Publicação
O GIF Animado como facilitador das narrativas visuais do jornalismo digital e da cultura participativa
| Resumo: | A ubiquidade do GIF animado no vocabulário da comunicação digital originou práticas de criação, partilha e consumo de conteúdos que espelham a essência do mundo virtual. O GIF animado oferece ao jornalismo a versatilidade de uma fotografia ou de um vídeo na ilustração da notícia, mas existe a expectativa, entre jornalistas e criadores de conteúdo para os novos média, de que possa oferecer mais, inclusive num contexto de jornalismo cívico e de cultura participativa. Esta investigação experimenta a integração das narrativas GIF na linguagem jornalística, procurando contribuir para um modelo de inovação capaz de enfrentar as disrupçõestecnológicas, sociais e políticas que nas últimas décadas contribuíram para enfraquecer o seu papel de gatekeeper (Newman, 2020). Este cenário é manifestamente visível junto das audiências mais jovens onde a fragmentação da atenção e a desconfiança sobre as instituições desgastaram a relação com as notícias tradicionais (Nielsen, 2022). Avaliámos o GIF animado como ferramenta de criação e divulgação de conteúdo capaz de integrar os propósitos do jornalismo cívico quer na acomodação formal de conteúdo informativo quer na capacidade de atrair audiências mais jovens. Explorámos o formato como texto visual autónomo - capaz de servir de corpo à notícia e potenciar-se como género jornalístico apto para competir com o storytelling digital viral - propondo uma nova tipologia de GIFs Notícia e apresentando dados sobre a reação das audiências a essa tipologia, recolhidos junto de uma amostra de estudantes universitários nacionais (N=87) num contexto de experiência de visualização aplicado às temáticas da Conservação do Planeta e da sua Biodiversidade e da Política Nacional e Internacional. Descobrimos que o uso do GIF Notícia sobre Conservação cria maior interesse e intenção de partilha sobre o tema do que o GIF Notícia sobre Política e que os géneros tradicionais, como o género Reação e Humor, ou o género popularizado pela infografia como visualização de Dados, são os que apresentam melhor desempenho. A amostra revelou abertura e interesse para novos géneros aplicados à informação como o Imersivo ou o Storie (da plataforma Giphy) e menos aceitação para os géneros que exploram a repetição simples, sincopada e manipulada, afastada da linearidade da linguagem do vídeo (como o GIF 4NewsWall experimentado pelo Channel4 britânico), ou os géneros que reproduzem de forma simplificada as fórmulas narrativas tradicionais (como o GIF Reportagem). A associação do GIF ao humor e à estética como objeto-arte que oferece o prazer da visualização, revelaram-se essenciais para o seu bom desempenho como suporte de conteúdo noticioso, no entanto confirmamos um cenário de hesitação na sua adoção por parte do jornalismo. Se para alguns jornalistas e audiências o GIF animado é ainda encarado com cautela e desconfiança, apontado como um possível agente de descrédito do jornalismo tradicional, para outros ele é apontado como um conveniente elo de ligação entre a marca de informação e as esferas públicas digitais onde as novas audiências circulam. |
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| Autores principais: | Duarte, Maria Assunção Gonçalves |
| Assunto: | Visual stories Social justice Journalism GIF animado Jornalismo digital Cívico Conservação ambiental Nativos digitais Comunicação política Animated GIF Journalism Digital Civic Environment Conservation Digital natives Politics communication |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | A ubiquidade do GIF animado no vocabulário da comunicação digital originou práticas de criação, partilha e consumo de conteúdos que espelham a essência do mundo virtual. O GIF animado oferece ao jornalismo a versatilidade de uma fotografia ou de um vídeo na ilustração da notícia, mas existe a expectativa, entre jornalistas e criadores de conteúdo para os novos média, de que possa oferecer mais, inclusive num contexto de jornalismo cívico e de cultura participativa. Esta investigação experimenta a integração das narrativas GIF na linguagem jornalística, procurando contribuir para um modelo de inovação capaz de enfrentar as disrupçõestecnológicas, sociais e políticas que nas últimas décadas contribuíram para enfraquecer o seu papel de gatekeeper (Newman, 2020). Este cenário é manifestamente visível junto das audiências mais jovens onde a fragmentação da atenção e a desconfiança sobre as instituições desgastaram a relação com as notícias tradicionais (Nielsen, 2022). Avaliámos o GIF animado como ferramenta de criação e divulgação de conteúdo capaz de integrar os propósitos do jornalismo cívico quer na acomodação formal de conteúdo informativo quer na capacidade de atrair audiências mais jovens. Explorámos o formato como texto visual autónomo - capaz de servir de corpo à notícia e potenciar-se como género jornalístico apto para competir com o storytelling digital viral - propondo uma nova tipologia de GIFs Notícia e apresentando dados sobre a reação das audiências a essa tipologia, recolhidos junto de uma amostra de estudantes universitários nacionais (N=87) num contexto de experiência de visualização aplicado às temáticas da Conservação do Planeta e da sua Biodiversidade e da Política Nacional e Internacional. Descobrimos que o uso do GIF Notícia sobre Conservação cria maior interesse e intenção de partilha sobre o tema do que o GIF Notícia sobre Política e que os géneros tradicionais, como o género Reação e Humor, ou o género popularizado pela infografia como visualização de Dados, são os que apresentam melhor desempenho. A amostra revelou abertura e interesse para novos géneros aplicados à informação como o Imersivo ou o Storie (da plataforma Giphy) e menos aceitação para os géneros que exploram a repetição simples, sincopada e manipulada, afastada da linearidade da linguagem do vídeo (como o GIF 4NewsWall experimentado pelo Channel4 britânico), ou os géneros que reproduzem de forma simplificada as fórmulas narrativas tradicionais (como o GIF Reportagem). A associação do GIF ao humor e à estética como objeto-arte que oferece o prazer da visualização, revelaram-se essenciais para o seu bom desempenho como suporte de conteúdo noticioso, no entanto confirmamos um cenário de hesitação na sua adoção por parte do jornalismo. Se para alguns jornalistas e audiências o GIF animado é ainda encarado com cautela e desconfiança, apontado como um possível agente de descrédito do jornalismo tradicional, para outros ele é apontado como um conveniente elo de ligação entre a marca de informação e as esferas públicas digitais onde as novas audiências circulam. |
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