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Unraveling of Borrelia burgdorferi sensu lato genospecies diversity in Portugal towards the development of more efficient diagnostic tools for Lyme disease

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Resumo:Ixodídeos (carraças de corpo-duro), são importantes vetores de agentes patogénicos, responsáveis por doenças emergentes como a doença de Lyme (DL). Esta zoonose é causada por espiroquetas do complexo Borrelia burgdorferi sensu lato (s.l.) transmitidas por carraças da espécie Ixodes ricinus, o principal vetor na Europa. A DL é uma doença multisistémica com diversas apresentações clínicas e diagnóstico complexo. Em Portugal é ainda pouco diagnosticada e a notificação, apesar de obrigatória, é escassa. A presente investigação teve como principal objetivo desenvolver ferramentas moleculares, nomeadamente um algoritmo de PCR em tempo real e uma amplificação isotérmica, para identificar as espécies de B. burgdorferi s.l. mais prevalentes em Portugal. O desenvolvimento deste objetivo permitiu também avaliar as características bioecológicas da ixodofauna presente em nove distritos do país (norte, centro e sul) nos quais o vetor I. ricinus havia sido anteriormente reportado, e ainda determinar a taxa de infeção por B. burgdorferi s.l. no vetor e hospedeiros. Os resultados obtidos são apresentados sob a forma de artigos científicos (dez), dos quais sete estão publicados, dois em submissão e um em preparação. Do conjunto dos resultados alcançados, importa realçar as variações observadas na distribuição das carraças para possivelmente para novas regiões, provavelmente relacionadas com alterações ao nível da paisagem, clima e vegetação, às quais as carraças são muito sensíveis. Acresce o facto de várias espécies de B. burgdorferi s.l. terem sido detetadas em carraças que não aquelas até agora reconhecidas como vetores. A espécie B. lusitaniae foi a mais prevalente no vetor, estando este presente em seis dos nove distritos selecionados. Surpreendentemente no decurso deste estudo, identificaram-se três espécies do complexo Borrelia recorrente em carraças da vegetação, nomeadamente, B. miyamotoi numa ninfa I. ricinus, e duas possíveis ‘novas’ espécies do complexo Borrelia recorrente em carraças da espécie Haemaphysalis punctata e Rhipicephalus sanguineus. Paralelamente, foi identificado DNA de B. burgdorferi s.l. em amostras biológicas de animais de estimação (cães e gatos) e de animais silváticos (javalis), confirmando a importância destes animais, principalmente os de estimação, enquanto sentinela para uma deteção precoce da DL, ajudando na determinação do risco de transmissão das espiroquetas de B. burgdorferi s.l. a humanos e outros animais com importância económica (ex. bovinos), em áreas geográficas restritas. Foi também possível otimizar dois protocolos moleculares para o diagnóstico laboratorial da DL, um dos quais, um algoritmo de PCR em tempo real que permite a identificação de quatro das espécies de B. burgdorferi s.l. mais prevalentes em Portugal, apresentando elevada sensibilidade e especificidade e contribuindo para um diagnóstico mais preciso da DL. Alguns dos aspetos introduzidos e explorados nesta tese necessitam ainda de uma investigação mais detalhada. No entanto, este trabalho alerta para a introdução de possíveis ‘novas’ espécies do complexo de Borrelia recorrente em carraças de corpo-duro da vegetação, cuja patogenicidade é ainda desconhecida, mas que poderão tornar-se um risco para a saúde pública; contribui para a atualização espacial de áreas importantes na ecoepidemiologia da DL em Portugal; e inova no diagnóstico molecular desta zoonose, constituindo um valioso suporte para os clínicos, permitindo uma terapêutica mais direcionada dos doentes.
Autores principais:NUNES, Mónica Susana Claudino
Assunto:Biologia molecular Microbiologia médica Ixodídeos Carraças Borreliose de Lyme Zoonose Espiroquetas Borreliose burgdorferi Portugal
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Ixodídeos (carraças de corpo-duro), são importantes vetores de agentes patogénicos, responsáveis por doenças emergentes como a doença de Lyme (DL). Esta zoonose é causada por espiroquetas do complexo Borrelia burgdorferi sensu lato (s.l.) transmitidas por carraças da espécie Ixodes ricinus, o principal vetor na Europa. A DL é uma doença multisistémica com diversas apresentações clínicas e diagnóstico complexo. Em Portugal é ainda pouco diagnosticada e a notificação, apesar de obrigatória, é escassa. A presente investigação teve como principal objetivo desenvolver ferramentas moleculares, nomeadamente um algoritmo de PCR em tempo real e uma amplificação isotérmica, para identificar as espécies de B. burgdorferi s.l. mais prevalentes em Portugal. O desenvolvimento deste objetivo permitiu também avaliar as características bioecológicas da ixodofauna presente em nove distritos do país (norte, centro e sul) nos quais o vetor I. ricinus havia sido anteriormente reportado, e ainda determinar a taxa de infeção por B. burgdorferi s.l. no vetor e hospedeiros. Os resultados obtidos são apresentados sob a forma de artigos científicos (dez), dos quais sete estão publicados, dois em submissão e um em preparação. Do conjunto dos resultados alcançados, importa realçar as variações observadas na distribuição das carraças para possivelmente para novas regiões, provavelmente relacionadas com alterações ao nível da paisagem, clima e vegetação, às quais as carraças são muito sensíveis. Acresce o facto de várias espécies de B. burgdorferi s.l. terem sido detetadas em carraças que não aquelas até agora reconhecidas como vetores. A espécie B. lusitaniae foi a mais prevalente no vetor, estando este presente em seis dos nove distritos selecionados. Surpreendentemente no decurso deste estudo, identificaram-se três espécies do complexo Borrelia recorrente em carraças da vegetação, nomeadamente, B. miyamotoi numa ninfa I. ricinus, e duas possíveis ‘novas’ espécies do complexo Borrelia recorrente em carraças da espécie Haemaphysalis punctata e Rhipicephalus sanguineus. Paralelamente, foi identificado DNA de B. burgdorferi s.l. em amostras biológicas de animais de estimação (cães e gatos) e de animais silváticos (javalis), confirmando a importância destes animais, principalmente os de estimação, enquanto sentinela para uma deteção precoce da DL, ajudando na determinação do risco de transmissão das espiroquetas de B. burgdorferi s.l. a humanos e outros animais com importância económica (ex. bovinos), em áreas geográficas restritas. Foi também possível otimizar dois protocolos moleculares para o diagnóstico laboratorial da DL, um dos quais, um algoritmo de PCR em tempo real que permite a identificação de quatro das espécies de B. burgdorferi s.l. mais prevalentes em Portugal, apresentando elevada sensibilidade e especificidade e contribuindo para um diagnóstico mais preciso da DL. Alguns dos aspetos introduzidos e explorados nesta tese necessitam ainda de uma investigação mais detalhada. No entanto, este trabalho alerta para a introdução de possíveis ‘novas’ espécies do complexo de Borrelia recorrente em carraças de corpo-duro da vegetação, cuja patogenicidade é ainda desconhecida, mas que poderão tornar-se um risco para a saúde pública; contribui para a atualização espacial de áreas importantes na ecoepidemiologia da DL em Portugal; e inova no diagnóstico molecular desta zoonose, constituindo um valioso suporte para os clínicos, permitindo uma terapêutica mais direcionada dos doentes.