Publicação
The rationalization of utterances
| Resumo: | Nesta dissertação defendo a tese de que a interpretação linguística requer racionalização, e a concepção geral de linguagem, significado e comunicação que a suporta. Por “interpretação linguística” entendo o processo através do qual os falantes chegam a atribuições de significados às elocuções dos seus interlocutores. A noção de significado relevante é a de significado que o falante pretende imprimir à expressão usada. Por “racionalização” entendo a investigação e atribuição de estados mentais a um agente, que se presume racional, com vista a fazer sentido dos estados e acções desse agente. Apela-se a uma noção de racionalidade muito rica e ampla. O fazer sentido dos pensamentos e acções de um agente pode ser articulado de várias formas: compreender, explicar, encontrar razões para, acompanhar, prever, e mais. Para ser explícito a respeito da linhagem Davidsoniana desta dissertação, noto que o que está aqui em causa é a ideia de que a interpretação deve ser moldada e guiada pelo Princípio de Caridade. Defendo que a racionalização deve estar presente - mesmo que em diferentes formas e intensidades - em toda a interpretação linguística que genuinamente vise o entendimento entre interlocutores. Isto é assim em todos os tipos de situação comunicativa e em todo os estágios de competência linguística, da interpretação radical e do aprender das palavras da primeira língua, à conversa banal entre dois falantes maduros da mesma língua oficial. A abordagem racionalizante, e a concepção geral de significado e linguagem que a fundamenta, são contrastadas com duas visões alternativas. Em primeiro lugar temos o Naturalismo de Quine com o projecto de compreender as capacidades e práticas linguísticas como um fenómeno natural que deve ser estudado e entendido através dos métodos das ciências naturais. Este projecto integra também algumas propostas a respeito do que possa ser descrito como um método apropriadamente naturalístico de interpretação linguística. A segunda alternativa, o Convencionalismo de Lepore e Stone, enfatiza o elemento convencional na linguagem e comunicação, e sustenta que, em casos normais, a interpretação linguística é exclusivamente baseada no conhecimento comum do código relevante, dispensando assim o intérprete de racionalização. Eu procuro mostrar que, não obstante méritos vários, nenhuma destas duas alternativas consegue realmente estabelecer alguma tese que comprometa, ou sequer significativamente diminua, a pertinência e valor teórico da perspectiva Davidsoniana aqui adoptada. Em particular, nenhuma delas é bem sucedida na demonstração de que a interpretação linguística pode dispensar racionalização. |
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| Autores principais: | Abreu, Pedro Rui do Espírito Santo |
| Assunto: | Racionalização Significado Interpretação Linguagem Davidson Interpretation Rationalization Meaning Language |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | Nesta dissertação defendo a tese de que a interpretação linguística requer racionalização, e a concepção geral de linguagem, significado e comunicação que a suporta. Por “interpretação linguística” entendo o processo através do qual os falantes chegam a atribuições de significados às elocuções dos seus interlocutores. A noção de significado relevante é a de significado que o falante pretende imprimir à expressão usada. Por “racionalização” entendo a investigação e atribuição de estados mentais a um agente, que se presume racional, com vista a fazer sentido dos estados e acções desse agente. Apela-se a uma noção de racionalidade muito rica e ampla. O fazer sentido dos pensamentos e acções de um agente pode ser articulado de várias formas: compreender, explicar, encontrar razões para, acompanhar, prever, e mais. Para ser explícito a respeito da linhagem Davidsoniana desta dissertação, noto que o que está aqui em causa é a ideia de que a interpretação deve ser moldada e guiada pelo Princípio de Caridade. Defendo que a racionalização deve estar presente - mesmo que em diferentes formas e intensidades - em toda a interpretação linguística que genuinamente vise o entendimento entre interlocutores. Isto é assim em todos os tipos de situação comunicativa e em todo os estágios de competência linguística, da interpretação radical e do aprender das palavras da primeira língua, à conversa banal entre dois falantes maduros da mesma língua oficial. A abordagem racionalizante, e a concepção geral de significado e linguagem que a fundamenta, são contrastadas com duas visões alternativas. Em primeiro lugar temos o Naturalismo de Quine com o projecto de compreender as capacidades e práticas linguísticas como um fenómeno natural que deve ser estudado e entendido através dos métodos das ciências naturais. Este projecto integra também algumas propostas a respeito do que possa ser descrito como um método apropriadamente naturalístico de interpretação linguística. A segunda alternativa, o Convencionalismo de Lepore e Stone, enfatiza o elemento convencional na linguagem e comunicação, e sustenta que, em casos normais, a interpretação linguística é exclusivamente baseada no conhecimento comum do código relevante, dispensando assim o intérprete de racionalização. Eu procuro mostrar que, não obstante méritos vários, nenhuma destas duas alternativas consegue realmente estabelecer alguma tese que comprometa, ou sequer significativamente diminua, a pertinência e valor teórico da perspectiva Davidsoniana aqui adoptada. Em particular, nenhuma delas é bem sucedida na demonstração de que a interpretação linguística pode dispensar racionalização. |
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