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A campanha de erradicação de Culícideos na Ilha do Sal (Cabo Verde) : dezembro de 1948 a dezembro de 1950

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Resumo:Campanha de erradicação de culicídeos que foi levada a efeito, com êxito, na Ilha do Sal, e que durou desde Dezembro de 1948 a Dezembro de 1950. Esta campanha foi realizada por uma Missão do Instituto de Medicina Tropical, integrada na Cadeira de Higiene, Climatologia e Geografia Médica, da qual é professor o Dr. Francisco J. C. Cambournac. A Ilha do Sal faz parte do Arquipélago de Cabo Verde, província portuguesa situada no oceano Atlântico. A ilha tem 216km. de superfície, 29.7km. de comprimento máximo, e 11,8km. de largura máxima. É quase inteiramente plana e não tem cursos de água permanentes; as existências de água naturais são em número reduzido, e o regime pluvioso muito irregular, com uma média anual de precipitação de 117.7mm. (1927-40). A população da ilha, quando se iniciaram os trabalhos, era de 2.700 habitantes, aproximadamente. Os culicídeos existentes na ilha eram o A. gambiae (apenas numa pequena área), o Ae. aegypti e o Ae. caspius (estes com uma distribuição mais larga). Havia malária autóctone, mas em grau insignificante, e a febre amarela não se registava desde 1873, ano em que grassara na ilha uma epidemia grave. A realização desta campanha, que foi orientada como um trabalho de investigação técnica, justificava-se, todavia, por ter principiado a funcionar aí, desde 1949, um aeroporto internacional, e também pelas condições favoráveis de nela se poderem ensaiar alguns dos insecticidas modernos de acção persistente sobre os culicídeos referidos e outros insectos, com vista ao combate futuro e possível extermínio dos mesmos noutras ilhas do ar quipélago de Cabo Verde onde a malária constitue problema de saúde grave. O extermínio do A. gambiae e do Ae. aegypti foi obtido apenas com o combate às formas adultas, feito com D.D.T. pulverisado, em emulsão, à razão de aproximadamente 2 gr./m”, nas casas e outros locais frequentados por estes culicídeos. Desde Março de 1949 que estas espécies deixaram de aparecer na ilha, sob qualquer forma de evolução. Posteriomente a esta data e até ao fim da campanha, realizaram-se mais duas aplicações domiciliares de insecticidas (a 2.a com D.D.T. e B.H.C., e a 3.' com Chlordane), a par de medidas de prevenção anti-larvares (com gambúsias e D.D.T.), com fim de consolidar os resultados obtidos e estudar, simultaneamente, o efeito dos mesmos insecticidas sobre outros insectos (especialmente a Musca domestica). O combate ao Ae. caspius foi feito fundamentalmente contra as formas larvares, e o seu extermínio foi obtido desde Abril de 1950. Este trabalho divide-se em duas partes principais: na primeira dá-se uma descrição pormenorizada sobre a Ilha do Sal; e na segunda, antes dos trabalhos de luta, relatam-se as observações e estudos prévios efectuados sobre a distribuição e algumas características de principal interesse sobre a biologia e ecologia dos culicídeos exterminados.
Autores principais:Meira, Manuel
Assunto:Culicídeos Anopheles Gambiae Aedes Aegypti Aedes caspius erradicação Ilha do Sal Cabo Verde
Ano:1952
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Campanha de erradicação de culicídeos que foi levada a efeito, com êxito, na Ilha do Sal, e que durou desde Dezembro de 1948 a Dezembro de 1950. Esta campanha foi realizada por uma Missão do Instituto de Medicina Tropical, integrada na Cadeira de Higiene, Climatologia e Geografia Médica, da qual é professor o Dr. Francisco J. C. Cambournac. A Ilha do Sal faz parte do Arquipélago de Cabo Verde, província portuguesa situada no oceano Atlântico. A ilha tem 216km. de superfície, 29.7km. de comprimento máximo, e 11,8km. de largura máxima. É quase inteiramente plana e não tem cursos de água permanentes; as existências de água naturais são em número reduzido, e o regime pluvioso muito irregular, com uma média anual de precipitação de 117.7mm. (1927-40). A população da ilha, quando se iniciaram os trabalhos, era de 2.700 habitantes, aproximadamente. Os culicídeos existentes na ilha eram o A. gambiae (apenas numa pequena área), o Ae. aegypti e o Ae. caspius (estes com uma distribuição mais larga). Havia malária autóctone, mas em grau insignificante, e a febre amarela não se registava desde 1873, ano em que grassara na ilha uma epidemia grave. A realização desta campanha, que foi orientada como um trabalho de investigação técnica, justificava-se, todavia, por ter principiado a funcionar aí, desde 1949, um aeroporto internacional, e também pelas condições favoráveis de nela se poderem ensaiar alguns dos insecticidas modernos de acção persistente sobre os culicídeos referidos e outros insectos, com vista ao combate futuro e possível extermínio dos mesmos noutras ilhas do ar quipélago de Cabo Verde onde a malária constitue problema de saúde grave. O extermínio do A. gambiae e do Ae. aegypti foi obtido apenas com o combate às formas adultas, feito com D.D.T. pulverisado, em emulsão, à razão de aproximadamente 2 gr./m”, nas casas e outros locais frequentados por estes culicídeos. Desde Março de 1949 que estas espécies deixaram de aparecer na ilha, sob qualquer forma de evolução. Posteriomente a esta data e até ao fim da campanha, realizaram-se mais duas aplicações domiciliares de insecticidas (a 2.a com D.D.T. e B.H.C., e a 3.' com Chlordane), a par de medidas de prevenção anti-larvares (com gambúsias e D.D.T.), com fim de consolidar os resultados obtidos e estudar, simultaneamente, o efeito dos mesmos insecticidas sobre outros insectos (especialmente a Musca domestica). O combate ao Ae. caspius foi feito fundamentalmente contra as formas larvares, e o seu extermínio foi obtido desde Abril de 1950. Este trabalho divide-se em duas partes principais: na primeira dá-se uma descrição pormenorizada sobre a Ilha do Sal; e na segunda, antes dos trabalhos de luta, relatam-se as observações e estudos prévios efectuados sobre a distribuição e algumas características de principal interesse sobre a biologia e ecologia dos culicídeos exterminados.