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Surto de tosse convulsa na Região de Lisboa e Vale do Tejo durante o ano 2012

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Detalhes bibliográficos
Resumo:RESUMO - Introdução: A tosse convulsa permanece um grave problema de saúde publica em Portugal e em todo mundo e continua a ser uma das principais causas de morte entre as doenças evitáveis pela vacinação. Apesar de altas taxas de cobertura vacinal em países desenvolvidos, incluindo Portugal, tem-se registado nos últimos anos um aumento de casos de tosse convulsa. A tosse convulsa é uma infeção respiratória, altamente contagiosa e endémica, causada pela bactéria Bordetella pertussis ou Bordetella parapertussis. A doença caracteriza-se por uma tosse paroxística e estridor. Objetivo: descrever e caracterizar o surto de tosse convulsa ocorrido na Região de Lisboa e Vale do Tejo no período entre 01 de janeiro e 31 de dezembro de 2012. Métodos: realizou-se um estudo epidemiológico observacional, descritivo, transversal com análise de informação retrospetiva. Resultados: no período estudado foram contabilizados 81 casos de tosse convulsa, principalmente lactentes menores de seis meses de idade (n=70: 86,4%), (dos quais 9 eram casos prováveis (11,1%) e 72 confirmados (88,9%). Observaram-se casos em adultos com necessidade de internamento. O primeiro caso ocorreu na segunda semana de janeiro, mas a maior incidência de casos registou-se entre 01 de maio e 29 de julho de 2012 com ligeira predominância no sexo feminino. A taxa de incidência observada foi de 2,2/100.000 hab. A maioria dos doentes com tosse convulsa residiam no concelho de Lisboa (n = 16; 19.8%). Foram internadas 69 pessoas, principalmente lactentes com idade inferior a 3 meses e com duração média de 11 dias. Em 33% (n=24) dos internamentos registaram-se complicações, sendo a pneumonia a complicação mais frequente (n=21; 31,8%). Há associação estatisticamente significativa a idade (p=0,000) e o estado de imunização (p=0,000) dos doentes com tosse convulsa e a hospitalização. Ocorreram dois óbitos que corresponde a uma taxa de letalidade de 2,5%. Conclusão: os lactentes com idade inferior a seis meses, que ainda não estão imunizados ou sem a promovacinação completa foram os mais afetados e apresentaram elevados números de internamentos, complicações e mortalidade. A gravidade da doença está ligada diretamente com a idade e o estado de imunização. Os membros da família foram identificados como fonte de contagio importante, principalmente os pais e/ou irmãos mais velhos. Em maioria dos casos a duração da tosse foi menor do que 14 dias.
Autores principais:Shogenova, Larisa
Assunto:Tosse convulsa Bordetella pertússis Surto Lactentes Internamento Lisboa e Vale do Tejo Whooping cough Bordetella pertussis Outbreak Infants hospitalization Lisbon and Tagus Valley
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:RESUMO - Introdução: A tosse convulsa permanece um grave problema de saúde publica em Portugal e em todo mundo e continua a ser uma das principais causas de morte entre as doenças evitáveis pela vacinação. Apesar de altas taxas de cobertura vacinal em países desenvolvidos, incluindo Portugal, tem-se registado nos últimos anos um aumento de casos de tosse convulsa. A tosse convulsa é uma infeção respiratória, altamente contagiosa e endémica, causada pela bactéria Bordetella pertussis ou Bordetella parapertussis. A doença caracteriza-se por uma tosse paroxística e estridor. Objetivo: descrever e caracterizar o surto de tosse convulsa ocorrido na Região de Lisboa e Vale do Tejo no período entre 01 de janeiro e 31 de dezembro de 2012. Métodos: realizou-se um estudo epidemiológico observacional, descritivo, transversal com análise de informação retrospetiva. Resultados: no período estudado foram contabilizados 81 casos de tosse convulsa, principalmente lactentes menores de seis meses de idade (n=70: 86,4%), (dos quais 9 eram casos prováveis (11,1%) e 72 confirmados (88,9%). Observaram-se casos em adultos com necessidade de internamento. O primeiro caso ocorreu na segunda semana de janeiro, mas a maior incidência de casos registou-se entre 01 de maio e 29 de julho de 2012 com ligeira predominância no sexo feminino. A taxa de incidência observada foi de 2,2/100.000 hab. A maioria dos doentes com tosse convulsa residiam no concelho de Lisboa (n = 16; 19.8%). Foram internadas 69 pessoas, principalmente lactentes com idade inferior a 3 meses e com duração média de 11 dias. Em 33% (n=24) dos internamentos registaram-se complicações, sendo a pneumonia a complicação mais frequente (n=21; 31,8%). Há associação estatisticamente significativa a idade (p=0,000) e o estado de imunização (p=0,000) dos doentes com tosse convulsa e a hospitalização. Ocorreram dois óbitos que corresponde a uma taxa de letalidade de 2,5%. Conclusão: os lactentes com idade inferior a seis meses, que ainda não estão imunizados ou sem a promovacinação completa foram os mais afetados e apresentaram elevados números de internamentos, complicações e mortalidade. A gravidade da doença está ligada diretamente com a idade e o estado de imunização. Os membros da família foram identificados como fonte de contagio importante, principalmente os pais e/ou irmãos mais velhos. Em maioria dos casos a duração da tosse foi menor do que 14 dias.