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A Associação dos Naturais de Moçambique e o espectro do nacionalismo euro-africano
| Summary: | Neste estudo debruçamo-nos sobre a história e o funcionamento da Associação dos Naturais de Moçambique (ANM). A ANM, associação que remonta ao ano de 1935, procurou agrupar os colonos europeus nascidos no território de Moçambique, apresentando-se como uma associação de cariz cultural e recreativo. No entanto, e em particular no final da década de 1950 e início da década de 1960, esta interveio ativamente em debates de natureza política. Entre os Naturais figuraram vários elementos afetos à Oposição Democrática, e a estrutura protagonizou mesmo um papel central na crescente agitação autonomista na colónia. O seu periódico, A Voz de Moçambique, é também analisado. Este foi palco de críticas a determinadas práticas racistas, elemento importante de defesa de uma maior autonomia administrativa e teve o seu discurso sobre matéria económica pautado por uma abordagem desenvolvimentista, que convergia com os interesses da burguesia ultramarina e a sua pretensão de atingir a “maioridade” económica. O cruzamento destas diversas sensibilidades adversas à situação culminou na crise do ano de 1960, que descrevemos com pormenor por se tratar de uma manifestação evidente do confronto entre um Estado colonial leal e dependente de Lisboa com os elementos de inspiração autonomista da sociedade branca de Moçambique. Procurando não apenas integrar-se, mas dar um contributo inovador aos estudos do colonialismo de povoamento em Portugal, este é um trabalho que analisa, e coloca em diálogo, a figura do colono progressista e a afirmação do nacionalismo euro-africano, entendido como movimento de agitação política por parte do estrato colonizador da sociedade moçambicana. In this study, we focus on the history and functioning of the Association of Mozambique Natives (ANM). The ANM, an association dating back to 1935, sought to bring together European settlers born in Mozambique, presenting itself as a cultural and recreational association. However, particularly in the late 1950s and early 1960s, it actively intervened in political debates. Among the Naturais were several members of the Democratic Opposition, and the structure even played a central role in the growing autonomist unrest in the colony. Its newspaper, A Voz de Moçambique, is also analysed. It was a platform for criticism of certain racist practices, an important element in the defence of greater administrative autonomy, and its discourse on economic matters was guided by a developmentalist approach, which converged with the interests of the overseas bourgeoisie and its desire to achieve “economic maturity”. The intersection of these various sensibilities opposed to the regime culminated in the crisis of 1960, which we describe in detail as it was a clear manifestation of the confrontation between a colonial state loyal and dependent on Lisbon and the autonomist elements of Mozambique’s white society. Seeking not only to integrate, but also to make an innovative contribution to settler colonial studies in Portugal, this work analyses and compares the figure of the progressive settler and the affirmation of Euro-African nationalism, understood as a movement of political agitation on the part of the colonising stratum of Mozambican society. |
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| Main Authors: | Esteves, Eduardo Soutinho Verde Domingues |
| Subject: | Associativism Mozambique Nationalism Settler colonialism Settlers Nacionalismo Colonialismo de povoamento Moçambique Colonos Associativismo Geography, Planning and Development Anthropology History Arts and Humanities (miscellaneous) Urban Studies |
| Year: | 2025 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | article |
| Access type: | open access |
| Associated institution: | Universidade Nova de Lisboa |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | Repositório Institucional da UNL |
| Summary: | Neste estudo debruçamo-nos sobre a história e o funcionamento da Associação dos Naturais de Moçambique (ANM). A ANM, associação que remonta ao ano de 1935, procurou agrupar os colonos europeus nascidos no território de Moçambique, apresentando-se como uma associação de cariz cultural e recreativo. No entanto, e em particular no final da década de 1950 e início da década de 1960, esta interveio ativamente em debates de natureza política. Entre os Naturais figuraram vários elementos afetos à Oposição Democrática, e a estrutura protagonizou mesmo um papel central na crescente agitação autonomista na colónia. O seu periódico, A Voz de Moçambique, é também analisado. Este foi palco de críticas a determinadas práticas racistas, elemento importante de defesa de uma maior autonomia administrativa e teve o seu discurso sobre matéria económica pautado por uma abordagem desenvolvimentista, que convergia com os interesses da burguesia ultramarina e a sua pretensão de atingir a “maioridade” económica. O cruzamento destas diversas sensibilidades adversas à situação culminou na crise do ano de 1960, que descrevemos com pormenor por se tratar de uma manifestação evidente do confronto entre um Estado colonial leal e dependente de Lisboa com os elementos de inspiração autonomista da sociedade branca de Moçambique. Procurando não apenas integrar-se, mas dar um contributo inovador aos estudos do colonialismo de povoamento em Portugal, este é um trabalho que analisa, e coloca em diálogo, a figura do colono progressista e a afirmação do nacionalismo euro-africano, entendido como movimento de agitação política por parte do estrato colonizador da sociedade moçambicana. In this study, we focus on the history and functioning of the Association of Mozambique Natives (ANM). The ANM, an association dating back to 1935, sought to bring together European settlers born in Mozambique, presenting itself as a cultural and recreational association. However, particularly in the late 1950s and early 1960s, it actively intervened in political debates. Among the Naturais were several members of the Democratic Opposition, and the structure even played a central role in the growing autonomist unrest in the colony. Its newspaper, A Voz de Moçambique, is also analysed. It was a platform for criticism of certain racist practices, an important element in the defence of greater administrative autonomy, and its discourse on economic matters was guided by a developmentalist approach, which converged with the interests of the overseas bourgeoisie and its desire to achieve “economic maturity”. The intersection of these various sensibilities opposed to the regime culminated in the crisis of 1960, which we describe in detail as it was a clear manifestation of the confrontation between a colonial state loyal and dependent on Lisbon and the autonomist elements of Mozambique’s white society. Seeking not only to integrate, but also to make an innovative contribution to settler colonial studies in Portugal, this work analyses and compares the figure of the progressive settler and the affirmation of Euro-African nationalism, understood as a movement of political agitation on the part of the colonising stratum of Mozambican society. |
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