Publicação
"Infini-rien": Análise de um problema de ponto-de-vista à luz de Pascal
| Resumo: | A expressão “infini rien” dá título a um dos textos mais discutidos das Pensées de Pascal: o fragmento em que é apresentado o argumento da aposta. Esta investigação não constitui, porém, um estudo sobre a aposta de Pascal nos seus inúmeros aspectos, nem compreende uma leitura detida do fragmento em causa. Pelo contrário, é exclusivamente focada a expressão referida. A proposta central é a de que se leia a expressão “infini/rien” como concentrando um “problema de ponto-de-vista” específico. Falamos de um “problema de ponto-de vista”, em geral, quando dois ou mais pontos-de-vista distintos sobre uma dada coisa ou sobre a própria vida, no seu todo, a mostram diversamente. O “problema de ponto-de vista” específico que aqui se analisa envolve a consideração de duas apreciações ou valorações contrastantes da vida: a vida parece valer infinitamente mais ou infinitamente menos, i.e. parece ter valor infinito ou parece não valer nada, consoante o ponto-de-vista. O nosso estudo divide-se em duas partes. Primeiro, começamos por examinar a noção genérica de “ponto-de-vista”, desdobrando-a nos seus dois termos principais (ponto -de- vista) e deixando em cima da mesa uma série de sentidos possíveis da expressão, bem como alguns aspectos-chave. Em seguida, entramos propriamente em Pascal, principiando por um levantamento concreto da “preocupação perspectivística” que, segundo defendemos, atravessa o seu pensamento. Numa segunda parte, tentamos construir o sentido do “problema de ponto-de-vista” em foco, tomando especialmente em atenção o célebre fragmento da “Desproporção do Homem” ou dos “dois infinitos”. Por fim, destacamos e analisamos brevemente alguns aspectos decisivos para a compreensão do infini/rien como “problema de ponto-de-vista” |
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| Autores principais: | Amaral, Marta Baptista |
| Assunto: | Pascal Ponto-de-vista Perspectiva Perspectivismo Diversidade Infini/rien Tudo Nada Infinito Preço Valor Ordem Subordinação Point-of-view Perspective Perspectivism Diversity Everything Nothing Infinite Price Worth Order Subordination |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | A expressão “infini rien” dá título a um dos textos mais discutidos das Pensées de Pascal: o fragmento em que é apresentado o argumento da aposta. Esta investigação não constitui, porém, um estudo sobre a aposta de Pascal nos seus inúmeros aspectos, nem compreende uma leitura detida do fragmento em causa. Pelo contrário, é exclusivamente focada a expressão referida. A proposta central é a de que se leia a expressão “infini/rien” como concentrando um “problema de ponto-de-vista” específico. Falamos de um “problema de ponto-de vista”, em geral, quando dois ou mais pontos-de-vista distintos sobre uma dada coisa ou sobre a própria vida, no seu todo, a mostram diversamente. O “problema de ponto-de vista” específico que aqui se analisa envolve a consideração de duas apreciações ou valorações contrastantes da vida: a vida parece valer infinitamente mais ou infinitamente menos, i.e. parece ter valor infinito ou parece não valer nada, consoante o ponto-de-vista. O nosso estudo divide-se em duas partes. Primeiro, começamos por examinar a noção genérica de “ponto-de-vista”, desdobrando-a nos seus dois termos principais (ponto -de- vista) e deixando em cima da mesa uma série de sentidos possíveis da expressão, bem como alguns aspectos-chave. Em seguida, entramos propriamente em Pascal, principiando por um levantamento concreto da “preocupação perspectivística” que, segundo defendemos, atravessa o seu pensamento. Numa segunda parte, tentamos construir o sentido do “problema de ponto-de-vista” em foco, tomando especialmente em atenção o célebre fragmento da “Desproporção do Homem” ou dos “dois infinitos”. Por fim, destacamos e analisamos brevemente alguns aspectos decisivos para a compreensão do infini/rien como “problema de ponto-de-vista” |
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