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Antimalarial resistance in Mozambique: characterization of molecular markers and assessment of Plasmodium falciparum susceptibility to artemisinin based combination therapy

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Resumo:Introdução: A malária continua a ser um dos mais graves problemas de saúde pública na África Subsaariana e Moçambique é o quarto maior contribuinte mundial, com 4,7% dos casos da doença e 3,6% do total de mortes devido à malária. O seu controlo assenta no combate ao vetor e no tratamento dos casos confirmados com medicamentos antimaláricos. A vigilância molecular da malária é um instrumento importante para monitorizar a propagação da resistência aos medicamentos antimaláricos. O principal objetivo deste estudo foi estudar a resistência aos ACTs através da caraterização de marcadores moleculares e da avaliação da suscetibilidade ex vivo do Plasmodium falciparum aos medicamentos antimaláricos administrados em Moçambique. Métodos: Este projecto de tese consistiu em estudos transversais ao longo do pais incluindo ensaios de susceptibilidade do P. falciparum aos farmacos e a genotipagem. Os ensaios de suscetibilidade foram realizados em 43 amostras positivas para malária não complicada na província de Maputo entre maio e julho de 2022. Adicionalmente, o perfil dos polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs) pfk13 e pfmdr1, bem como a variação do número de cópias (CNV) pfpm2 e pfmdr1 de isolados fenotipicamente suscetíveis aos antimaláricos foi avaliado por sequenciação de Sanger e reação em cadeia da polimarase quantitativa em tempo real (qPCR), respetivamente. Paralelamente, com o objetivo de caraterizar marcadores moleculares de resistência aos antimaláricos, foi realizado um estudo transversal que recrutou ~600 participantes com infeção por malária detectada por Testes de Diagnóstico Rápido (TDR), de três locais de estudo diferentes (Niassa, Manica e Maputo) entre abril e agosto de 2021. O software SIFT (Sorting Intolerant from Tolerant) foi utilizado para prever se uma substituição de aminoácidos afecta a função da proteína Kelch 13. Resultados: Quanto aos ensaios de susceptibilidade, as taxas de sobrevivência revelaram a ausência de parasitas sobreviventes quando expostos a 700 nM de diidroartemisinina (DHA), 200 nM de piperaquina (PPQ) e amodiaquina (AQ). As taxas foram inferior a 1%, 10% e 45%, que são os limiares para ring stage susceptibility assay (RSA), piperaquine susceptibility assay (PSA) e amodiaquine susceptibility assay (AQSA), respetivamente. Quanto à genotipagem, não foi detectada qualquer mutação validada no gene de resistência à artemisinina, pfk13, nos locais do estudo. No entanto, foram detectadas mutações não sinónimas com uma prevalência de 10,2%, 6% e 5% em Niassa, Manica e Maputo, respetivamente. 56,3% das mutações não-sinónimas registadas deveu-se à substituição na primeira base do codão, 25% na segunda base e 18,8% na terceira base. Além disso, 50% das mutações não-sinónimas apresentaram um SIFTscore inferior ao limiar, 0,05, pelo que se previu que fossem deletérias. Após a ddPCR detectou-se CNVs de pfpm2 e pfmdr1 em 5,7% (13/229) das amostras de alta qualidade. Conclusão: Os parasitas em circulação nos locais estudados continuam a apresentar uma elevada sensibilidade aos antimaláricos, sem mutações associadas à resistência à artemisinina e ao seu parceiro. A monitorização contínua da suscetibilidade do parasita aos ACT e a vigilância molecular devem ser intensificadas para reduzir as hipóteses de resistência à artemisinina num futuro próximo.
Autores principais:SILVA, Clemente da
Assunto:Biologia molecular Malária Plasmodium falciparum Resistência antimalárica Moçambique
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Introdução: A malária continua a ser um dos mais graves problemas de saúde pública na África Subsaariana e Moçambique é o quarto maior contribuinte mundial, com 4,7% dos casos da doença e 3,6% do total de mortes devido à malária. O seu controlo assenta no combate ao vetor e no tratamento dos casos confirmados com medicamentos antimaláricos. A vigilância molecular da malária é um instrumento importante para monitorizar a propagação da resistência aos medicamentos antimaláricos. O principal objetivo deste estudo foi estudar a resistência aos ACTs através da caraterização de marcadores moleculares e da avaliação da suscetibilidade ex vivo do Plasmodium falciparum aos medicamentos antimaláricos administrados em Moçambique. Métodos: Este projecto de tese consistiu em estudos transversais ao longo do pais incluindo ensaios de susceptibilidade do P. falciparum aos farmacos e a genotipagem. Os ensaios de suscetibilidade foram realizados em 43 amostras positivas para malária não complicada na província de Maputo entre maio e julho de 2022. Adicionalmente, o perfil dos polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs) pfk13 e pfmdr1, bem como a variação do número de cópias (CNV) pfpm2 e pfmdr1 de isolados fenotipicamente suscetíveis aos antimaláricos foi avaliado por sequenciação de Sanger e reação em cadeia da polimarase quantitativa em tempo real (qPCR), respetivamente. Paralelamente, com o objetivo de caraterizar marcadores moleculares de resistência aos antimaláricos, foi realizado um estudo transversal que recrutou ~600 participantes com infeção por malária detectada por Testes de Diagnóstico Rápido (TDR), de três locais de estudo diferentes (Niassa, Manica e Maputo) entre abril e agosto de 2021. O software SIFT (Sorting Intolerant from Tolerant) foi utilizado para prever se uma substituição de aminoácidos afecta a função da proteína Kelch 13. Resultados: Quanto aos ensaios de susceptibilidade, as taxas de sobrevivência revelaram a ausência de parasitas sobreviventes quando expostos a 700 nM de diidroartemisinina (DHA), 200 nM de piperaquina (PPQ) e amodiaquina (AQ). As taxas foram inferior a 1%, 10% e 45%, que são os limiares para ring stage susceptibility assay (RSA), piperaquine susceptibility assay (PSA) e amodiaquine susceptibility assay (AQSA), respetivamente. Quanto à genotipagem, não foi detectada qualquer mutação validada no gene de resistência à artemisinina, pfk13, nos locais do estudo. No entanto, foram detectadas mutações não sinónimas com uma prevalência de 10,2%, 6% e 5% em Niassa, Manica e Maputo, respetivamente. 56,3% das mutações não-sinónimas registadas deveu-se à substituição na primeira base do codão, 25% na segunda base e 18,8% na terceira base. Além disso, 50% das mutações não-sinónimas apresentaram um SIFTscore inferior ao limiar, 0,05, pelo que se previu que fossem deletérias. Após a ddPCR detectou-se CNVs de pfpm2 e pfmdr1 em 5,7% (13/229) das amostras de alta qualidade. Conclusão: Os parasitas em circulação nos locais estudados continuam a apresentar uma elevada sensibilidade aos antimaláricos, sem mutações associadas à resistência à artemisinina e ao seu parceiro. A monitorização contínua da suscetibilidade do parasita aos ACT e a vigilância molecular devem ser intensificadas para reduzir as hipóteses de resistência à artemisinina num futuro próximo.