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A Marinha portuguesa entre guerras : 1919-1939. Política Naval e política externa

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Resumo:Esta tese de doutoramento analisa a política naval portuguesa no período entre as guerras mundiais do século XX, por intermédio das influências domésticas e internacionais, e os seus efeitos na política externa. Com base no desenvolvimento de um conjunto de variáveis selecionadas no âmbito da Marinha Portuguesa, pretende-se conferir a política externa em situações de transição política, atestando a continuidade dos desígnios nacionais de Portugal. O fundamento teórico ancora a importância de fatores domésticos na formulação da política externa, assim como na perceção dos decisores políticos e dos governantes face ao poder material relativo do Estado, às ameaças a que este está sujeito num ambiente não cooperativo, e aos diferentes incidentes em confronto, quer de natureza doméstica quer de natureza externa. Para a avaliação dos cenários doméstico e internacional, têm especial relevância as narrativas sobre o período contemporâneo, em particular as que se referem à aliança inglesa, ao posicionamento prudente em relação à Espanha e à ligação com o Brasil. É neste âmbito que avaliamos o poder naval português. Através da análise às estruturas orgânicas e aos recursos humanos da Marinha no período 1919-1939, detetámos tendências relacionadas com o exercício da política doméstica ao passo que o escrutínio dos recursos financeiros e o peso da esquadra permitiram aferir formantes próprios da evolução da política externa. Assim, o envolvimento dos recursos financeiros e dos navios seria bastante para conhecer a interação entre a política naval e a política externa, ou o reflexo daquela política nesta última, mas insuficiente para reconhecer as iniciativas dos dirigentes políticos tendo em vista a ação da Marinha e dos seus militares na política doméstica. A análise realizada permite inferir que os três pilares de reflexão: as narrativas do cenário político, os dados organizacionais relativos à estrutura da Marinha e ao seu financiamento e, finalmente, os elementos instrumentais relativos à definição da política externa e oriundos do MNE, desmascaram o malogro das políticas destinadas à edificação de uma expressão naval credível no período entre guerras.
Autores principais:Gil, João Afonso Marques Coelho
Assunto:Política naval Interguerras Marinha portuguesa Política naval Política externa Portuguese navy Naval policy Foreign policy
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Esta tese de doutoramento analisa a política naval portuguesa no período entre as guerras mundiais do século XX, por intermédio das influências domésticas e internacionais, e os seus efeitos na política externa. Com base no desenvolvimento de um conjunto de variáveis selecionadas no âmbito da Marinha Portuguesa, pretende-se conferir a política externa em situações de transição política, atestando a continuidade dos desígnios nacionais de Portugal. O fundamento teórico ancora a importância de fatores domésticos na formulação da política externa, assim como na perceção dos decisores políticos e dos governantes face ao poder material relativo do Estado, às ameaças a que este está sujeito num ambiente não cooperativo, e aos diferentes incidentes em confronto, quer de natureza doméstica quer de natureza externa. Para a avaliação dos cenários doméstico e internacional, têm especial relevância as narrativas sobre o período contemporâneo, em particular as que se referem à aliança inglesa, ao posicionamento prudente em relação à Espanha e à ligação com o Brasil. É neste âmbito que avaliamos o poder naval português. Através da análise às estruturas orgânicas e aos recursos humanos da Marinha no período 1919-1939, detetámos tendências relacionadas com o exercício da política doméstica ao passo que o escrutínio dos recursos financeiros e o peso da esquadra permitiram aferir formantes próprios da evolução da política externa. Assim, o envolvimento dos recursos financeiros e dos navios seria bastante para conhecer a interação entre a política naval e a política externa, ou o reflexo daquela política nesta última, mas insuficiente para reconhecer as iniciativas dos dirigentes políticos tendo em vista a ação da Marinha e dos seus militares na política doméstica. A análise realizada permite inferir que os três pilares de reflexão: as narrativas do cenário político, os dados organizacionais relativos à estrutura da Marinha e ao seu financiamento e, finalmente, os elementos instrumentais relativos à definição da política externa e oriundos do MNE, desmascaram o malogro das políticas destinadas à edificação de uma expressão naval credível no período entre guerras.