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Identidade e migração em Portugal: passado e presente

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Resumo:Esta dissertação trabalha com a ideia de que a invocação de sistemas coloniais de conhecimento é realizada ainda hoje por partidos políticos, na busca de uma identidade nacional fixa na qual seu eleitorado possa se reconhecer. Os sentimentos de pertença assim promovidos lidam com uma imagem homogênea da comunidade nacional, idealizada e anterior aos avanços nos sistemas de transporte e comunicação que levariam à pós-modernidade. Diante da multiplicidade identitária que as atuais redes transnacionais permitem, partidos modificam seus discursos para atender a parcelas da população que se acreditam prejudicadas ou ameaçadas pela presença imigrante. Com isto em mente, a dissertação se divide em cinco partes: o primeiro capítulo discute o processo de formação identitária e sua associação com o estado-nação; ele é seguido por um breve exame da migração no mundo atual e como se desenvolve em Portugal especificamente; o terceiro capítulo apresenta um estudo do cenário político interligado ao tema das migrações, no qual discutimos a emergência de partidos neonacionalistas e a politização das imigrações; o quarto capítulo trata de sistemas coloniais de conhecimento, numa descrição dos conceitos historicamente criados para justificar a exploração imperial; e, por fim, temos a análise do programa eleitoral de seis partidos portugueses – o Chega, o Bloco de Esquerda, a Iniciativa Liberal, o Partido Comunista Português, o Partido Socialista e o Partido Social Democrata – durante as eleições legislativas de 2019, de modo a verificar possíveis utilizações dessas ideologias e imaginários imperiais. É realizada uma análise quantitativa de termos associados a essas ideologias, cujo resultado serve como base para a análise qualitativa dos programas. O objetivo é determinar se esse legado imperial ainda aparece no cenário político de Portugal e como os partidos equilibram a imagem de um país historicamente tolerante com a perpetuação de ideologias desenvolvidas para sustentar o sistema de exploração colonial. Questionamos, ademais, se a entrada de partidos de direita na Assembleia da República em 2019 pode ser enquadrada no contexto mais abrangente da emergência de direitas neonacionalistas na Europa como um todo.
Autores principais:Mota, Larissa Monteiro
Assunto:Portugal Identidade nacional Discurso político Identidades políticas National identity Political discourse Political identities
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Esta dissertação trabalha com a ideia de que a invocação de sistemas coloniais de conhecimento é realizada ainda hoje por partidos políticos, na busca de uma identidade nacional fixa na qual seu eleitorado possa se reconhecer. Os sentimentos de pertença assim promovidos lidam com uma imagem homogênea da comunidade nacional, idealizada e anterior aos avanços nos sistemas de transporte e comunicação que levariam à pós-modernidade. Diante da multiplicidade identitária que as atuais redes transnacionais permitem, partidos modificam seus discursos para atender a parcelas da população que se acreditam prejudicadas ou ameaçadas pela presença imigrante. Com isto em mente, a dissertação se divide em cinco partes: o primeiro capítulo discute o processo de formação identitária e sua associação com o estado-nação; ele é seguido por um breve exame da migração no mundo atual e como se desenvolve em Portugal especificamente; o terceiro capítulo apresenta um estudo do cenário político interligado ao tema das migrações, no qual discutimos a emergência de partidos neonacionalistas e a politização das imigrações; o quarto capítulo trata de sistemas coloniais de conhecimento, numa descrição dos conceitos historicamente criados para justificar a exploração imperial; e, por fim, temos a análise do programa eleitoral de seis partidos portugueses – o Chega, o Bloco de Esquerda, a Iniciativa Liberal, o Partido Comunista Português, o Partido Socialista e o Partido Social Democrata – durante as eleições legislativas de 2019, de modo a verificar possíveis utilizações dessas ideologias e imaginários imperiais. É realizada uma análise quantitativa de termos associados a essas ideologias, cujo resultado serve como base para a análise qualitativa dos programas. O objetivo é determinar se esse legado imperial ainda aparece no cenário político de Portugal e como os partidos equilibram a imagem de um país historicamente tolerante com a perpetuação de ideologias desenvolvidas para sustentar o sistema de exploração colonial. Questionamos, ademais, se a entrada de partidos de direita na Assembleia da República em 2019 pode ser enquadrada no contexto mais abrangente da emergência de direitas neonacionalistas na Europa como um todo.