Publicação

Repensar a nostalgia colonial portuguesa e os seus silêncios: um contributo da arte contemporânea para a descolonização do pensamento

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Nesta dissertação procuramos indagar como, no seio da arte contemporânea, se tem vindo a refletir sobre o legado colonial português, e, em particular, sobre as memórias construídas em torno deste passado. O passado colonial manifesta-se, na contemporaneidade, em narrativas romantizadas e nostálgicas, que implicam um silenciamento do caráter violento do colonialismo. A manutenção deste tipo de discurso evidencia a persistência de estruturas coloniais e, logo, a necessidade de uma descolonização epistémica. O objetivo central desta reflexão é pensar como, ao propor reflexões sobre a memória colonial, a arte contemporânea tem contribuído para uma descolonização do pensamento. Partindo de obras de Daniel Barroca, Maria Lusitano, Ângela Ferreira, Vasco Araújo e Grada Kilomba, concentramo-nos em três temas fulcrais: o fantasma da guerra colonial como reflexo da amnésia generalizada em torno da violência colonial; a ausência de uma reflexão crítica sobre a narrativa glorificadora e romantizada do passado colonial veiculada através de monumentos e construções de índole recreativa edificados pelo Estado Novo (1932-1974), que perpetuam ideais coloniais no presente; e, por fim, as implicações da herança colonial para a condição dos sujeitos da diáspora africana e a necessidade de um processo de descolonização do pensamento que desconstrua as estruturas racistas que persistem do período colonial.
Autores principais:Duarte, Sara Filipa Oliveira
Assunto:Arquivo Arte Memória Pós-memória Pós-colonialismo art, Archive Memory Postmemory Postcolonialism
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Nesta dissertação procuramos indagar como, no seio da arte contemporânea, se tem vindo a refletir sobre o legado colonial português, e, em particular, sobre as memórias construídas em torno deste passado. O passado colonial manifesta-se, na contemporaneidade, em narrativas romantizadas e nostálgicas, que implicam um silenciamento do caráter violento do colonialismo. A manutenção deste tipo de discurso evidencia a persistência de estruturas coloniais e, logo, a necessidade de uma descolonização epistémica. O objetivo central desta reflexão é pensar como, ao propor reflexões sobre a memória colonial, a arte contemporânea tem contribuído para uma descolonização do pensamento. Partindo de obras de Daniel Barroca, Maria Lusitano, Ângela Ferreira, Vasco Araújo e Grada Kilomba, concentramo-nos em três temas fulcrais: o fantasma da guerra colonial como reflexo da amnésia generalizada em torno da violência colonial; a ausência de uma reflexão crítica sobre a narrativa glorificadora e romantizada do passado colonial veiculada através de monumentos e construções de índole recreativa edificados pelo Estado Novo (1932-1974), que perpetuam ideais coloniais no presente; e, por fim, as implicações da herança colonial para a condição dos sujeitos da diáspora africana e a necessidade de um processo de descolonização do pensamento que desconstrua as estruturas racistas que persistem do período colonial.