Publicação
O prazer vale a despesa? : considerações em torno de uma noção de adição na cultura
| Resumo: | A presente tese pretende descortinar o modo como o consumo de psicotrópicos se relaciona com a estrutura metafísica ocidental que, desde Platão, assenta numa divisão do plano do real e numa instituição da falta que é responsável pela constituição dos sujeitos ocidentais como sujeitos faltantes e cujo projecto foi prosseguido pelo cristianismo, pela psicanálise e pelo capitalismo enquanto sistemas de dependência. A partir desta análise tentar-se-á compreender de que forma a técnica, e sobretudo as novas tecnologias, aproveitam o programa da maquinaria da afecção e da percepção da tecnologia química das drogas para mobilizar os sujeitos e, ainda de que forma o ciberespaço se assume como o duplo espaço do real e como um espaço de controlo. Trata-se de compreender a lógica, os mecanismos e os dispositivos que um pensamento que sempre trabalhou contra o corpo e os seus entusiasmo utiliza para controlar a sensibilidade através de um carácter que considerámos claramente psicadélico. Trata-se também de explorar o carácter alucinatório da técnica, desde o aparecimento dos novos media no século XIX, e a sua relação com a instituição de um novo espaço de controlo, o ciberespaço. Pretendemos ainda investigar a actual compulsão à ligação que rege as nossas conexões com os objectos, os corpos e as imagens e é responsável pela instituição de procedimentos de dependência em todas as zonas da cultura. Trata-se de descortinar o aspecto compulsivo e aditivo de ligações que se pretendem livres e aleatórias. O grande objectivo deste trabalho é encontrar formas de guerrilha válidas para quebrar as linhas mediáticas de associação, capazes de enfrentar o controlo crescente que, senão capazes de libertar o homem da sua servidão, sejam pelo menos capazes de desocultar o seu encarceramento voluntário. |
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| Autores principais: | Nunes, Patrícia Isabel Bárbara Guerreiro |
| Assunto: | Psicotrópicos Adição Alucinação Cultura Metafísica Técnica Ciberespaço |
| Ano: | 2008 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | A presente tese pretende descortinar o modo como o consumo de psicotrópicos se relaciona com a estrutura metafísica ocidental que, desde Platão, assenta numa divisão do plano do real e numa instituição da falta que é responsável pela constituição dos sujeitos ocidentais como sujeitos faltantes e cujo projecto foi prosseguido pelo cristianismo, pela psicanálise e pelo capitalismo enquanto sistemas de dependência. A partir desta análise tentar-se-á compreender de que forma a técnica, e sobretudo as novas tecnologias, aproveitam o programa da maquinaria da afecção e da percepção da tecnologia química das drogas para mobilizar os sujeitos e, ainda de que forma o ciberespaço se assume como o duplo espaço do real e como um espaço de controlo. Trata-se de compreender a lógica, os mecanismos e os dispositivos que um pensamento que sempre trabalhou contra o corpo e os seus entusiasmo utiliza para controlar a sensibilidade através de um carácter que considerámos claramente psicadélico. Trata-se também de explorar o carácter alucinatório da técnica, desde o aparecimento dos novos media no século XIX, e a sua relação com a instituição de um novo espaço de controlo, o ciberespaço. Pretendemos ainda investigar a actual compulsão à ligação que rege as nossas conexões com os objectos, os corpos e as imagens e é responsável pela instituição de procedimentos de dependência em todas as zonas da cultura. Trata-se de descortinar o aspecto compulsivo e aditivo de ligações que se pretendem livres e aleatórias. O grande objectivo deste trabalho é encontrar formas de guerrilha válidas para quebrar as linhas mediáticas de associação, capazes de enfrentar o controlo crescente que, senão capazes de libertar o homem da sua servidão, sejam pelo menos capazes de desocultar o seu encarceramento voluntário. |
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