Publicação
O padrão discursivo dos textos académicos
| Resumo: | No quadro teórico do Interacionismo Sociodiscursivo, defende-se que qualquer texto se inscreve num género e que este é constituído por diferentes segmentos, identificáveis através da presença e articulação de determinadas unidades linguísticas, que podem ser classificados em tipos de discurso (cf. Bronckart, [1997] 1999: 138). Bronckart não deixa de sublinhar que determinados géneros tendem a ser constituídos por tipos de discurso específicos (cf. Bronckart, 1997: 254-255), embora não numa relação biunívoca. Por outro lado, Miranda salienta a necessidade de encontrar uma unidade de estruturação que permita apreender a globalidade do texto (Miranda, 2010: 136). Tendo em conta esta necessidade, nesta comunicação, pretende-se demonstrar os contributos da noção de padrão discursivo para a análise e distinção dos géneros textuais, através da apresentação de uma análise textual que integra a minha dissertação de mestrado, na qual desenvolvi uma proposta interacionista para a prática de revisão de texto. Foi analisado um corpus de textos de dois géneros académicos – o artigo científico e a recensão crítica – de duas áreas científicas distintas – a Linguística e a Sociologia: os da primeira foram selecionados através de pesquisa na Revista Portuguesa de Humanidades e na revista Estudos Linguísticos/Linguistic Studies; os da segunda foram selecionados a partir de pesquisa nas revistas Análise Social e Sociologia. Partindo do princípio de que os tipos de discurso não podem ser, por si só, indícios do género a que pertence um texto, apresenta-se a análise dos seguintes elementos: os segmentos textuais que fazem parte do peritexto e do corpo do texto; a forma como o conteúdo temático se organiza e como é regulado pelo plano de texto; os tipos de discurso que ocorrem nas diferentes partes que integram o texto, assim como o papel que desempenham (principal ou secundário); os lugares de emergência do discurso teórico e do discurso interativo e a modalidade de articulação de cada um dos tipos de discurso (fusão e/ou encaixe). Desse modo, a partir desta análise que apresentarei nesta comunicação, desenvolvi a noção de padrão discursivo, cujo contributo na distinção dos géneros textuais meparece inegável. Através da análise do corpus alcançaram-se as conclusões seguintes: • Apesar de nos textos de ambos os géneros analisados terem sido apurados o discurso teórico e o discurso interativo, a sua emergência, organização e articulação são reguladas por planos de texto distintos. • Constatamos que, em determinados géneros textuais, a ocorrência e a organização dos tipos de discurso ao nível textual tendem a obedecer a uma determinada regularidade, ou seja, a apresentar um determinado padrão discursivo. Assim, concluímos que, apesar de os tipos de discurso não permitirem totalmente a identificação genérica de um texto, a forma como se organizam, articulam e emergem na sua globalidade permite perspetivar alguma identidade discursiva nos géneros mais estabilizados. |
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| Autores principais: | Rosa, Rute |
| Assunto: | géneros de texto, tipos de discurso padrão discursivo |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | documento de conferência |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | No quadro teórico do Interacionismo Sociodiscursivo, defende-se que qualquer texto se inscreve num género e que este é constituído por diferentes segmentos, identificáveis através da presença e articulação de determinadas unidades linguísticas, que podem ser classificados em tipos de discurso (cf. Bronckart, [1997] 1999: 138). Bronckart não deixa de sublinhar que determinados géneros tendem a ser constituídos por tipos de discurso específicos (cf. Bronckart, 1997: 254-255), embora não numa relação biunívoca. Por outro lado, Miranda salienta a necessidade de encontrar uma unidade de estruturação que permita apreender a globalidade do texto (Miranda, 2010: 136). Tendo em conta esta necessidade, nesta comunicação, pretende-se demonstrar os contributos da noção de padrão discursivo para a análise e distinção dos géneros textuais, através da apresentação de uma análise textual que integra a minha dissertação de mestrado, na qual desenvolvi uma proposta interacionista para a prática de revisão de texto. Foi analisado um corpus de textos de dois géneros académicos – o artigo científico e a recensão crítica – de duas áreas científicas distintas – a Linguística e a Sociologia: os da primeira foram selecionados através de pesquisa na Revista Portuguesa de Humanidades e na revista Estudos Linguísticos/Linguistic Studies; os da segunda foram selecionados a partir de pesquisa nas revistas Análise Social e Sociologia. Partindo do princípio de que os tipos de discurso não podem ser, por si só, indícios do género a que pertence um texto, apresenta-se a análise dos seguintes elementos: os segmentos textuais que fazem parte do peritexto e do corpo do texto; a forma como o conteúdo temático se organiza e como é regulado pelo plano de texto; os tipos de discurso que ocorrem nas diferentes partes que integram o texto, assim como o papel que desempenham (principal ou secundário); os lugares de emergência do discurso teórico e do discurso interativo e a modalidade de articulação de cada um dos tipos de discurso (fusão e/ou encaixe). Desse modo, a partir desta análise que apresentarei nesta comunicação, desenvolvi a noção de padrão discursivo, cujo contributo na distinção dos géneros textuais meparece inegável. Através da análise do corpus alcançaram-se as conclusões seguintes: • Apesar de nos textos de ambos os géneros analisados terem sido apurados o discurso teórico e o discurso interativo, a sua emergência, organização e articulação são reguladas por planos de texto distintos. • Constatamos que, em determinados géneros textuais, a ocorrência e a organização dos tipos de discurso ao nível textual tendem a obedecer a uma determinada regularidade, ou seja, a apresentar um determinado padrão discursivo. Assim, concluímos que, apesar de os tipos de discurso não permitirem totalmente a identificação genérica de um texto, a forma como se organizam, articulam e emergem na sua globalidade permite perspetivar alguma identidade discursiva nos géneros mais estabilizados. |
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