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Avaliação dos níveis séricos de 25- hidroxivitamina D em doentes portadores de artrite reumatóide e sua influência na atividade da doença

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A Artrite Reumatóide (AR) é uma doença que afeta cerca de 1% da população mundial, podendo ser grave e deformante, gerando incapacidade e perda de anos de vida produtiva nos doentes em que é diagnosticada. Ainda que já existam várias opções terapêuticas, alguns indivíduos não respondem às medicações disponíveis, o que mantém constante o interesse da comunidade científica em novas opções de tratamento para estes indivíduos. Vários estudos têm associado a vitamina D com a fisiopatologia das doenças autoimunes, inclusivamente com a AR, sugerindo que a deficiência dessa vitamina poderia estar implicada tanto na génese como no agravamento da atividade da doença. Os objetivos principais deste trabalho foram a) analisar os níveis séricos de vitamina D entre doentes com AR atendidos em Vitória da Conquista-Bahia e b) verificar se os níveis de vitamina D influenciam a atividade da AR, usando o DAS 28 como índice. Para este estudo foram selecionados 103 indivíduos portadores de AR de ambos os sexos e com idades compreendidas entre os 18 e os 80 anos, todos em controlo regular, com pelos menos 3 consultas no último ano e com dosagem de vitamina D registada na ficha clínica no período definido para a colheita dos dados. Após a análise estatística verificou-se que 41,7% dos doentes tinham níveis de vitamina D considerados deficientes ou insuficientes e foi encontrada uma correlação estatisticamente significativa entre o DAS28 e a dosagem de vitamina D (p=0,007). A vitamina D correlacionou-se duma forma inversamente proporcional com o DAS28 como índice de atividade de doença na AR, o que confirma os resultados descritos em vários estudos anteriores. Esta relação inversa sugere um papel imunomodulador desta vitamina, apesar da ausência de dados de intervenção a apoiar esta premissa. Para esta observação ter lugar seria necessário efetuar outros estudos, englobando doentes que vivem nesta latitude, numa população maior e num período mais prolongado, nos quais se avaliasse a evolução da atividade da AR perante o suplemento alimentar de vitamina D ou uma intervenção farmacológica com a mesma. Neste momento, a necessidade de determinação laboratorial ou o rastreio dos valores de vitamina D para todos os indivíduos com AR e o melhor método laboratorial a ser usado são ainda discutíveis. No entanto, poder-se-á especular se para os grupos de risco esta não seria uma medida que preveniria complicações futuras, em conjunto com as medidas de reforço e suplementação em doses adequadas a cada défice. Este estudo foi o primeiro a ser executado numa população do nordeste brasileiro com AR no que diz respeito à análise não só dos níveis de vitamina D, mas também da sua relação com a atividade da doença, medida pelo DAS28, pelo que os seus resultados contribuíram para se conhecer as especificidades desta população no que diz respeito aos parâmetros estudados.
Autores principais:FERREIRA, Flávia Aparecida
Assunto:Saúde tropical Doenças tropicais Artrite reumatóide Vitamina D DAS28
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:A Artrite Reumatóide (AR) é uma doença que afeta cerca de 1% da população mundial, podendo ser grave e deformante, gerando incapacidade e perda de anos de vida produtiva nos doentes em que é diagnosticada. Ainda que já existam várias opções terapêuticas, alguns indivíduos não respondem às medicações disponíveis, o que mantém constante o interesse da comunidade científica em novas opções de tratamento para estes indivíduos. Vários estudos têm associado a vitamina D com a fisiopatologia das doenças autoimunes, inclusivamente com a AR, sugerindo que a deficiência dessa vitamina poderia estar implicada tanto na génese como no agravamento da atividade da doença. Os objetivos principais deste trabalho foram a) analisar os níveis séricos de vitamina D entre doentes com AR atendidos em Vitória da Conquista-Bahia e b) verificar se os níveis de vitamina D influenciam a atividade da AR, usando o DAS 28 como índice. Para este estudo foram selecionados 103 indivíduos portadores de AR de ambos os sexos e com idades compreendidas entre os 18 e os 80 anos, todos em controlo regular, com pelos menos 3 consultas no último ano e com dosagem de vitamina D registada na ficha clínica no período definido para a colheita dos dados. Após a análise estatística verificou-se que 41,7% dos doentes tinham níveis de vitamina D considerados deficientes ou insuficientes e foi encontrada uma correlação estatisticamente significativa entre o DAS28 e a dosagem de vitamina D (p=0,007). A vitamina D correlacionou-se duma forma inversamente proporcional com o DAS28 como índice de atividade de doença na AR, o que confirma os resultados descritos em vários estudos anteriores. Esta relação inversa sugere um papel imunomodulador desta vitamina, apesar da ausência de dados de intervenção a apoiar esta premissa. Para esta observação ter lugar seria necessário efetuar outros estudos, englobando doentes que vivem nesta latitude, numa população maior e num período mais prolongado, nos quais se avaliasse a evolução da atividade da AR perante o suplemento alimentar de vitamina D ou uma intervenção farmacológica com a mesma. Neste momento, a necessidade de determinação laboratorial ou o rastreio dos valores de vitamina D para todos os indivíduos com AR e o melhor método laboratorial a ser usado são ainda discutíveis. No entanto, poder-se-á especular se para os grupos de risco esta não seria uma medida que preveniria complicações futuras, em conjunto com as medidas de reforço e suplementação em doses adequadas a cada défice. Este estudo foi o primeiro a ser executado numa população do nordeste brasileiro com AR no que diz respeito à análise não só dos níveis de vitamina D, mas também da sua relação com a atividade da doença, medida pelo DAS28, pelo que os seus resultados contribuíram para se conhecer as especificidades desta população no que diz respeito aos parâmetros estudados.