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O pretérito perfeito passivo, do latim ao português: estudo de caso a partir do género epigráfico
| Resumo: | O objetivo desta dissertação é aprofundar os nossos conhecimentos sobre a forma como se desenvolveu o pretérito perfeito passivo na transição do latim para o português. Na primeira parte, apresentamos os fundamentos teóricos e metodológicos do projeto de investigação, salientando alguns dados sobre o funcionamento do verbo em latim, nos sistemas do infectum e do perfectum, e caraterizando as formas e os valores que estão associados ao paradigma acima identificado. Na segunda parte, apresentamos o corpus epigráfico e procedemos à análise dos dados linguísticos, sob os pontos de vista scriptográfico, sintático e semântico, formulando uma hipótese que tenta explicar a coexistência de duas formas para uma só categoria verbal: (1) PPV + AUX est (= perífrases-E); (2) PPV + AUX fuit (= perífrases-F). Na terceira parte, discutimos as conclusões extraídas da análise dos dados integrados no corpus para efeitos de caraterização do funcionamento da língua, no contexto histórico que precede o aparecimento do português como língua escrita. Entre outras conclusões relevantes, o estudo do problema linguístico permitiu constatar que: 1) Em latim, havia duas construções verbais com a mesma função gramatical. Esta coexistência resultou de ambiguidades de interpretação relacionadas com os valores de tempo e aspeto; 2) As construções (1) e (2) entraram em competição para efeitos de marcação da categoria verbal. Nesta competição, uma das formas (1) desapareceu e outra (2) manteve a sua função original; 3) A hipótese que explica este processo relaciona-se com a noção de inferência semântica. Nesta hipótese, o critério da transparência linguística depende de uma relação de convergência entre estrutura verbal e significado verbal; 4) O corpus epigráfico ajuda a esclarecer estes fenómenos e alarga os dados cuja análise permite explicar este problema linguístico. |
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| Autores principais: | Gouveia, Mário Nuno Campos |
| Assunto: | Linguística histórica Mudança linguística Mudança linguística Sistema verbal Pretérito perfeito passivo Epigrafia medieval Historical linguistics Linguistic change Verbal system Passive perfect Medieval epigraphy |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | O objetivo desta dissertação é aprofundar os nossos conhecimentos sobre a forma como se desenvolveu o pretérito perfeito passivo na transição do latim para o português. Na primeira parte, apresentamos os fundamentos teóricos e metodológicos do projeto de investigação, salientando alguns dados sobre o funcionamento do verbo em latim, nos sistemas do infectum e do perfectum, e caraterizando as formas e os valores que estão associados ao paradigma acima identificado. Na segunda parte, apresentamos o corpus epigráfico e procedemos à análise dos dados linguísticos, sob os pontos de vista scriptográfico, sintático e semântico, formulando uma hipótese que tenta explicar a coexistência de duas formas para uma só categoria verbal: (1) PPV + AUX est (= perífrases-E); (2) PPV + AUX fuit (= perífrases-F). Na terceira parte, discutimos as conclusões extraídas da análise dos dados integrados no corpus para efeitos de caraterização do funcionamento da língua, no contexto histórico que precede o aparecimento do português como língua escrita. Entre outras conclusões relevantes, o estudo do problema linguístico permitiu constatar que: 1) Em latim, havia duas construções verbais com a mesma função gramatical. Esta coexistência resultou de ambiguidades de interpretação relacionadas com os valores de tempo e aspeto; 2) As construções (1) e (2) entraram em competição para efeitos de marcação da categoria verbal. Nesta competição, uma das formas (1) desapareceu e outra (2) manteve a sua função original; 3) A hipótese que explica este processo relaciona-se com a noção de inferência semântica. Nesta hipótese, o critério da transparência linguística depende de uma relação de convergência entre estrutura verbal e significado verbal; 4) O corpus epigráfico ajuda a esclarecer estes fenómenos e alarga os dados cuja análise permite explicar este problema linguístico. |
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