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Constrangimentos e Oportunidades de Melhoria na Referenciação Hospitalar para os Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental

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Resumo:RESUMO - Introdução: A referenciação para Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental (CCISM) tem constrangimentos que limitam a continuidade assistencial e prolongam o internamento hospitalar. O estudo explora as dificuldades de técnicos referenciadores na gestão dos processos de referenciação hospitalar às unidades residenciais de CCISM para adultos e de coordenadores da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) no planeamento de tais recursos e na atribuição de vaga ao utente. Metodologia: Investigação de cariz qualitativo com recurso ao estudo de caso múltiplo, composto por uma Equipa de Coordenação Regional (ECR) da RNCCI, pela Equipa de Gestão de Altas (EGA) de um hospital psiquiátrico e pela Equipa Referenciadora (ER) aos CCISM de um hospital geral do Serviço Nacional de Saúde. Em 2022 e 2023 foram realizadas entrevistas semiestruturadas a oito profissionais de saúde e apoio social das três equipas multidisciplinares, mediante a aplicação de guiões de entrevista. O material discursivo foi áudio-gravado, transcrito e sujeito a análise temática e codificação. Resultados: Neste estudo identificaram-se 35 constrangimentos e 29 recomendações sobre quatro temas principais emergentes das entrevistas. O "Planeamento regional das respostas de CCISM” (Tema 1) é, sobretudo, dificultado pelo incipiente desenvolvimento desta valência da Rede, sendo recomendável expandir territorialmente os CCISM e criar lugares residenciais isentos de reconversões. O “Planeamento das altas hospitalares de utentes adultos referenciados para as unidades residenciais de CCISM” (Tema 2) é, principalmente, obstruído pela ausência de vagas e escassez de tipologias adequadas às necessidades dos utentes, sendo prioritário reduzir o seu tempo de espera. A “Gestão hospitalar dos processos de referenciação para as unidades residenciais de CCISM” (Tema 3) é, sobretudo, obstruída pelo desconhecimento dos profissionais sinalizadores sobre os objetivos, os serviços e critérios de admissão em CCISM, sendo recomendável estabelecer uma articulação de maior proximidade e uma comunicação mais direta e personalizada entre tais técnicos e cada ER hospitalar. A “Articulação interinstitucional na referenciação para as unidades residenciais de CCISM” (Tema 4) é primordialmente obstaculizada pela excessiva burocratização na fase de validação das propostas, sendo fulcral estabelecer uma ligação de maior proximidade e uma comunicação mais direta e personalizada entre cada ER hospitalar e as equipas de coordenação local da RNCCI. Conclusão: O processo de referenciação às residências de CCISM deve ser melhorado para retirar atempadamente os utentes adultos com doença mental grave dos hospitais e para responder às suas necessidades de reabilitação psicossocial na comunidade.
Autores principais:Marques, Tatiana dos Santos
Assunto:Cuidados continuados integrados de saúde mental constrangimentos sinalização referenciação hospitalar doença mental grave reabilitação psicossocial Long-term mental health care constraints signaling hospital referral severe mental illness psychosocial rehabilitation
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:outro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:RESUMO - Introdução: A referenciação para Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental (CCISM) tem constrangimentos que limitam a continuidade assistencial e prolongam o internamento hospitalar. O estudo explora as dificuldades de técnicos referenciadores na gestão dos processos de referenciação hospitalar às unidades residenciais de CCISM para adultos e de coordenadores da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) no planeamento de tais recursos e na atribuição de vaga ao utente. Metodologia: Investigação de cariz qualitativo com recurso ao estudo de caso múltiplo, composto por uma Equipa de Coordenação Regional (ECR) da RNCCI, pela Equipa de Gestão de Altas (EGA) de um hospital psiquiátrico e pela Equipa Referenciadora (ER) aos CCISM de um hospital geral do Serviço Nacional de Saúde. Em 2022 e 2023 foram realizadas entrevistas semiestruturadas a oito profissionais de saúde e apoio social das três equipas multidisciplinares, mediante a aplicação de guiões de entrevista. O material discursivo foi áudio-gravado, transcrito e sujeito a análise temática e codificação. Resultados: Neste estudo identificaram-se 35 constrangimentos e 29 recomendações sobre quatro temas principais emergentes das entrevistas. O "Planeamento regional das respostas de CCISM” (Tema 1) é, sobretudo, dificultado pelo incipiente desenvolvimento desta valência da Rede, sendo recomendável expandir territorialmente os CCISM e criar lugares residenciais isentos de reconversões. O “Planeamento das altas hospitalares de utentes adultos referenciados para as unidades residenciais de CCISM” (Tema 2) é, principalmente, obstruído pela ausência de vagas e escassez de tipologias adequadas às necessidades dos utentes, sendo prioritário reduzir o seu tempo de espera. A “Gestão hospitalar dos processos de referenciação para as unidades residenciais de CCISM” (Tema 3) é, sobretudo, obstruída pelo desconhecimento dos profissionais sinalizadores sobre os objetivos, os serviços e critérios de admissão em CCISM, sendo recomendável estabelecer uma articulação de maior proximidade e uma comunicação mais direta e personalizada entre tais técnicos e cada ER hospitalar. A “Articulação interinstitucional na referenciação para as unidades residenciais de CCISM” (Tema 4) é primordialmente obstaculizada pela excessiva burocratização na fase de validação das propostas, sendo fulcral estabelecer uma ligação de maior proximidade e uma comunicação mais direta e personalizada entre cada ER hospitalar e as equipas de coordenação local da RNCCI. Conclusão: O processo de referenciação às residências de CCISM deve ser melhorado para retirar atempadamente os utentes adultos com doença mental grave dos hospitais e para responder às suas necessidades de reabilitação psicossocial na comunidade.