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Entre ilhas: Etnografias da circulação nos Açores

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Resumo:A tese “Entre Ilhas: etnografias da circulação nos Açores” analisa as circulações marítimas que se produziram ao redor dos Açores, desde o seu povoamento até à década de oitenta do século XX, altura em que o avião substitui definitivamente o barco na maioria das rotas. Trata-se, pois, de uma etnografia do passado que se foca principalmente no século XX, e que parte do mar como meio de comunicação para analisar como é que os açorianos se relacionavam com as ilhas vizinhas, com o reino/nação a que pertenciam e com o resto do mundo, e de que maneira essas relações, e essa forma de circular, marcaram o modus vivendi e os discursos identitários do arquipélago. A sequência em que as rotas são analisadas – das mais próximas às mais longínquas - não é aleatória: contrariando a prioridade que na era da globalização é usualmente dada a análise de modos maiores da circulação, este projeto coloca no centro da sua análise as navegações mais próximas, entre ilhas primeiro e com Lisboa depois, para pensar a partir delas as navegações e relações transatlânticas. Desta forma, procura-se descolonizar a reflexão sobre os espaços insulares, desconstruindo o olhar que subordina as ilhas aos continentes e que pensa o mar como um espaço socialmente vazio, trazendo assim para a discussão conceitos como os de “aquapélago” ou de “arquipelagic thinking”. Para o fazer, apresentamos uma etnografia em trânsito que segue espacial e temporalmente as intensas trocas que se produziam entre ilhas e com o continente e as dinâmicas que se estabeleciam por via marítima. Assim, trata-se de uma pesquisa etnográfica que se desdobra no tempo e no espaço: o trabalho de campo (com recolha de memórias, arquivos fotográficos, diários pessoais e documentos oficiais) inclui múltiplos tempos e estende a sua incidência de terreno a nove ilhas e aos barcos que as ligam. Em diálogo com a literatura, pretende-se com este projeto enriquecer a reflexão sobre fronteiras e atravessamentos na antropologia contemporânea e problematizar o peso que temas como isolamento/cosmopolitismo e centro /periferia têm na tematização da identidade dos Açores e nas identidades insulares em geral. O projeto “Entre ilhas”, de que esta tese é um dos resultados, apresenta-se numa dupla vertente: como etnografia escrita e como documentário etnográfico. Apesar de partilharem o nome, as duas produções diferenciam-se não só na linguagem, mas também no tom e na abordagem, funcionado como objetos independentes, mas complementares. O desdobramento autoral (eu realizadora/eu antropóloga) junta-se assim ao desdobramento espacial e temporal, construindo um universo de múltiplas leituras.
Autores principais:Langreo, Amaya Sumpsi
Assunto:Circulação Ilhas memórias Mar Navios Açores Aquapélago Azores Circulation Islands Sea Ships
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:A tese “Entre Ilhas: etnografias da circulação nos Açores” analisa as circulações marítimas que se produziram ao redor dos Açores, desde o seu povoamento até à década de oitenta do século XX, altura em que o avião substitui definitivamente o barco na maioria das rotas. Trata-se, pois, de uma etnografia do passado que se foca principalmente no século XX, e que parte do mar como meio de comunicação para analisar como é que os açorianos se relacionavam com as ilhas vizinhas, com o reino/nação a que pertenciam e com o resto do mundo, e de que maneira essas relações, e essa forma de circular, marcaram o modus vivendi e os discursos identitários do arquipélago. A sequência em que as rotas são analisadas – das mais próximas às mais longínquas - não é aleatória: contrariando a prioridade que na era da globalização é usualmente dada a análise de modos maiores da circulação, este projeto coloca no centro da sua análise as navegações mais próximas, entre ilhas primeiro e com Lisboa depois, para pensar a partir delas as navegações e relações transatlânticas. Desta forma, procura-se descolonizar a reflexão sobre os espaços insulares, desconstruindo o olhar que subordina as ilhas aos continentes e que pensa o mar como um espaço socialmente vazio, trazendo assim para a discussão conceitos como os de “aquapélago” ou de “arquipelagic thinking”. Para o fazer, apresentamos uma etnografia em trânsito que segue espacial e temporalmente as intensas trocas que se produziam entre ilhas e com o continente e as dinâmicas que se estabeleciam por via marítima. Assim, trata-se de uma pesquisa etnográfica que se desdobra no tempo e no espaço: o trabalho de campo (com recolha de memórias, arquivos fotográficos, diários pessoais e documentos oficiais) inclui múltiplos tempos e estende a sua incidência de terreno a nove ilhas e aos barcos que as ligam. Em diálogo com a literatura, pretende-se com este projeto enriquecer a reflexão sobre fronteiras e atravessamentos na antropologia contemporânea e problematizar o peso que temas como isolamento/cosmopolitismo e centro /periferia têm na tematização da identidade dos Açores e nas identidades insulares em geral. O projeto “Entre ilhas”, de que esta tese é um dos resultados, apresenta-se numa dupla vertente: como etnografia escrita e como documentário etnográfico. Apesar de partilharem o nome, as duas produções diferenciam-se não só na linguagem, mas também no tom e na abordagem, funcionado como objetos independentes, mas complementares. O desdobramento autoral (eu realizadora/eu antropóloga) junta-se assim ao desdobramento espacial e temporal, construindo um universo de múltiplas leituras.