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Elementos de uma cultura dinástica e visual: os sinais heráldicos e emblemáticos do rei D. Duarte

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O século XV constituiu um período revolucionário para a heráldica portuguesa, que adquiriu uma função social e uma carga semiótica bem distintas das que desempenhara até então. Nessa transmutação, a Casa Real assumiu um papel de primeira plana, quer na escolha e exibição dos seus próprios sinais identificativos, quer na organização dos alheios; foram sendo gerados os mecanismos de instrumentalização da heráldica ao serviço da centralização do poder régio e da construção de uma nova cultura nobiliárquica. É no âmbito desta viragem que se situa, precisamente, o reinado de D. Duarte, tanto pela criação dos primeiros meios de interferência régia na heráldica da nobreza, como pela construção de um discurso emblemático próprio. Este discurso organizou-se como forma visual de propaganda dinástica, caracterizando-se pela sua complexidade temática e plástica. A heráldica e a emblemática régias estabeleceram-se, assim, como exibição e propaganda visual dos fundamentos da legitimidade do poder: não apenas os genealógicos, mas também aqueles que se fundavam nos modelos comportamentais transmitidos pela literatura cavaleiresca e especular cultivada na corte. Nesse sentido, a heráldica e a emblemática do rei D. Duarte surgem como instrumentos privilegiados da propaganda dinástica e da cultura de corte, inserindo-se no âmbito mais vasto dos sinais visuais da Casa de Avis e, bem assim, das demais dinastias com as quais a linhagem portuguesa mantinha relações de proximidade.
Autores principais:Seixas, Miguel Metelo de
Outros Autores:Galvão-Telles, João Bernardo
Assunto:Heráldica Casa de Avis Emblemática Representação do poder Memória Património Cultura visual Cultura dinástica
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:O século XV constituiu um período revolucionário para a heráldica portuguesa, que adquiriu uma função social e uma carga semiótica bem distintas das que desempenhara até então. Nessa transmutação, a Casa Real assumiu um papel de primeira plana, quer na escolha e exibição dos seus próprios sinais identificativos, quer na organização dos alheios; foram sendo gerados os mecanismos de instrumentalização da heráldica ao serviço da centralização do poder régio e da construção de uma nova cultura nobiliárquica. É no âmbito desta viragem que se situa, precisamente, o reinado de D. Duarte, tanto pela criação dos primeiros meios de interferência régia na heráldica da nobreza, como pela construção de um discurso emblemático próprio. Este discurso organizou-se como forma visual de propaganda dinástica, caracterizando-se pela sua complexidade temática e plástica. A heráldica e a emblemática régias estabeleceram-se, assim, como exibição e propaganda visual dos fundamentos da legitimidade do poder: não apenas os genealógicos, mas também aqueles que se fundavam nos modelos comportamentais transmitidos pela literatura cavaleiresca e especular cultivada na corte. Nesse sentido, a heráldica e a emblemática do rei D. Duarte surgem como instrumentos privilegiados da propaganda dinástica e da cultura de corte, inserindo-se no âmbito mais vasto dos sinais visuais da Casa de Avis e, bem assim, das demais dinastias com as quais a linhagem portuguesa mantinha relações de proximidade.