Publicação

Herança colonial descolonizada: o crescimento da língua portuguesa em África e o reconhecimento das normas angolana e moçambicana

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Esta dissertação tem por objetivo refletir sobre o crescimento da língua portuguesa em África e sobre o reconhecimento das normas angolana e moçambicana da língua portuguesa. Este crescimento está previsto devido às projeções de forte aumento populacional para Angola e Moçambique, no período 2015-2050-2100, apresentadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2015. Tal implicará que o centro dos falantes de língua portuguesa se desloque do Brasil para África. A verificarem-se estas projeções, Angola e Moçambique totalizarão cerca de 266 milhões de habitantes em 2100, o que ultrapassará os 200.305 milhões de habitantes estimados para o Brasil em período homólogo. Observa-se que Angola e Moçambique deverão reconhecer as suas respetivas normas da língua portuguesa e que provavelmente acabarão por fazê-lo no futuro, devido a esse crescimento populacional, o que originará um maior peso destes dois países na CPLP e consequente reforço de posição na gestão do sistema de normas desta língua. Defendemos também que será uma forma de estes dois países reduzirem as suas taxas de insucesso escolar, também decorrentes da utilização, no ensino, do português europeu, norma que não é falada pela população. Assim, Angola e Moçambique decidirão provavelmente, juntamente com o Brasil, o futuro da língua portuguesa, também por força das suas normas linguísticas que têm as suas próprias características e que, provavelmente por força do seu crescimento, reivindicarão um reconhecimento e estatuto de igualdade a par das normas brasileira e europeia. Finalmente, aponta-se a necessidade de uma maior paridade social e económica entre a língua portuguesa e as línguas africanas com que convive e por que foi modificada, assim como a necessidade de uma política linguística que ponha tal em prática.
Autores principais:Mendes, Sílvia Alexandra Simões
Assunto:Política linguística Línguas africanas Língua portuguesa Angola Moçambique África Portuguese language African languages Mozambique Linguistic policy
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Esta dissertação tem por objetivo refletir sobre o crescimento da língua portuguesa em África e sobre o reconhecimento das normas angolana e moçambicana da língua portuguesa. Este crescimento está previsto devido às projeções de forte aumento populacional para Angola e Moçambique, no período 2015-2050-2100, apresentadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2015. Tal implicará que o centro dos falantes de língua portuguesa se desloque do Brasil para África. A verificarem-se estas projeções, Angola e Moçambique totalizarão cerca de 266 milhões de habitantes em 2100, o que ultrapassará os 200.305 milhões de habitantes estimados para o Brasil em período homólogo. Observa-se que Angola e Moçambique deverão reconhecer as suas respetivas normas da língua portuguesa e que provavelmente acabarão por fazê-lo no futuro, devido a esse crescimento populacional, o que originará um maior peso destes dois países na CPLP e consequente reforço de posição na gestão do sistema de normas desta língua. Defendemos também que será uma forma de estes dois países reduzirem as suas taxas de insucesso escolar, também decorrentes da utilização, no ensino, do português europeu, norma que não é falada pela população. Assim, Angola e Moçambique decidirão provavelmente, juntamente com o Brasil, o futuro da língua portuguesa, também por força das suas normas linguísticas que têm as suas próprias características e que, provavelmente por força do seu crescimento, reivindicarão um reconhecimento e estatuto de igualdade a par das normas brasileira e europeia. Finalmente, aponta-se a necessidade de uma maior paridade social e económica entre a língua portuguesa e as línguas africanas com que convive e por que foi modificada, assim como a necessidade de uma política linguística que ponha tal em prática.