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Incidência de malária e associação com manifestações clínicas de anemia de células falciformes e resposta ao tratamento com hidroxiureia em crianças em Angola.
| Summary: | A malária representa uma importante causa de morbilidade e mortalidade, constituindo um grande problema de saúde pública, especialmente em países de baixa renda. Embora tenham sido implementadas várias medidas de prevenção e controlo, ao longo dos anos tem causado inúmeras epidemias, acarretando consequências económicas, sociais e políticas severas por longos períodos. Em Angola, esta patologia é endémica nas 18 províncias, com maior incidência nas províncias situadas no norte do país. A anemia falciforme destaca-se entre as doenças hematológicas hereditárias, sendo a mais prevalente a nível mundial, afetando cerca de 7% da população mundial e sendo predominante no continente africano. A hidroxiureia (HU) representa uma das formas de tratamento mais acessível para esta patologia, apesar de a sua eficácia estar comprovada, ainda existe controvérsia relativamente ao seu uso, principalmente nos países endémicos para malária. O estudo aqui apresentado integrou-se num estudo longitudinal em que duas coortes de crianças drepanocíticas, num total de 200 crianças com idades compreendidas entre 3 e 12 anos, foram acompanhadas no Hospital Geral do Bengo (Caxito) e no Hospital David Bernardino (Luanda). O objetivo deste estudo foi investigar a ocorrência de infeção subpatente por Plasmodium sp., nessas crianças, no período de abril de 2019 a junho de 2022. O estudo procurou determinar a prevalência da infeção nessas duas coortes, avaliar a incidência clínica e verificar a associação da ocorrência de malária com os dados clínicos existentes relativos às manifestações da anemia falciforme e resposta ao tratamento com HU. Estes objetivos foram alcançados através de técnicas moleculares que permitem a amplificação dos ácidos nucleicos, mais especificamente a reação em cadeia da polimerase aninhada (nested-PCR), após a extração do DNA em amostras depositadas em papel de filtro. As análises hematológicas, bioquímicas e frações de hemoglobina foram realizadas no projeto anteriormente desenvolvido. Foram analisadas várias amostras do mesmo indivíduo ao longo do tempo e das 410 amostras analisadas, 15 apresentaram a presença de DNA do parasita Plasmodium spp., resultando em 10 indivíduos infetados com este parasita, sendo a espécie Plasmodium falciparum responsável pela maioria das infeções (66,6%), seguida de Plasmodium malariae com 20% e finalmente Plasmodium ovale curtisi responsável por 13,3% das infeções. Verificou-se uma prevalência de 15,1% na cidade de Luanda e 15,6% na cidade de Bengo. Após o tratamento com HU, observou-se melhoria na hemoglobina fetal, incluindo vários parâmetros hematológicos como valores de hemoglobina, volume corpuscular médio (VCM), leucócitos e plaquetas sanguíneas, confirmando que a HU é uma terapia eficaz para o tratamento da anemia falciforme. No entanto, os parâmetros bioquímicos analisados neste estudo, como bilirrubina total, bilirrubina direta, TGO e TGP, não apresentaram diferenças assinaláveis, necessitando de mais estudos para investigação. Estes resultados permitiram um melhor conhecimento da infeção por Plasmodium spp., em crianças drepanocíticas em Angola e forneceram evidências sobre a eficácia da HU no tratamento da anemia falciforme. Estas descobertas têm implicações clínicas importantes e podem servir de base para futuros estudos e intervenções terapêuticas direcionadas a esta população específica. |
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| Main Authors: | GONÇALVES, Elisângela Maria Tavares |
| Subject: | Parasitologia médica Malária Anemia falciforme Hidroxiureia Angola |
| Year: | 2023 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | master thesis |
| Access type: | open access |
| Associated institution: | Universidade Nova de Lisboa |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | Repositório Institucional da UNL |
| Summary: | A malária representa uma importante causa de morbilidade e mortalidade, constituindo um grande problema de saúde pública, especialmente em países de baixa renda. Embora tenham sido implementadas várias medidas de prevenção e controlo, ao longo dos anos tem causado inúmeras epidemias, acarretando consequências económicas, sociais e políticas severas por longos períodos. Em Angola, esta patologia é endémica nas 18 províncias, com maior incidência nas províncias situadas no norte do país. A anemia falciforme destaca-se entre as doenças hematológicas hereditárias, sendo a mais prevalente a nível mundial, afetando cerca de 7% da população mundial e sendo predominante no continente africano. A hidroxiureia (HU) representa uma das formas de tratamento mais acessível para esta patologia, apesar de a sua eficácia estar comprovada, ainda existe controvérsia relativamente ao seu uso, principalmente nos países endémicos para malária. O estudo aqui apresentado integrou-se num estudo longitudinal em que duas coortes de crianças drepanocíticas, num total de 200 crianças com idades compreendidas entre 3 e 12 anos, foram acompanhadas no Hospital Geral do Bengo (Caxito) e no Hospital David Bernardino (Luanda). O objetivo deste estudo foi investigar a ocorrência de infeção subpatente por Plasmodium sp., nessas crianças, no período de abril de 2019 a junho de 2022. O estudo procurou determinar a prevalência da infeção nessas duas coortes, avaliar a incidência clínica e verificar a associação da ocorrência de malária com os dados clínicos existentes relativos às manifestações da anemia falciforme e resposta ao tratamento com HU. Estes objetivos foram alcançados através de técnicas moleculares que permitem a amplificação dos ácidos nucleicos, mais especificamente a reação em cadeia da polimerase aninhada (nested-PCR), após a extração do DNA em amostras depositadas em papel de filtro. As análises hematológicas, bioquímicas e frações de hemoglobina foram realizadas no projeto anteriormente desenvolvido. Foram analisadas várias amostras do mesmo indivíduo ao longo do tempo e das 410 amostras analisadas, 15 apresentaram a presença de DNA do parasita Plasmodium spp., resultando em 10 indivíduos infetados com este parasita, sendo a espécie Plasmodium falciparum responsável pela maioria das infeções (66,6%), seguida de Plasmodium malariae com 20% e finalmente Plasmodium ovale curtisi responsável por 13,3% das infeções. Verificou-se uma prevalência de 15,1% na cidade de Luanda e 15,6% na cidade de Bengo. Após o tratamento com HU, observou-se melhoria na hemoglobina fetal, incluindo vários parâmetros hematológicos como valores de hemoglobina, volume corpuscular médio (VCM), leucócitos e plaquetas sanguíneas, confirmando que a HU é uma terapia eficaz para o tratamento da anemia falciforme. No entanto, os parâmetros bioquímicos analisados neste estudo, como bilirrubina total, bilirrubina direta, TGO e TGP, não apresentaram diferenças assinaláveis, necessitando de mais estudos para investigação. Estes resultados permitiram um melhor conhecimento da infeção por Plasmodium spp., em crianças drepanocíticas em Angola e forneceram evidências sobre a eficácia da HU no tratamento da anemia falciforme. Estas descobertas têm implicações clínicas importantes e podem servir de base para futuros estudos e intervenções terapêuticas direcionadas a esta população específica. |
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