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Emoções e Securitização: o discurso da Presidência Barroso em relação à Rússia

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Através do estudo de caso do discurso da Comissão Europeia em relação à Rússia durante a Presidência Barroso procuramos compreender o uso de emoções no discurso. Verificou-se que as emoções são empenhadas de forma estratégica e não apenas como uma reação espontânea a crises. Durante este período, a literatura tem privilegiado uma perspetiva de securitização da relação entre a UE e a Rússia, nomeadamente em matéria energética, no entanto, não se identificam elementos sistemáticos da emoção medo que sustentem a construção de uma ameaça existencial. Pelo contrário, a esperança destacou-se como a emoção mais frequente, a par da irritação em momentos de maior tensão. A esperança, longe de ser apenas otimismo, surge como estratégia discursiva para incentivar a Rússia a alinhar-se com os objetivos da União Europeia. Contudo, quando as expectativas não se concretizam, a retórica corre o risco de gerar frustração e, com ela, a emoção de irritação. Este padrão revela que as emoções não se limitam a refletir crises, mas acompanham também períodos de aproximação. Este estudo contribui para ampliar o conhecimento sobre as emoções na política internacional, demonstrando que não são um reflexo das circunstâncias, mas instrumentos ativos de construção da relação entre agentes internacionais.
Autores principais:Ramos, André Manuel Carvalho
Assunto:Emoções Discurso Esperança Irritação Comissão Europeia Barroso União Europeia Rússia Emotions Discourse Hope European Commission European Union Russia
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Através do estudo de caso do discurso da Comissão Europeia em relação à Rússia durante a Presidência Barroso procuramos compreender o uso de emoções no discurso. Verificou-se que as emoções são empenhadas de forma estratégica e não apenas como uma reação espontânea a crises. Durante este período, a literatura tem privilegiado uma perspetiva de securitização da relação entre a UE e a Rússia, nomeadamente em matéria energética, no entanto, não se identificam elementos sistemáticos da emoção medo que sustentem a construção de uma ameaça existencial. Pelo contrário, a esperança destacou-se como a emoção mais frequente, a par da irritação em momentos de maior tensão. A esperança, longe de ser apenas otimismo, surge como estratégia discursiva para incentivar a Rússia a alinhar-se com os objetivos da União Europeia. Contudo, quando as expectativas não se concretizam, a retórica corre o risco de gerar frustração e, com ela, a emoção de irritação. Este padrão revela que as emoções não se limitam a refletir crises, mas acompanham também períodos de aproximação. Este estudo contribui para ampliar o conhecimento sobre as emoções na política internacional, demonstrando que não são um reflexo das circunstâncias, mas instrumentos ativos de construção da relação entre agentes internacionais.