Publicação
Decolonizar imaginários: a dança de brasileiros imigrantes em Portugal
| Resumo: | Com o aumento da população imigrante em Portugal, sobretudo a brasileira que atua no campo das artes e da cultura, o mundo da dança português passa a se constituir a partir de outras identidades e percepções de mundo. Ao levar em consideração os conflitos entre brasileiros e portugueses, que possuem diferentes compreensões e interpretações do mesmo passado histórico, os brasileiros, e neste caso os artistas, trazem questões caras aos portugueses e reclama uma revisão crítica ao passado como forma de compreender e organizar o mundo fora das lógicas da colonialidade do poder, conceito desenvolvido por Quijano e Mignolo. Mas é possível que a dança possa contribuir para uma mudança no imaginário social de uma sociedade? Esta pesquisa é uma análise de quatro espetáculos de dança desenvolvidos em Portugal por brasileiros em contexto de imigração. A pesquisa se apoia na sociologia da dança proposta por Helen Thomas, atenta às características extrínsecas e intrínsecas da dança e que por isso requer uma análise e reflexão interdisciplinar. A análise das obras é debruçada no conceito de imaginário social propostos por Durand, Castoriadis e Baczko, que assume também uma dimensão do poder, podendo ser um campo de disputa da ordem social. Através do jogo de imagens que é representado, por um lado, e apreendidos, por outro, e que em conjunto negociam significados, o real se encontra numa disputa ordenada pelo poder simbólico, logo não é absoluto e pode ser modificado. A dança é então compreendida como um meio de diálogo entre imaginários e que podem negociar sentido. Não apenas no que representa no seu contexto, mas também a partir da sua própria forma que representa em si um ponto de vista. A abordagem decolonial para reflexão das obras permite que o campo do conhecimento epistemológico se aproxime do campo sensível e atribua aos espetáculos de dança a capacidade de desafiar e provocar uma desordem no saber/fazer estabelecido pela colonialidade. |
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| Autores principais: | Helfers, Hannya Melo Boza |
| Assunto: | Dança contemporânea Sociologia da dança Imaginário social Colonialidade do poder Poder simbólico Imigração Contemporary dance Sociology of dance Social imaginary Coloniality of power Symbolic power Immigration |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | Com o aumento da população imigrante em Portugal, sobretudo a brasileira que atua no campo das artes e da cultura, o mundo da dança português passa a se constituir a partir de outras identidades e percepções de mundo. Ao levar em consideração os conflitos entre brasileiros e portugueses, que possuem diferentes compreensões e interpretações do mesmo passado histórico, os brasileiros, e neste caso os artistas, trazem questões caras aos portugueses e reclama uma revisão crítica ao passado como forma de compreender e organizar o mundo fora das lógicas da colonialidade do poder, conceito desenvolvido por Quijano e Mignolo. Mas é possível que a dança possa contribuir para uma mudança no imaginário social de uma sociedade? Esta pesquisa é uma análise de quatro espetáculos de dança desenvolvidos em Portugal por brasileiros em contexto de imigração. A pesquisa se apoia na sociologia da dança proposta por Helen Thomas, atenta às características extrínsecas e intrínsecas da dança e que por isso requer uma análise e reflexão interdisciplinar. A análise das obras é debruçada no conceito de imaginário social propostos por Durand, Castoriadis e Baczko, que assume também uma dimensão do poder, podendo ser um campo de disputa da ordem social. Através do jogo de imagens que é representado, por um lado, e apreendidos, por outro, e que em conjunto negociam significados, o real se encontra numa disputa ordenada pelo poder simbólico, logo não é absoluto e pode ser modificado. A dança é então compreendida como um meio de diálogo entre imaginários e que podem negociar sentido. Não apenas no que representa no seu contexto, mas também a partir da sua própria forma que representa em si um ponto de vista. A abordagem decolonial para reflexão das obras permite que o campo do conhecimento epistemológico se aproxime do campo sensível e atribua aos espetáculos de dança a capacidade de desafiar e provocar uma desordem no saber/fazer estabelecido pela colonialidade. |
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