 [95% CI 1.15–4.49]) e no quintil de riqueza baixo, em relação ao mais baixo (AOR=1.46 [95% CI 0.83–1.90]). 2- Houve 75 mortes em 893 casos (taxa de letalidade: 8,4%). A letalidade foi associada à presença de complicações (p=0.000), gravidade da doença (p=0.001), idade igual ou superior a 30 anos (p=0.000), preenchimento inadequado da ficha clínica do doente (p=0.013) e atendimento em unidade sanitária de nível primário (p=0.000). 3- Foram incluídas no estudo 50 crianças, das quais 27 (54.0%) eram menores de cinco anos. O sintoma mais comum foi a febre (49/50; 98%), seguida de vómitos (28/50; 56%) e cefaleias (23/50; 46%). Embora os vómitos e as cefaleias tenham sido mais frequentes entre crianças dos cinco aos 14 anos, não se verificou nenhuma relação entre a idade e a apresentação destes sintomas (p=0.577 e p=0.570, respetivamente). A frequência de parasitémia elevada foi igual entre os grupos (11/27; 40.7% dos dois aos quatro anos e 9/23; 39.1% dos cinco aos 14 anos). Conclusões: Há necessidade de se reforçar as estratégias de comunicação para mudança social e de comportamento para aumentar a procura de cuidados de saúde para febre, para reduzir o risco de doença grave e morte. Para reduzir tais mortes é necessário também que haja uma melhoria nos serviços prestados, especialmente em unidades sanitárias de nível primário. É necessário desenvolver estratégias de vigilância para deteção das mudanças epidemiológicas para que se possa intervir de forma adequada nos diferentes contextos de transmissão. |
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