Publicação
Infeção por Borrelia burgdorferi sensu lato. Estudo em Indivíduos assintomáticos
| Resumo: | A Borreliose de Lyme (BL) é uma doença infeciosa, multissistémica e emergente. É causada por bactérias (espiroquetas) do complexo Borrelia burgdorferi sensu lato (s.l.), que são transmitidas aos humanos e animais, pela mordedura de carraças (ixodídeos), principalmente da espécie Ixodes ricinus. Em Portugal a borreliose de Lyme é uma doença de notificação obrigatória desde 1999, no entanto é subdiagnosticada, o que em parte se deve ao facto de cursar com sinais e sintomas sobreponíveis a outras doenças e ainda, porque pode evoluir de forma assintomática. De facto, tem-se verificado que há indivíduos que apesar de terem sido infetados por borrélias, não desenvolvem sintomas clínicos. Por outro lado, também se sabe que estas bactérias são capazes de sobreviver nos componentes sanguíneos após dádiva de sangue pelo que se questiona a possibilidade de transmissão deste agente infecioso por hemotransfusão. O principal objetivo deste estudo foi determinar os indivíduos com anticorpos anti- B. burgdorferi s.l. e relacionar esses achados com as características socio demográficas, clínicas, de viagens e fatores de risco de infeção. Para esta investigação, foram colhidas 129 amostras de sangue, obtidas de igual número de participantes (voluntários) assintomáticos para BL, aos quais se solicitou também o preenchimento de um inquérito clínico-epidemiológico sob consentimento informado. Os respetivos soros foram avaliados laboratorialmente por dois testes: Imunofluorescência Indireta (IFA), como teste de rastreio, seguido de um teste confirmatório, Western Blot (WB), nas amostras com resultado positivo ou borderline, isto é, com título ≥1/256 ou 1/128, respetivamente. Foram reativas para IFA, 41 amostras (31,8%). Destas, a avaliação pelo WB -IgM e -IgG revelou reatividade específica para BL em nove (9) dos indivíduos, com a seguinte distribuição: três amostras positivas (duas para IgM e uma para IgG) e seis com resultados borderline (duas para IgM e quatro para IgG). Apesar destes nove indivíduos não terem tido contacto com a carraça, os dados epidemiológicos mostraram que estiveram expostos a outros fatores de risco. Embora a amostra populacional seja reduzida, foi possível verificar que indivíduos assintomáticos podem, ao longo da sua vida, ter contactado com o agente infecioso, como foi demonstrado pela avaliação serológica realizada. Estes resultados embora preliminares, podem constituir no futuro, uma importante informação para potenciais dadores de sangue. |
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| Autores principais: | JAMAL, Salima Amirali |
| Assunto: | Borreliose de Lyme Anticorpos anti-B. burgdorferi s.l. Imunoflorescência (IFA) Western Blot Portugal |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | A Borreliose de Lyme (BL) é uma doença infeciosa, multissistémica e emergente. É causada por bactérias (espiroquetas) do complexo Borrelia burgdorferi sensu lato (s.l.), que são transmitidas aos humanos e animais, pela mordedura de carraças (ixodídeos), principalmente da espécie Ixodes ricinus. Em Portugal a borreliose de Lyme é uma doença de notificação obrigatória desde 1999, no entanto é subdiagnosticada, o que em parte se deve ao facto de cursar com sinais e sintomas sobreponíveis a outras doenças e ainda, porque pode evoluir de forma assintomática. De facto, tem-se verificado que há indivíduos que apesar de terem sido infetados por borrélias, não desenvolvem sintomas clínicos. Por outro lado, também se sabe que estas bactérias são capazes de sobreviver nos componentes sanguíneos após dádiva de sangue pelo que se questiona a possibilidade de transmissão deste agente infecioso por hemotransfusão. O principal objetivo deste estudo foi determinar os indivíduos com anticorpos anti- B. burgdorferi s.l. e relacionar esses achados com as características socio demográficas, clínicas, de viagens e fatores de risco de infeção. Para esta investigação, foram colhidas 129 amostras de sangue, obtidas de igual número de participantes (voluntários) assintomáticos para BL, aos quais se solicitou também o preenchimento de um inquérito clínico-epidemiológico sob consentimento informado. Os respetivos soros foram avaliados laboratorialmente por dois testes: Imunofluorescência Indireta (IFA), como teste de rastreio, seguido de um teste confirmatório, Western Blot (WB), nas amostras com resultado positivo ou borderline, isto é, com título ≥1/256 ou 1/128, respetivamente. Foram reativas para IFA, 41 amostras (31,8%). Destas, a avaliação pelo WB -IgM e -IgG revelou reatividade específica para BL em nove (9) dos indivíduos, com a seguinte distribuição: três amostras positivas (duas para IgM e uma para IgG) e seis com resultados borderline (duas para IgM e quatro para IgG). Apesar destes nove indivíduos não terem tido contacto com a carraça, os dados epidemiológicos mostraram que estiveram expostos a outros fatores de risco. Embora a amostra populacional seja reduzida, foi possível verificar que indivíduos assintomáticos podem, ao longo da sua vida, ter contactado com o agente infecioso, como foi demonstrado pela avaliação serológica realizada. Estes resultados embora preliminares, podem constituir no futuro, uma importante informação para potenciais dadores de sangue. |
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