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Viagem, fronteira e heterotopia

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Nos anos 1997 e 1998 acompanhei as rodagens dos filmes “Esta é a minha casa” e “Viagem à Expo” de João Pedro Rodrigues e, em 2010, uma parte das rodagens dos filmes “Alvorada Vermelha” e “A última vez que vi Macau”, de João Pedro Rodrigues e de João Rui Guerra da Mata. Em ambos os casos, tomei a experiência de participação na equipa de rodagem como um trabalho etnográfico. Com este texto pretendo fazer uma apresentação do modo de fazer antropologia que esteve na base dos textos que, partindo da referida experiência, escrevi posteriormente. A meu ver, o cinema de João Pedro Rodrigues acede ao real no interior de um modo de descrição que opera por integração nas/das forças que o constituem. Nesse sentido ele assemelha-se às descrições de alguns antropólogos. Mas, tal como no caso destas, a descrição contém já uma interpretação, e essa é indissociável do seu autor. Usando as descrições do cineasta, eu acedi por isso a uma parte do real que de outro modo me estaria vedada. A minha descrição antropológica foi sujeita a uma dobra, visto que trabalhei a partir de uma descrição, feita por um cineasta, daquilo que eu própria havia observado em primeira mão. O texto apresenta algumas reflexões em torno da questão territorial, tendo por base as duas experiências antes referidas.
Autores principais:Silvano, Filomena
Assunto:Macau João Pedro Rodrigues João Rui Guerra da Mata Heterotopia Cinema Desterritorialização Antropologia visual Migrações Nação Transnacionalidade
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Nos anos 1997 e 1998 acompanhei as rodagens dos filmes “Esta é a minha casa” e “Viagem à Expo” de João Pedro Rodrigues e, em 2010, uma parte das rodagens dos filmes “Alvorada Vermelha” e “A última vez que vi Macau”, de João Pedro Rodrigues e de João Rui Guerra da Mata. Em ambos os casos, tomei a experiência de participação na equipa de rodagem como um trabalho etnográfico. Com este texto pretendo fazer uma apresentação do modo de fazer antropologia que esteve na base dos textos que, partindo da referida experiência, escrevi posteriormente. A meu ver, o cinema de João Pedro Rodrigues acede ao real no interior de um modo de descrição que opera por integração nas/das forças que o constituem. Nesse sentido ele assemelha-se às descrições de alguns antropólogos. Mas, tal como no caso destas, a descrição contém já uma interpretação, e essa é indissociável do seu autor. Usando as descrições do cineasta, eu acedi por isso a uma parte do real que de outro modo me estaria vedada. A minha descrição antropológica foi sujeita a uma dobra, visto que trabalhei a partir de uma descrição, feita por um cineasta, daquilo que eu própria havia observado em primeira mão. O texto apresenta algumas reflexões em torno da questão territorial, tendo por base as duas experiências antes referidas.