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A Ruína do Quotidiano na Poesia de Inês Dias

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Para além de poeta, Inês Dias é tradutora e editora, o que faz com que o interesse nestas três atividades coincidam (muitas vezes os seus interesses enquanto tradutora traduziram-se nas suas obras). Através da análise da sua poesia apercebemo-nos de que somos transportados, enquanto leitores, para um quotidiano singular através das associações com a cultura popular, feitas nas epígrafes e nos seus próprios versos. A construção do quotidiano enquanto experiência do dia a dia ganha consistência através: a) do exercício de “práticas comuns” – tal como foram pensadas por Michel de Certeau , b) da circulação e do uso de Objetos – conforme a perspetiva defendida por Henri Lefebvre –, e os c) da configuração de uma rotina que se revê na repetição de gestos maquinais que se propagam ao longo dos poemas. Porém, apesar do fundo de estabilidade e de segurança que possa ecoar, esta experiência do quotidiano pauta-se pela perda, que, por sua vez, leva a uma quebra da rotina que antes a instaurava. Assim, este quotidiano constrói-se à beira de um abismo e a possibilidade de se estilhaçar é alta. Estamos assim perante a ruína que espreita em todos os poemas e livros de Inês Dias. No entanto, mesmo sabendo que a experiência do quotidiano se erige sob o signo da ruína, Inês Dias não deixa de o tentar construir, e de o reconstruir, mesmo se essa tentativa é em vão.
Autores principais:Silva, Beatriz Santos Reis
Assunto:Inês Dias Poesia portuguesa Quotidiano Ruína Portuguese poetry Everyday life Ruin
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Para além de poeta, Inês Dias é tradutora e editora, o que faz com que o interesse nestas três atividades coincidam (muitas vezes os seus interesses enquanto tradutora traduziram-se nas suas obras). Através da análise da sua poesia apercebemo-nos de que somos transportados, enquanto leitores, para um quotidiano singular através das associações com a cultura popular, feitas nas epígrafes e nos seus próprios versos. A construção do quotidiano enquanto experiência do dia a dia ganha consistência através: a) do exercício de “práticas comuns” – tal como foram pensadas por Michel de Certeau , b) da circulação e do uso de Objetos – conforme a perspetiva defendida por Henri Lefebvre –, e os c) da configuração de uma rotina que se revê na repetição de gestos maquinais que se propagam ao longo dos poemas. Porém, apesar do fundo de estabilidade e de segurança que possa ecoar, esta experiência do quotidiano pauta-se pela perda, que, por sua vez, leva a uma quebra da rotina que antes a instaurava. Assim, este quotidiano constrói-se à beira de um abismo e a possibilidade de se estilhaçar é alta. Estamos assim perante a ruína que espreita em todos os poemas e livros de Inês Dias. No entanto, mesmo sabendo que a experiência do quotidiano se erige sob o signo da ruína, Inês Dias não deixa de o tentar construir, e de o reconstruir, mesmo se essa tentativa é em vão.