Publicação
Relações artísticas entre Portugal e a Flandres através dos livros de horas existentes em Portugal
| Resumo: | A tese que agora se apresenta pretende mostrar a importância dos Livros de Horas na sociedade portuguesa tardo-medieval e nas relações que a envolveram com as principais cortes europeias. Este estudo permitiu reconstituir o percurso de alguns códices, avaliar o prestígio que então granjeávamos junto das principais casas, a grande receptividade que a arte flamenga encontrou junto da nobreza portuguesa e o impacto que teve na produção nacional. A ausência de estudos, para a grande maioria dos códices, levou-nos à elaboração do levantamento exaustivo dos Livros de Horas manuscritos e fólios soltos que actualmente se conservam em Portugal, organizado por instituições, acrescido de dezasseis outros códices vinculados à corte portuguesa, pertencentes a entidades estrangeiras, e aos quais dedicamos, também, um brevíssimo estudo. Os setenta e oito exemplares que assinalámos em Portugal foram alvo de um estudo analítico que incluiu a identificação da origem e dos programas iconográficos (com indicação da secção em que estão inseridos) e a bibliografia específica para cada manuscrito. Os Livros de Horas de origem flamenga, maioritariamente provenientes da colecção real portuguesa, foram objecto de um estudo codicológico mais aprofundado que incluiu, para além dos aspectos atrás mencionados, a elaboração de fichas científicas desenvolvidas, a transcrição integral do texto e o seu confronto com a pintura e iluminura coevas, com o património de épocas precedentes e com a produção das gerações subsequentes, onde procurámos avaliar o seu impacto. Desse estudo advieram também novidades significativas relativas aos códices em análise, destacando-se a reconstituição do que consideramos ser o projecto inicial das ditas Horas ditas de D. Fernando ou D. Catarina, pretendendo-se agora que a sua visibilidade os posicione no centro da discussão nacional e internacional. Ao organizá-los por cronologias e ateliês pretendemos mostrar a evolução da linguagem pictórica que marcou a iluminura flamenga dos séculos XV e XVI, tendo a sua contextualização na produção coeva servido para melhor compreender as dinâmicas da produção do livro, da circulação de modelos, as escolhas da elites portuguesas e a grandeza dos códices que possuímos. A reconstituição do seu percurso institucional e as parcerias desenvolvidas com algumas instituições detentoras dos códices permitiram-nos avaliar e compreender danos infligidos em épocas mais recentes e reconstituir parte da história do livro. |
|---|---|
| Autores principais: | Custódio, Delmira Maria Rita Martins dos Santos Espada |
| Assunto: | Livro de Horas Manuscritos iluminados flamengos Manuscritos iluminados portugueses Corte portuguesa Borgonha Book of Hours Flemish illuminated manuscripts Portuguese illuminated manuscripts Portuguese court Burgundy |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | A tese que agora se apresenta pretende mostrar a importância dos Livros de Horas na sociedade portuguesa tardo-medieval e nas relações que a envolveram com as principais cortes europeias. Este estudo permitiu reconstituir o percurso de alguns códices, avaliar o prestígio que então granjeávamos junto das principais casas, a grande receptividade que a arte flamenga encontrou junto da nobreza portuguesa e o impacto que teve na produção nacional. A ausência de estudos, para a grande maioria dos códices, levou-nos à elaboração do levantamento exaustivo dos Livros de Horas manuscritos e fólios soltos que actualmente se conservam em Portugal, organizado por instituições, acrescido de dezasseis outros códices vinculados à corte portuguesa, pertencentes a entidades estrangeiras, e aos quais dedicamos, também, um brevíssimo estudo. Os setenta e oito exemplares que assinalámos em Portugal foram alvo de um estudo analítico que incluiu a identificação da origem e dos programas iconográficos (com indicação da secção em que estão inseridos) e a bibliografia específica para cada manuscrito. Os Livros de Horas de origem flamenga, maioritariamente provenientes da colecção real portuguesa, foram objecto de um estudo codicológico mais aprofundado que incluiu, para além dos aspectos atrás mencionados, a elaboração de fichas científicas desenvolvidas, a transcrição integral do texto e o seu confronto com a pintura e iluminura coevas, com o património de épocas precedentes e com a produção das gerações subsequentes, onde procurámos avaliar o seu impacto. Desse estudo advieram também novidades significativas relativas aos códices em análise, destacando-se a reconstituição do que consideramos ser o projecto inicial das ditas Horas ditas de D. Fernando ou D. Catarina, pretendendo-se agora que a sua visibilidade os posicione no centro da discussão nacional e internacional. Ao organizá-los por cronologias e ateliês pretendemos mostrar a evolução da linguagem pictórica que marcou a iluminura flamenga dos séculos XV e XVI, tendo a sua contextualização na produção coeva servido para melhor compreender as dinâmicas da produção do livro, da circulação de modelos, as escolhas da elites portuguesas e a grandeza dos códices que possuímos. A reconstituição do seu percurso institucional e as parcerias desenvolvidas com algumas instituições detentoras dos códices permitiram-nos avaliar e compreender danos infligidos em épocas mais recentes e reconstituir parte da história do livro. |
|---|